terça-feira, 29 de maio de 2012

Mudanças, mudanças, mudanças...

Saudações, queridos leitores. Peço desculpas pela falta de postagens, mas ela tem um bom motivo: muitas reflexões acerca do livro.

Sim, sim, mas boas reflexões! Reflexões necessárias... eu ando com a cabeça cansada e mal consigo escrever um post, então o livro tem andado parado nesses dias mestrado consumindo. Mas não pensei tanto sobre o segundo livro, e sim sobre o primeiro. Sim, o primeiro livro, que já foi lançado, lido, comentado, criticado, elogiado, por poucas pessoas, certamente, mas por pessoas que me fizeram acreditar que era possível, que minha escrita não era tão ruim, que com esforço posso melhorar e quem sabe um dia até publicar alguma coisa por aí. Claro que não foi isso que me disseram, hehehe, vocês costumam me motivar com palavras mais calorosas e muito entusiasmo =D, o que é maravilhoso e me deixa nas nuvens, mas esse foi o saldo que eu obtive através de reflexões pessoais.

Essa experiência me fez crescer bastante. Lidar com a reação das pessoas em relação a qualquer coisa que eu faço é algo que sempre foi difícil para mim, como uma pessoa insegura e preocupada demais em agradar até um tempo atrás. E com o livro é pior. Por quê? Bom, o livro é uma parte de mim, possui valores, crenças e sentimentos que me são inerentes. Acho muito difícil que uma pessoa se mantenha totalmente insensível a qualquer reação do público causada por um trabalho tão pessoal. Ainda mais quando estamos falando de um PRIMEIRO trabalho, aquele que você fez em segredo e achou que nunca ia mostrar para o mundo. Daí você mostra, e, bem, ali está você, exposta. Exposta para todos, para gente legal e bem-intencionada, para gente cretina e cheia de ofensas gratuitas no bolso, para gente neutra, para gente que adora fantasia, romance, para gente que não gosta, para gente que não está nem aí para o que você fez, enfim, para todo tipo de pessoa. E isso é normal. E temos que saber lidar com todos os tipos de reação. Por isso coloquei na cabeça: você não escreveu para massagear o ego. Escreveu porque gosta e isso te fez feliz, e é isso que importa. Com esse foco, não acho pecado algum me manter mais ligada às pessoas que realmente gostam desse tipo de leitura, digamos, o "público-alvo", e suas reações. Mas também não posso descuidar e não refletir sobre as falhas naquilo que fiz.

Quando recebi elogios pelo meu livro, de pessoas que eu não conhecia pessoalmente vocês sabem quem são, suas pessoas lindas e legais!, eu fiquei surpresa. Muito surpresa. Eu não acreditava que isso pudesse acontecer, e essas pessoas de fora que me apoiaram e apreciaram o meu trabalho sem nem me "conhecer" foram como molas propulsoras. Até então, só meu marido e minha ilustradora haviam lido o livro, e de repente mais gente estava ali =D! Foi mesmo um sonho realizado.

Mas ainda assim continuo insatisfeita com o meu trabalho. Eu sei que o livro pode ser melhor. Não estou insatisfeita com a história e com os personagens (o que já me deixa muito feliz). Mas falta recheio nesse bolo. Na ambientação, no "entorno", como disse a Ana Merege em uma conversa nossa =). Algumas coisas ficariam mais interessantes se fossem mais bem desenvolvidas. Algumas passagens podem ser menos.... digamos... "infantis".

Portanto, acredito que daqui para frente também irei trabalhar em uma "terceira versão" do primeiro livro (a que vocês leram já era a segunda XD). Nem tudo precisa ser mudado e a história, o enrendo, continuará sempre a mesmo, serão apenas detalhes que serão acrescidos e enriquecidos. Continuarei a manter essa versão disponível, pois esse é um projeto a longo prazo. Mudarei, melhorarei, registrarei finalmente, e quem sabe um dia uma editora que não me cobre de 5.000 a 15.000 dinheiros se interesse? Não preciso ter pressa =D. E o segundo livro continuará sendo produzido, pois ele já está mais ou menos nesse caminho de melhora que eu pretendo para a história.

Bem, claro que eu escrevi aqui querendo ouvir também a opinião de vocês, que já leram essa versão. O que acham? Tem algo que mudariam? Podem ser sinceros. E se gostam do jeito que está, o que mais encantou vocês na história? Tem algo que vocês não mudariam de nenhuma forma? Gostam da ligação que o livro tem com o RPG? Não gostam? Odeiam algum personagem? E aí? O que me dizem?

Quero ouvir vocês!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Resenha de O Enigma da Lua no Just Livros!


Saudações, meus queridos leitores! É com grande alegria que venho anunciar uma novidade muito bacana: O Enigma da Lua - A Centésima Vida acaba de ganhar mais uma resenha! Dessa vez a resenhista é a Amanda Nello, do blog Just Livros.  Querem conferir a resenha e conhecer o blog da Amanda? Basta clicar AQUI!

Espero que gostem e comentem na resenha! Agradeço à Amanda pela confiança no meu trabalho e por ter me procurado para firmar a parceria! 


Até breve, nobres viajantes da blogosfera!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Clube de Autores com 25% de desconto!

Saudações, leitores queridos!! Hoje posto uma notícia rápida para aqueles que quiserem adquirir O Enigma da Lua na versão impressa. Até dia 27 desse mês os livros de todo o catálogo estarão com 25% de desconto. Então vejam bem tudo o que vocês podem comprar lá:

O Enigma da Lua - A Centésima Vida
As Crônicas de Elgalor - O Prenúncio da Tempestade
Amberblades 1 e 2
Guerra nos Nove Mundos impresso!
Asgard RPG impresso!

Tá vendo? É muito coisa boa! Vamos juntar as moedinhas de ouro e garantir as leituras das férias de julho!

Abraços, e até breve com mais novidades!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ilustração colorida - Laucian e Norus

Saudações, queridos leitores!! Vocês sabiam que essa é a centésima postagem do blog O Enigma da Lua? Pois é! Essa é uma postagem muito especial, e nada melhor para fazer nesse momento do que compartilhar com vocês mais uma das ilustrações de O Círculo dos Sete!

Hoje a ilustração da Angela tem tons dramáticos e não é por menos. Nela vocês veem pela primeira vez em cores e linhas o vilão Norus, que vai espezinhar bastante a vida do pessoal nesse segundo livro, muito mais do que no primeiro. As histórias de todos os personagens começam a se entrelaçar de forma muito mais intensa em O Círculo dos Sete, e todos têm seu papel nessa história. Norus realmente vai atormentá-los e esse é um dos primeiros momentos em que ele se faz presente diretamente na vida de Laucian. Será que a cena abaixo é verdade ou é um pesadelo?

Tormento, por Angela Takagui
É. Não é dos momentos mais agradáveis da vida do pobre Laucian. E estou trabalhando para que vocês descubram o que vai acontecer o mais rápido possível, escrevendo sempre que posso!

Espero que comentem e fiquem curiosos! =D Até breve, leitores queridos!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ilustrações coloridas - Tempestade e Nuvara

Saudações, queridos leitores! Hoje estou aqui para mostrar as ilustrações lindas da Angela, e eu tenho que falar que parece que a cada dia elas ficam ainda mais bonitas! Espero que meu livro seja digno de ser ilustrado por elas... bem, chega de tra-lá-lá e vamos logo ao que interessa:

Problemas no mar... 

E a linda Nuvara!
A primeira imagem diz respeito a um problemão que o grupo terá de enfrentar logo no início, e Nuvara... bem, será que mesmo assim eles conseguem chegar lá? Será que aquele problema não está ligado com a magia da ilha? Com certeza eles terão uma surpresa muito grande nesses dois momentos.

Algumas curiosidades sobre a imagem de Nuvara: eu descaradamente me baseei na Torre de Marfim de A História Sem Fim e mandei imagens dela para a Angela, que fez uma versão linda e personalizada do meu pseudo-plágio. Eu não sei porque, mas até hoje eu fico toda arrepiada quando eu vejo a Torre de Marfim do filme, e esse com certeza foi um dos meus clássicos de infância. Tanto que para mim a trilha sonora de Nuvara é essa:



Escrevi grande parte do capítulo de Nuvara ouvindo essa melodia! Será que deu certo? =D

Por hoje é isso, pessoal, pois acho que as imagens falam por si! Espero que gostem e comentem!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Coletânea da Editora Draco e promoção O Castelo das Águias!

Saudações queridos leitores! Hoje eu fiquei sabendo de duas notícias muito bacanas e que podem interessar a vocês que passam por aqui.

Já li em vários lugares que uma das formas de ficar conhecido pelas editoras e no meio literário é submeter e publicar contos em coletâneas abertas para a participação do público. Há uma editora, por exemplo, que se dedica basicamente a isso, a Andross. E outra editora que lança coletâneas de contos é a Draco, e a boa notícia é que hoje foi lançado no blog da editora o guia para submissão de contos sobre nada mais nada menos do que... Dragões! Quer saber mais? Clica logo AQUI!!!

Eu mesma vou tentar pensar em algo, mas sou uma péssima contista... Aliás, já falei aqui o quanto eu admiro pessoas que escrevem contos? Para mim que não tenho a mínima capacidade de síntese, escrever um conto é muito mais difícil do que escrever um romance! Condensar ambientações e personagens em poucas linhas/páginas de maneira convincente não é para qualquer um, e eu, como pessoa prolixa que sou, fico literalmente babando quando leio contos bem escritos. CAMPANHA ADMIREM OS CONTISTAS!! XD

Bem, outra notícia BEM legal é que a Ana Lúcia Merege está sorteando outro exemplar de O Castelo das Águias no blog do livro! Para concorrer a essa alta fantasia maravilhosa, basta responder uma pergunta feita pela autora até dia 31 de maio por e-mail! Querem saber qual pergunta é essa e concorrer ao livro que eu já li em um dia, UM DIA! e RECOMENDO FORTEMENTE??  Basta clicarem AQUI!!!

Já que estamos divulgando coisas, deem também uma olhadinha nisso aqui: um apelo de um autor de fantasia brasileiro: Literatura por uma causa - amor!

Bem, pessoal, por hoje é isso! Logo, logo, eu prometo mais notícias referentes Ao Círculo dos Sete. Por enquanto posso dizer que o negócio está literalmente pegando fogo em Edrim! =D Sim, eu voltei a escrever nessa semana, para minha alegria!

domingo, 13 de maio de 2012

Feliz dia das mães!

O Enigma da Lua deseja um feliz dia das mães a todas as mamães visitantes, trazendo mamães queridas de Edrim: Driali e Clahel!


Vida...

E Cuidado!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Nuvara

"Eu não sei se a ilha se move no oceano, ou se é ocultada por essa magia... mas o fato é que não se sabe qual é o caminho ao certo. Parece que todos os caminhos levam a Nuvara quando a ilha “quer” aparecer, e, ao mesmo tempo, nenhum caminho leva até lá quando o contrário acontece". - Larsen, capitão do navio Lua Azul. 

Saudações, queridos leitores! Hoje estou aqui rapidamente para trazer para vocês o rascunho de uma das ilustrações na qual a Angela está trabalhando. Eu sempre fico me segurando para não postar antes de as ilustrações ficarem prontas, mas... acabo não conseguindo!

Essa ilustração que vou mostrar para vocês hoje retrata a ilha de Nuvara, local buscado pelos jovens de Silena logo no início do livro. Como Nuvara é uma ilha protegida por magia e não pode ser encontrada por meios normais, é o local perfeito para que os quatro consigam se esconder e treinar suas habilidades em paz. Mas será que eles vão conseguir chegar até lá? Será? Será?

Se chegarem, eles terão a oportunidade de conhecer esse lugar:

Nuvara e sua Torre de Marfim, por Angela Takagui
A Angela não gostou muito da torre que desenhou e achou que está parecendo uma atração de parque temático até parece, mas eu achei linda!!! Ela conseguiu captar muito bem o que eu imaginava!! A estátua é uma representação da Deusa e da lenda da criação de Nuvara.

E vocês, o que acharam? Espero que gostem e comentem!!

terça-feira, 8 de maio de 2012

O Castelo das Águias - Ana Lúcia Merege

Saudações, queridos leitores. Eu peço perdão pela demora em postar algo, mas aqui estou novamente. Em breve prometo novidades em relação ao Círculo dos Sete \o/, mas infelizmente não estou conseguindo escrever uma linha do livro por esses dias, o que tem me deixado muito triste =( - ainda mais porque estou com vontade de escrever =D.

Mas, enfim, chega de mimimi! Hoje eu vim falar sobre coisa boa. Há alguns dias atrás eu tive a sorte de ganhar em uma promoção muito divertida o livro O Castelo das Águias, da Ana Lúcia Merege, junto com uma camiseta e marcadores momento dancinha da alegria. Vocês já ouviram falar sobre esse livro? Não? Dá só uma olhadinha na capa:

Vocês sabem o quanto eu amo capas desenhadas!
Há um bom tempo atrás, eu me lembro de ter visto esse livro no Skoob e ter me interessado muito. Era uma alta fantasia escrita por uma autora brasileira! Fiquei com muita vontade de ler, mas a correria do dia-a-dia me fez esquecer disso e um dia eu o achei de novo, quando fui visitar o site da editora Draco. Visitei o blog da Ana Merege e vi que havia uma promoção do aniversário de 1 ano da publicação do livro! Uma das modalidades pedia para que a gente brincasse de detetive e caçasse algumas informações sobre a história no blog. Eu não resisti e comecei a caçar o tesouro, e quando fui ver lá estava eu encantada com a qualidade dos contos da Ana e com a ambientação das histórias, com toques da mitologia nórdica, que eu adoro (bom, sou casada com o Odin, né gente =D).

Cacei o tesouro, e acabei ganhando o kit que mencionei, para minha extrema alegria! Mas mesmo que não tivesse ganhado, já teria comprado o livro, tamanha minha curiosidade para ler a história. Para vocês terem uma ideia, eu sucumbi ao twitter e fiz um impulsionada pela promoção (vejam que há um iconezinho do twitter na barra direita para quem quiser nos seguir, hehehe). Mas foi muito bom, porque a Ana é super atenciosa e gentil e gostei muito de ter conhecido ela!

E eis o motivo de toda a minha curiosidade: além de eu ter me interessado muito pela história, eu acho que faltam livros que misturem fantasia, aventura e romance desse jeito que... que... as meninas gostam. É sério. Eu devorei Amberblades 1 e 2 porque gostei muito e porque fazia muito tempo que não encontrava histórias assim. Têm zilhões de romances sobrenaturais, mas livros com clima de aventura de RPG e ambientações inspiradas no medievo com elfos, magia, romance e tudo isso que a gente ama muito... nem tanto! Aliás, roendo as unhas para ler Amberblades 3 e O Castelo das Águias! *_*

Bom, bom, mas voltando ao assunto inicial: a Ana me pediu para divulgar que agora O Castelo das Águias e outros livros da editora Draco estão disponíveis na Apple. Legal, não? Para saber mais, clique AQUI e aproveite ainda para conhecer o blog e os contos da Ana Merege. VALE A PENA!

Deixo vocês com a sinopse do livro (gente, a personagem principal é uma professora contadora de histórias! Tem como não querer ler???):

O Castelo das Águias, romance fantástico de Ana Lúcia Merege, é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual. Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo. Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las,desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

Águias que precisam ser salvas, escola de magia, bardos, conspirações... vocês também não estão com vontade de ler???

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Release de O Enigma da Lua na Revista Fantástica!


Olá queridos leitores! Hoje tenho outra notícia bacana para dar! Mais uma divulgação super legal de O Enigma da Lua, na revista online Fantástica! Ficou lindão! Querem dar uma olhada? É só clicar AQUI!

Agradeço à Mariana que me atendeu com muita atenção, e só posso dizer que é uma honra ter tido meu humilde livrinho divulgado por lá!

Por hoje é só, mas aguardem que em breve teremos mais novidades!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sobre romance, amor e personagens femininas

Fazia um tempinho que eu estava pensando em um post como esse. Eu gosto de dar meus pitacos e opiniões, mas sempre tenho medo do poder de generalização que um post mal desenvolvido pode ter. No entanto, essa é mesmo uma reflexão parcial e sintam-se a vontade para expor seus pontos de vista.

Eu sempre vejo uma pequena polêmica sobre o romance e o amor nas histórias, assim como sobre o modo como as personagens femininas lidam com esse itens. Um dos exemplos mais claros que tive disso há uns tempos atrás deu-se no advento da estreia de Jogos Vorazes no cinema. O trailer anunciava o filme como o novo Harry Potter/Crepúsculo, e uma das chamadas focava-se no romance entre Katniss e Peeta. Eu achei uma péssima maneira de vender o filme porque as três histórias são completamente diferentes e têm focos completamente diferentes. E Jogos Vorazes de fato não tem como foco o romance, isso fica perceptível até para quem só viu o filme como eu.

De qualquer forma, uma coisa muito interessante foi acompanhar os comentários e reações das pessoas à infeliz chamada. Muitos fãs ficaram revoltados com as comparações (com razão) e muitos disseram que "Jogos Vorazes não foca no romance, foca na crítica social, não é como Crepúsculo, não é livro para menininhas retardadas". Ok. Ok. Calma lá.

Primeira coisa: eu não gosto nem um pouco de Crepúsculo, e quem acompanha o blog sabe disso, embora eu não tenha nada contra quem goste (né, Gisele! Eu sei que você gosta, não fique brava comigo! XD) - eu não gosto por motivos próprios. Não aprecio a Bella como protagonista, não gosto da forma como ela exalta a beleza do Edward a cada cinco frases do primeiro livro (o único que eu li), não gosto da forma forçada com a qual ela sempre é colocada em perigo para que o Edward apareça ali do nada e a salve. Não porque eu tenho nenhum problema com o mocinho salvando a mocinha, porque não tenho, não acho que uma personagem feminina tem que fazer tudo e ser toda "pró-ativa" para ser interessante. Mas no caso do Crepúsculo, simplesmente não consegui engolir a forma como isso era feito, e não consegui aceitar o relacionamento ao meu ver obsessivo do casal de protagonistas. E o fato de que vampiros brilham. E o fato de que a Bella é uma Mary Sue chata que fica reclamando "eu não sou bonita, eu não sou interessante", mas que misteriosamente é amada por quase todo mundo.

Só que, eu nunca encarei Crepúsculo (ao menos o primeiro livro) como uma história de amor. Para mim Crepúsculo e muitos dos romances sobrenaturais são... histórias de paixão. De mocinhas comuns ou não tão comuns apaixonando-se por mocinhos lindos/enigmáticos/sombrios/misteriosos (insira seu adjetivo favorito), e por aí vai. Paixão mesmo. Beleza por si só provoca paixão, não provoca amor. Claro que as duas coisas podem estar juntas, mas uma é muito diferente da outra.

Abrindo brevemente uma outra discussão, sabe que o amor não é nem um pouco cego, é a paixão que é. A paixão passa por cima de tudo, a paixão fantasia que uma pessoa é perfeita e maravilhosa, que beleza e sex appeal são eternos, que você morreria sem a pessoa e tudo mais. O amor é diferente. O amor enxerga muito bem, obrigado, e aceita diferenças, defeitos e qualidades com consciência. O amor respeita e é muito bem respeitado. O amor é romance e esforço para fazer as coisas darem certo. O amor é certeza de que vocês estão juntos em sentimento, e te livra do desespero da ausência. Você pode até morrer por amor sim, mas, antes de tudo, você vive por amor. Você vive, você se torna uma pessoa, você é você, porque ninguém que ame de verdade conseguirá suportar que você se torne um apêndice, uma pessoa apagada. A pessoa quer você, ela quer vivenciar a pessoa que ela ama!

Eis então o motivo pelo qual eu acho que muitas dessas histórias são histórias de paixão (e não estou falando que isso é necessariamente ruim). Elas se focam nesse período da paixão e das atitudes extremas, das declarações constantes e febris. Todo mundo passa por isso uma vez ou outra, mas nem todas as grandes histórias de amor da vida real nascem assim. Olha, se eu tivesse dependido de paixão desenfreada para achar meu grande amor, teria me metido em cada enrascada...

Mas enfim. Voltando para o tópico inicial da postagem, o que me deixa um pouco chateada é que muitas vezes as histórias que têm foco no romance acabam ganhando o rótulo de "histórias de menina" ou "histórias de meninas retardadas". Agora, o problema é o seguinte: Jogos Vorazes ou Harry Potter não são superiores a Crepúsculo (na minha humilde opinião) porque têm focos diferentes, apenas. São superiores porque são histórias mais bem elaboradas, bem escritas e interessantes (novamente, na minha opinião). O problema de Crepúsculo, para mim, não está no foco no romance, e sim na forma como o romance é abordado. Orgulho e Preconceito é um livro incrível e está centrado no romance. Por mais que apresente os costumes da época e teça uma crítica à sociedade na qual as personagens vivem, é sim uma história de amor, e que história.

Da mesma forma, uma personagem não vai ser mais interessante, mais forte e mais independente por não ter um relacionamento amoroso como foco. Uma personagem feminina não vai estar passando uma imagem negativa da mulher só por ter como foco um relacionamento, ela vai passar uma imagem negativa dependendo da maneira como lida com esse relacionamento, da maneira como age em relação aos outros, etc. Mesmo porque, um relacionamento saudável não é doença, o que significa que você pode fazer e se interessar por uma porção de outras coisas estando em um. Ou seja, gente: amor de verdade, romance, não é coisa de gente boba e ingênua. Dizem por aí que o amor é para os fortes, e eu concordo, amor não é brincadeira =D.

Abordando outro ponto, eu, por exemplo, gostei muito da personagem Katniss no filme de Jogos Vorazes, mas não porque ela é durona, não pensa em romance e blábláblá. É porque ela é uma personagem coerente e é uma ranger perfeita. Ela é forte sim, mas sem estardalhaços. Abdica da vida por sua irmã sem se fazer de vítima ou ser endeusada a cada momento. Age naturalmente e não é sensualizada. Ela é alguém muito plausível, e não um desses estereótipos andantes que vem surgindo, de mulheres bam-bam-bam que tudo fazem, tudo podem, falam o que dá na telha, e são amadas e desejadas por meio mundo. Isso para mim é tão mau exemplo quanto as mocinhas desequilibradas e obsessivas ao estilo Bella. Porque passam uma imagem difícil de se alcançar, apresentam padrões inacessíveis e que levam ao auto engano. São incoerentes. Ou você acha mesmo que a princesa de John Carter ia conseguir lutar com um bando de guerreiros quase pelada e continuar maquiada, bem-penteada e sem um arranhão?

Enfim. É a coerência ou a falta dela que faz um personagem bom ou ruim. A Arwen não é só uma "princesa passiva" como diz a Claris de As Crônicas de Salicanda. Ela faz sentido dentro de seu mundo, sendo uma princesa élfica com costumes de seu povo. Ela não é uma princesinha boba, ela é uma representação de todo um povo que está esmorecendo e que lida com a imortalidade e com a morte daqueles que não são eternos. Que tem a paciência e o modo de pensar de alguém que já viveu eras e eras, enfrentando sofrimentos e dores inimagináveis (pense como seria diferente a cabeça de alguém que vive por séculos!). O estandarte tecido por Arwen é uma representação desse amor quase mitológico e provido de tintas atemporais que ecoa a história de Beren e Lúthien do Silmarillion (e Penélope de Ulisses). É poético e bonito a seu próprio modo.

E por que é que ela precisa pegar uma espada e sair lutando para mostrar que é alguma coisa? Agora toda personagem feminina vai ser obrigada a fazer isso para não ser considerada submissa? Vamos novamente criar padrões e modelos a serem seguidos? Eu sei que para as meninas que não gostam de romance deve realmente ser incômodo ver as personagens femininas serem sempre relacionadas ao amor, à busca amorosa, mas não é isso que faz delas boas ou más personagens, no meu conceito. Todo mundo tem direito de gostar mais de personagens chuta-bundas do que moças românticas, mas vamos admitir que cada uma tem seu potencial de ser uma boa personagem ou não. Uma personagem chuta-bundas pode ficar tão estereotipada quanto uma personagem romântica e delicada. Você tem todo o direito de gostar mais da Éowyn do que da Arwen, é claro! É mais fácil gostar de uma personagem que participa mais ativamente da história, mas não digamos que ela é bem melhor do que Arwen só porque pega numa espada.

Discordando ou não comigo nesse ponto, todo mundo deve concordar que variedade é uma coisa boa, e que ninguém é igual, nem na vida real e nem na ficção. Um personagem bem construído vai saber mostrar suas nuances, vai estar bem inserido em seu mundo, vai ser coerente com sua proposta. E ninguém precisa ter alergia ao amor nas histórias, mesmo quando ele é o foco. Não é isso que faz um livro bom ou ruim.