segunda-feira, 9 de abril de 2012

Personagens - Firlan e Fierna (trecho do livro 2)

Saudações, queridos leitores! Hoje venho trazer um vislumbre de mais dois personagens de O Enigma da Lua, e dessa vez temos dois vilões! Firlan e Fierna, os irmãos dokalfar que acompanhamos desde o primeiro livro. Ao invés de descrever seus passados de forma mais sistemática, eu achei que seria interessante trazer uma passagem do livro II. Talvez ela seja modificada, aumentada, cortada =D, eu não sei ao certo ainda. Mas serve para dar alguns spoilerzinhos (quem sabe eu consigo deixá-los curiosos) e também para vocês conhecerem um pouco mais dos personagens. Os dokalfar são malignos, mas também não tem uma vida nada fácil em Edrim, o que justifica sua vontade de sair matando todo mundo: eles não querem apenas exterminar e pilhar a esmo, eles procuram um mundo onde possam garantir sua sobrevivência. Enfim, vamos ao que interessa!


"Fierna sentia-se inquieta naquela noite. Parecia que a lua estava brilhando com um pouco mais de intensidade. Como se a Deusa tivesse encontrado motivos para fortalecer-se em Edrim.
Estavam, ela e seu irmão, acampados próximos à Floresta do Unicórnio, uma das principais moradas dos elfos de cristal. Ela olhava para a copa das árvores incomodada com o brilho argênteo que teimava em trespassar as folhas verde-escuras lançando-se sobre eles como se fossem espadas inimigas. A dokalfar suspirou impaciente e olhou para o irmão que dormia a seu lado. Firlan estava cada vez mais consumido por sua missão. Acreditava no poder de Norus e daria sua vida para ver o Senhor do Escuro liberto. Nada importava tanto para ele quanto aquilo. Seria a chance que eles teriam de possuir um lugar que nunca tiveram naquele mundo.

E então ela lembrou-se de quando eram pequenos.

Firlan a puxava pela mão enquanto corriam com toda a velocidade de suas pernas tentando esconder-se em um pântano. Lágrimas rolavam pelos rostos dos irmãos gêmeos, que fugiam aterrorizados dos guerreiros que os perseguiam. Dokalfar não eram poupados. Dokalfar eram caçados. Odiados. Temidos. Ninguém demonstraria piedade aos elfos traidores da luz. E até mesmo as crianças de sua raça eram assassinadas sem pudor pela maioria de seus caçadores.

Os pais dos gêmeos procuravam aquele local há tempos. Naquele pântano se escondia uma comunidade de elfos negros, mas a sorte não os acompanhara. Há poucos quilômetros da entrada do local procurado, um grupo de batedores composto por elfos e humanos os avistou pela noite, e então começou uma caçada de gato e rato. Seus pais resistiram o quanto puderam, mas foram abatidos. As duas crianças fugiram enquanto ouviam os gritos de ódio e dor de seus progenitores, tentando ser rápidos o bastante. Naquele momento, tudo o que sentiram foi medo. Medo de morrer. Ironicamente, um dos sentimentos que era comum a qualquer raça.

Sobreviveram porque conseguiram alcançar o destino desejado, o qual seus perseguidores não ousaram adentrar. Viveram uma vida de fome, ódio e crueldade junto ao grupo de dokalfar que encontraram. E o que os retirou da selvageria e da corrida desenfreada pela vida foi um homem que chegou em uma noite sem lua e perguntou se os dokalfar queriam ter um lugar no mundo. Norus, o profeta das sombras, como eles o chamaram. Ele os salvou. E agora pedia seu sacrifício. Sacrifício, pois Fierna temia que morressem em Nuvara ou mesmo antes, na Floresta do Unicórnio.

Ela envergonhou-se e ficou com raiva de sua fraqueza ao voltar seus pensamentos para fatos do passado. Não precisava daquele tipo de sentimentalismo. Jamais imaginou que, em uma hora como aquela, temeria pela vida do irmão, cada vez mais obstinado. Afinal, era apenas nele que ela confiava. Os dois compreendiam-se como ninguém, e dividiam tantas semelhanças que ela nem imaginava como seria viver sem Firlan, sua sombra, seu espelho. Se não fizessem o que deveriam fazer, porém, jamais haveria no mundo um lugar para eles.

Era preciso dar prosseguimento ao plano. Não faltava muito para conseguirem a chave final para entrarem em Nuvara. Ela estava com os elfos de cristal.

Fierna suspirou. Faria o que fosse preciso para ficarem vivos. Custasse o que custasse".

Não se esqueçam de dar suas opiniões! Está muito ruim essa parte? Precisa de mais detalhes? Fierna é muito boazinha para uma vilã, hehehe? Conto com seus comentários! =D

10 comentários:

  1. Muito bom. Interessante mostrar as motivações dos dokalfar, retratando-os como seres com objetivos justificáveis, não apenas como bestas sanguinárias. (Quase comecei a torcer pelo sucesso deles).

    A ansiedade pelo segundo livro vai aumentando.

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    1. Que bom que gostou, Jaco. Foi mais ou menos isso que quis fazer mesmo, dar uma motivação aos dokalfar, para que eles não fossem apenas monstros sanguinários e cruéis. Eu também quase chego a torcer por eles por vezes, se eu não preferisse os protagonistas =D.

      Que bom que está ansioso pelo segundo livro, estou fazendo o que posso para que ele fique melhor do que o primeiro!

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  2. Nossa!! Show de bola! Corta essa parte da história não XD Agora quero conhecer a história de todo mundo... Hehehe!! o/

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    1. Hehehe, cortar foi um exagero, não vou cortar não porque acho importante falar dos vilões =D. Que bom que você gostou, Gisele! Eu vou tentar contar a história de todo mundo de forma que vocês possam conhecer pelo menos um pouco de cada personagem importante!

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  3. Gostei mto Li! Não achei q ficou uma vilã mto boazinha não, na verdade é bem mais convincente e tem mto mais verssimilhança desse jeito. Ninguém é completamente bom nem completamente mau (o bom e velho yin yang). Está de parabéns! Quero saber mais sobre Firlan e Fierna!

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  4. Gostei muito da maneira como desenvolvestes os Dolkafar... está história é triste, especialmente por mostrar que muitas vezes os vilões, assim como os heróis, não nascem prontos, mas são construídos pelas escolhas feitas e vida que são obrigados a levar.

    Muito bom mesmo!

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  5. Adorei a história deles!!
    Concordo com as palavras da Bruna e Odin, ninguém é completamente bom ou mal, ninguém nasce pronto.
    Eu tenho uma afeição pelos vilões em geral, confesso que fiquei com pena dos gêmeos, afinal, não é nada fácil viver como um dokalfar e ser caçado desde criança como um animal.

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  6. Amanda Silversong10 de abril de 2012 18:29

    É verdade, a vida não é bolinho nem para os malvados ^^

    Gostei demais do texto, Liege, e mal posso esperar para ler o segundo livro!!

    E quem sabe eles descobrem o amor e deixam este caminho de trevas, não é mesmo? ^^

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    1. Hahaha, sabe que eu tenho que ficar me controlando para não sair redimindo todos os vilões pelo poder do amor... =D. De verdade. Só que daí eu me controlo para não transformar o livro em um especial de fim de ano. ^^

      Mas, vamos ver o que espera esses dois...

      Obrigada pelos comentários pessoal!

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  7. Hahaha, sabe que eu tenho que me controlar para não sair redimindo todo mundo pelo poder do amor? De verdade! Mas daí eu me freio para não transformar o livro em um especial de fim de ano *_*.

    Mas vamos ver o que acontece com esses dois... =D

    Obrigada pelos comentários, pessoal!

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