domingo, 1 de janeiro de 2012

"Palhinha": primeiro capítulo do livro 2

Saudações, queridos leitores! Estava pensando em uma boa maneira de começar 2012 no blog, como forma de agradecer por toda a atenção e apoio que tenho recebido por meio dele. Aliás, eu não fiz postagem ontem mas queria dizer, a todos vocês que visitam o Enigma da Lua e aos que leram o livro, aos que divulgaram, aos que se interessaram: OBRIGADA! Isso foi um dos maiores presentes que 2011 reservou para mim.

Pois bem, não tenho nada de muito novo para postar, mas pensei em deixar para vocês uma pequena parte do primeiro capítulo do livro. Não é exatamente a parte mais emocionante mas acredito que sirva para deixar um gostinho do que está por vir. Imagino que a postagem vá ficar longa mas espero que tenham paciência para lê-lo. Dizem o Odin e a Angela que o livro não é uma leitura complicada e flui bem, espero que esse seja o caso do primeiro capítulo. Sem mais delongas, vamos lá!

Capítulo 1 – Iniciando a Jornada

O teletransporte não havia dado certo.

Por algum motivo, a magia de Meav não levara Galnor, Laucian, Elora, Myron e Valenia até o destino que ela planejara. Ao invés disso, o grupo foi parar na metade do caminho entre Silena e o vilarejo de Inisah. Meav tentara por mais duas vezes. Tudo o que conseguiu foi embrenhar-se ainda mais na floresta que circundava a trilha.

E na segunda falha, o grupo não passou despercebido.

- CUIDADO!!

Laucian gritou com toda a força de seus pulmões quando viu uma pequena e horrenda criatura cair de uma árvore segurando dois punhais de lâminas levemente enferrujadas.

Em cima de sua namorada.

O meio-elfo empurrou Elora como pôde, o que fez com que o estranho inimigo caísse no chão. No entanto, ele parou de pé com uma agilidade assustadora, e Laucian notou que havia sangue nas pequenas lâminas que o monstro segurava. Ele atingira Elora de raspão.

De repente, parecia que uma dezena daquelas criaturas havia surgido, tão repentinamente que nenhum deles soube muito bem o que fazer. Três deles cercaram Valenia e outros dois fizeram Myron alvo de seus ataques. Valenia, atordoada, tentou se esquivar dos ataques de seus inimigos, mas teve as pernas feridas e gritou de medo e dor. Myron tentou atropelar seus adversários com seu escudo para ajudá-la, mas foi Galnor, um combatente experiente e acostumado com o inesperado, que decepou a cabeça de dois monstrengos com seu machado em apenas um golpe e foi socorrer a assustada barda. Laucian e Elora ficaram de costas um para o outro e desembainharam suas espadas, defendendo-se dos golpes que recebiam.

- O que está acontecendo? – Elora gritou, tremendo, enquanto tentava aparar um golpe que recebera.
- Devemos estar próximos de uma tribo deles – Galnor gritou de volta – Concentrem-se!
-São goblins! – Laucian completou – são mais rápidos do que eu pensei...

Os cinco companheiros continuaram a se defender e atacar como podiam. Os mais jovens não conseguiam evitar serem feridos. Foi então que, de repente, de modo gradual e quase imperceptível, uma suave melodia começou a ressoar no ambiente.

Meav, espada em punho, começara a cantar. Cada um dos goblins parou de fazer o que fazia e passou a olhar para a barda, como se estivessem enfeitiçados. Segundos depois, os pequenos monstros começaram a cair no chão, completamente adormecidos.

- Reúnam-se ao meu redor! – Meav falou logo em seguida – Rápido!
Os companheiros obedeceram prontamente. Meav fez alguns gestos com as mãos, concentrou-se e entoou um pequeno encantamento. Em segundos, todos eles desapareceram.
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- Eu sinto muito – Meav falou aborrecida – vocês terão de ir andando até Inisah...
Os cinco companheiros encontravam-se novamente na trilha que os guiaria até o seu destino, o vilarejo de Inisah. Meav conseguira levá-los pelo menos até a estrada, saindo da floresta fechada e da mira dos ágeis e selvagens goblins.
- Porque você acha que isso está acontecendo, barda? – Galnor perguntou, coçando sua barba.
- Energia negativa... – Meav falou em um sussuro – Algo realmente está acontecendo.

Valenia chorava silenciosamente pelo susto, olhando para o sangue que brotava de suas pernas. Ela prometera a si mesma que faria de tudo para não ser apenas um peso naquela jornada, mas no primeiro momento em que se viu ferida, já teve vontade de voltar para casa. As palavras que Myron lhe dissera há um dia atrás ecoavam em sua mente. “Você vai atrapalhar”. Será possível que ela realmente tivesse feito uma escolha errada... será possível que ele realmente estivesse certo? “Clérigo tolo!”, ela pensou com raiva.
- Não se preocupe, eu já vou curar suas feridas – Myron retirou a barda de suas divagações, enquanto terminava de fechar os dois cortes que o goblin fizera nas costas de sua irmã, grandes, mas superficiais.
- Isso não é nada, garota! – Galnor falou em um tom bem humorado, observando o choro de Valenia – você vai levar estocadas muito piores do que estas. Comece a se acostumar!
Valenia engoliu em seco e Elora arregalou os olhos.
- Embora o que eu esteja falando possa muito bem se transformar em realidade, estou brincando – o anão completou, rindo levemente – no entanto, todos vocês precisam estar conscientes de que se aventurar não é uma simples brincadeira. Estejam sempre concentrados e atentos. Quando formos atacados, se possível, façam uma formação de batalha, em círculo. Evita que sejamos pegos pelas costas, e faz com que fiquemos unidos, ajudando uns aos outros. E uma das lições mais valiosas que eu aprendi e que vou passar para vocês: preservem o clérigo.
As mãos de Myron brilharam e foram fechando lentamente os ferimentos de Valenia. A menina suspirou de alívio.
- Obrigada - ela disse friamente, e evitou olhar para o rosto do clérigo. Myron percebeu, mas agiu naturalmente.
- Está vendo? – Galnor falou.
- Obrigada pela ajuda, senhor Galnor e Meav – Elora falou, levantando-se – nós... vamos ter de ir andando para Inisah?
- Sim, Elora... – Meav disse – eu temo coloca-los em risco se continuar tentando levar vocês até lá.
- Agora que voltamos à estrada, é melhor permanecermos nela – Laucian falou – podemos ao menos nos guiar com mais tranquilidade.
- Mas não sabemos em que altura da estrada estamos – Myron completou – bem, eu, pelo menos, não sei.
- Eu passei por Inisah antes de chegar em Silena – Galnor disse – é um caminho simples, na verdade. Basta seguirmos a trilha, e será a primeira parada que encontraremos.
- Andando por toda a trilha, vocês provavelmente levariam cerca de três dias para chegar até lá. Eu acredito que tenha chego perto do destino que pretendia... sinto que a magia nos deslocou bastante... apenas não o suficiente – Meav afirmou.
- Andando e sem saber onde estamos... – Valenia murmurou descontente – ótimo começo.
Meav sorriu.
- Vamos, vamos, Valenia – ela disse – lembra-se da lição número 1 dos bardos? “Onde você for, leve alegria”.

Valenia suspirou e sorriu um sorriso amarelo. “Alegria, sim... Estão todos mais nervosos do que nunca, e eu nem sei muito bem o porquê”, ela pensou, aborrecida.

- Bem, eu tentarei voltar para Silena com minha última magia de teletransporte – Meav continuou – se chegar perto o bastante, mando uma mensagem por meio de magia a Rekdan para que ele me busque com um cavalo. Não se preocupem comigo e sigam viagem. É necessário.

Apesar dos protestos e preocupações de seus companheiros, Meav partiu sozinha, enquanto Galnor e seus jovens acompanhantes continuaram a trilhar a estrada a sua frente.

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- Está tudo pronto?

Fierna andava de um lado para o outro em uma das muitas salas existentes no imenso complexo subterrâneo que abrigava toda a força de Rodrom no momento. Seu irmão Firlan parecia tão tenso quanto ela, mas se controlava.

- Norus está reunido com Valanus agora – o dokalfar respondeu – eles decidiram atacar à noite. Valanus conseguiu neutralizar o grupo de Lafaia. Norus está bastante satisfeito. No momento ele está invocando mais... “homens” para nossa investida. Os Cavaleiros Negros.

Fierna parecia consternada. Sabia que em poucas ocasiões Norus invocava os Cavaleiros Negros, estranhas criaturas que combatiam sem que qualquer golpe pudesse derrubá-los definitivamente. Pareciam armaduras implacáveis, sem corpos que pudessem ser feridos ou mortos. Norus por vezes os chamava de golens. E sacrificava seu próprio sangue para dar vida às estranhas criaturas.

- À noite... é muito tempo... – a elfa negra protestou, ignorando os últimos feitos de Valanus – eu temo que eles já tenham partido. Aquela clériga... tenho certeza de que ela é Laessara. Ela sabe da história de Velnor e Elora, e não seria tola a ponto de deixar os dois jovens que podem ser eles em Silena... ainda mais depois de minha tentativa frustrada de levar embora o meio-elfo.
- De fato... – Firlan suspirou.
- Não é justo, Firlan! – Fierna gritou – eu fiz tudo o que pude! O garoto simplesmente desapareceu na minha frente!
- Fierna – o dokalfar pensava – não fique a remoer o que já aconteceu...
- Ele nem ao menos me deixou participar do conselho de guerra! – a elfa negra continuava a extravasar sua ira – Eu, que sempre fiz todo o trabalho sujo que ele me pede! Não é justo que eu seja punida sem ter todas as chances que me são de direito. Ninguém mais fez um trabalho melhor do que o meu para que eu seja penalizada!
- Eu sei – Firlan respondeu – mas eu já tenho uma solução para isso.
A dokalfar lançou o brilho lancinante de seus olhos azuis claros na direção do irmão gêmeo.
- O que quer dizer com isso? – ela perguntou.
- Mesmo que ele já tenha partido de Silena – Firlan completou – eu e você, com nossas habilidades... iremos caçar este meio-elfo até o fim do mundo. Apenas nós dois, discretos como a sombra. E a incursão até Silena não será inútil, mesmo se não encontrarmos o bastardo... capturar Laessara , ou Driali, como ela mesma se chama agora, já será de grande ajuda, e ela ficará lá, certamente. Norus pretende traze-la até aqui. O sangue de clérigos da Lua é um dos que mais fortalece nosso Senhor. Ainda mais o sangue daqueles que foram abençoados como celestiais prateados. Laessara é uma dessas pessoas, segundo Norus. Ela tem poder divino que se equipara ao de Alastrina, e cada gota do sangue dela é preciosa para nós.
- Ele realmente aceitou este acordo? – Fierna parecia incrédula.
- Sim – Firlan respondeu – Norus sabe de nossa utilidade, Fierna. Ele não é tolo, e não desperdiçará o seu talento, minha irmã, para seguir arroubos de ira. Norus, antes de tudo, é um homem sábio. Ele sabe esperar e raciocina muito bem antes de tomar qualquer decisão. Ele tem planos para nós dois.
Fierna sorriu.
- É por isso que iremos conseguir tudo o que queremos, meu irmão – ela disse, satisfeita com a decisão de seu mestre – tudo.
Era isso que Firlan esperava.

Bem, é isso... espero que comentem e expressem suas opiniões! 

4 comentários:

  1. Eu adorei o anão Galnor, é um personagem cativante e divertido, além de ser uma figurante importante nesse estágio, não somente para proteger o grupo mas também para dar um pouco de equilíbrio emocional para esses jovens (vulgo puxão de orelha)rsrs
    Estou ansiosa para conhecer a história dele =)

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  2. Obrigada Angela! Eu também gosto muito do Galnor e da relação dele com os quatro, ele tem um jeito bacana de "dar bronca", hehehe. Que bom que você está gostando do livro 2!

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  3. UHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!! ^^

    Mais! Mais! Mais! Como eu já estava desconfianda, o segundo livro está DEMAIS! Muito legal mesmo!!!!!

    O meu namorado também adorou o Galnor, Angela (e está louco para ver um desenho dele ^^)

    Parabéns, Liége!

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  4. Obrigada, Amanda! Ontem finalizei o quarto capítulo e fui para o quinto! Esse livro tem bem mais ação do que o primeiro, tô apanhando para escrever mas também estou adorando!

    Que bom que vocês gostaram do Galnor, eu também adoro ele. Logo, logo acho que vamos ter um desenho dele por aqui... =)

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