sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O problema de se escrever aos 15 anos...


Eu não sei até que ponto faz bem ficar apontando os defeitos de seu livro para as pessoas que porventura possam lê-lo. Isso pode fazer com que detalhes que passariam desapercebidos sejam focalizados e incomodem mais. De qualquer maneira, creio que me sentirei mais segura em dividir minhas inseguranças (por mais paradoxal que isso seja), pois são alguns dos detalhes de minha história que me fazem travar cada vez que eu penso em finalmente publicá-la.

Como eu disse anteriormente, comecei a escrever este livro aos 15 anos. Estava encantada, não, devo dizer, boquiaberta com o RPG e suas possibilidades, folheava o livro dos monstros e do jogador, e prometi a mim mesma que iria escrever um livro com todos aqueles elementos com a maior fidedignidade possível. Como podem perceber, a empolgação típica de uma adolescente sem-noção. Desde que eu era pequena que criava histórinhas para meus bichos de pelúcia e desenhava gibizinhos toscos (infelizmente nunca desenvolvi o dom do desenho), e ali estava minha áurea oportunidade de criar algo que envolvesse fantasia e medievo, elementos pelos quais sempre fui apaixonadíssima desde que me lembro por gente (além de música).

E tinha acabado de ler e assistir O Senhor dos Anéis, que, aliás, foi o elemento que me fez iniciar uma conversa com meu vizinho "Oyama Flagelo das Feras" sobre o RPG, o que me levou a jogá-lo (e conhecer meu futuro marido, eba, é por isso que O Senhor dos Anéis é tão especial para mim). Não fica difícil predizer qual era a raça com a qual eu qual jogava mais e com a qual eu alegremente povoei meu livro sem ter noção das consequências: elfos! Hoje gosto de elfos por gostar genuinamente, mas naquela época fui no sabor dos ventos da moda trazida pelo filme.

Elfos, elfos para todo lado! E um meio-elfo que apareceu ali por um milagre. Infelizmente, não me dei conta (mesmo que tivesse jogado com elfos nas aventuras e assistido o Senhor dos Anéis) de que os elfos eram seres que viviam em florestas ou cidades construídas nestas sabe-se Deus por quê, tenho certeza de que alguém me falou que elfos classicamente viviam em florestas. É engraçado notar o quanto elementos que são óbvios para mim agora que jogo faz tempo não o eram quando eu era uma jogadora iniciante. Vira e mexe apareciam nas aventuras alguns elfos na cidade, geralmente aventureiros NPCs, então na minha cabeça elfos migravam para ambientes urbanos e iam morar lá. Não que isso não possa acontecer em uma aventura, mas para mim isso era absolutamente natural e nas cidades fortificadas viviam anões, elfos, halflings e quem mais coubesse em profusão. E assim construí minha cidade chamada Silena que meus queridos personagens habitavam (estranhamente percebi muito mais rápido que anões combinavam mais com fortalezas em montanhas e não os coloquei na cidade. Nem os halflings, porque, oras bolas, os halflings viviam no Condado).

Mesmo ao reescrever meu texto mais velha, e mudar quase que completamente os rumos da história, eu mantive esses elementos. Já estava tão acostumada com a cidade que havia criado e os personagens elfos e meio-elfos (na cidade também há muitos humanos, por mais que no início eu tenha criado uma população massiva de elfos), que lá fui buscar um jeito de dar uma explicação para esta questão esquisita e inclusive para toda a configuração do planeta de Edrim. Na história há sim elfos que vivem nas cidades e misturam-se com humanos na mais plena harmonia (chamados elfos corrompidos pelos elfos de cristal) e há elfos mais fechados que vivem em florestas e escondem-se o máximo possível (embora no primeiro livro eles ainda não apareçam, mas são os elfos de cristal). Essa questão ainda me incomoda, mas depois de muito pensar vi que a história que criei pede que tudo mantenha-se como está.

Mas vejam bem, tudo era muito nebuloso em minha cabeça quando tinha 15 anos, e como eu disse, queria fazer uma transposição fidedigna dos elementos do RPG que jogava, porque para mim o mundo não conhecia o RPG (no caso D&D), e deveria! Isso não permitiu que eu criasse muita coisa nova, fiquei encantada com os drow e lá os coloquei com suas aranhas, quando poderia ter feito algo um pouco diferente e que não fizesse o pessoal do Forgotten Realms me processar. Mudei, eles se chamam dokalfar e são ligeiramente diversos, mas lá ficaram as aranhas que animadamente incluí em um combate, mas poderia ter feito algo diferente, talvez menos óbvio do que a combinação elfos negros + aranhas, provavelmente poderia ter criado algo que combinaria mais com minha ambientação. Mas, acredito que agora considero tais coisas como detalhes, e o mais importante está na história em si, espero, e não nas coisas iguais ou diferentes, no que é original ou não. Gosto de histórias focadas em personagens, e acredito que consegui fazer isso. O que me incomoda é que não queria banalizar as raças e transformar meu livro em um daqueles animes ou jogos computadorizados em que todo mundo tem orelha pontuda sem motivo algum.

Já falei em um comentário em um blog que não vejo problema em encontrar as mesmas raças de sempre em cenários fantásticos ou livros contanto que a história seja bem desenvolvida e que os elementos que participaram dessa releitura sejam bem embasados. Procurei renovar meu livro em certos pontos e tentar dar este embasamento na história para que tudo tivesse nexo e fosse coerente dentro do mundo que criei. Se consegui fazer isso realmente, só o tempo dirá...

8 comentários:

  1. Conforme vamos crescendo e amadurecendo, nossos trabalhos tendem a mudar e acompanhar esta evolução (ou involução, no caso de uns e outros...).

    Pelo que pude acompanhar de seu nobre trabalho, conseguistes atingir teu objetivo, pois ciastes uma história, um mundo e um conjunto de personagens que funcionam em perfeita harmonia.

    E apenas para completar, gostei muito da imagem que abre este pergaminho!

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  2. Meu único conselho (significativo) é: não escreva para os outros, escreva para si mesma. Pouco importa o que as pessoas pensem.
    E já que falei o importante, aí vai meu comentário "Aramílico" desimportante: se te conheço bem, aposto que o poder do amor vai vencer no final! Hahaha. Posso até prever que vai ter um bebê resgatado de algum rio e que vai se crescer e se apaixonar por alguém!
    Brincadeiras à parte, boa sorte com o livro.

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  3. Alguém, em algum lugar, me disse: originalidade é apenas um detalhe. O importante é criar uma boa história. Eu, por exemplo, SEMPRE começo um texto meu copiando descaradamente alguma coisa de algum lugar, e depois passo o resto inteiro do processo criativo fazendo minha história ficar diferente daquela que me inspirou. Então, se posso dar um conselho é: preocupe-se apenas em escrever uma boa história. E eu tenho certeza que conseguirá.

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  4. Certa vez ouvi que todas as histórias já foram contadas. O sucesso depende da forma como se conta... Basta ver o sucesso de Avatar...
    Boa sorte!!

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  5. Muito legal Astreya! Vou divulgar seu novo blog lá no meu resumo semanal!

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  6. Muito obrigada a todos, amigos. Fico muito agradecida pelos vossos conselhos, pois eles realmente me ajudaram, podem ter certeza. Estão certos (e realmente o poder do amor estará presente, Aramil... o que posso dizer... quem me conhece sabe o quanto sou previsível nesses assuntos, hehehe). Obrigada, nobre clérigo, ficarei honrada de ter meu blog indicado!!

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  7. ÓOooo NOIS HERE NO BLOG NEW \o/ AHEEEEEE

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  8. Que projeto bacana, Liége! Eu sempre tive vontade de escrever um livro e acho que ainda o farei =) Concordo plenamente com o Bacchi, o cuidado no como é contado faz toda a diferença em histórias (principalmente as de fantasia, na minha opinião) e, nós já sabemos que você é muito habilidosa com as letras! Estamos ansiosos para o lançamento!! sucesso!

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