quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sobre romance, amor e personagens femininas

Fazia um tempinho que eu estava pensando em um post como esse. Eu gosto de dar meus pitacos e opiniões, mas sempre tenho medo do poder de generalização que um post mal desenvolvido pode ter. No entanto, essa é mesmo uma reflexão parcial e sintam-se a vontade para expor seus pontos de vista.

Eu sempre vejo uma pequena polêmica sobre o romance e o amor nas histórias, assim como sobre o modo como as personagens femininas lidam com esse itens. Um dos exemplos mais claros que tive disso há uns tempos atrás deu-se no advento da estreia de Jogos Vorazes no cinema. O trailer anunciava o filme como o novo Harry Potter/Crepúsculo, e uma das chamadas focava-se no romance entre Katniss e Peeta. Eu achei uma péssima maneira de vender o filme porque as três histórias são completamente diferentes e têm focos completamente diferentes. E Jogos Vorazes de fato não tem como foco o romance, isso fica perceptível até para quem só viu o filme como eu.

De qualquer forma, uma coisa muito interessante foi acompanhar os comentários e reações das pessoas à infeliz chamada. Muitos fãs ficaram revoltados com as comparações (com razão) e muitos disseram que "Jogos Vorazes não foca no romance, foca na crítica social, não é como Crepúsculo, não é livro para menininhas retardadas". Ok. Ok. Calma lá.

Primeira coisa: eu não gosto nem um pouco de Crepúsculo, e quem acompanha o blog sabe disso, embora eu não tenha nada contra quem goste (né, Gisele! Eu sei que você gosta, não fique brava comigo! XD) - eu não gosto por motivos próprios. Não aprecio a Bella como protagonista, não gosto da forma como ela exalta a beleza do Edward a cada cinco frases do primeiro livro (o único que eu li), não gosto da forma forçada com a qual ela sempre é colocada em perigo para que o Edward apareça ali do nada e a salve. Não porque eu tenho nenhum problema com o mocinho salvando a mocinha, porque não tenho, não acho que uma personagem feminina tem que fazer tudo e ser toda "pró-ativa" para ser interessante. Mas no caso do Crepúsculo, simplesmente não consegui engolir a forma como isso era feito, e não consegui aceitar o relacionamento ao meu ver obsessivo do casal de protagonistas. E o fato de que vampiros brilham. E o fato de que a Bella é uma Mary Sue chata que fica reclamando "eu não sou bonita, eu não sou interessante", mas que misteriosamente é amada por quase todo mundo.

Só que, eu nunca encarei Crepúsculo (ao menos o primeiro livro) como uma história de amor. Para mim Crepúsculo e muitos dos romances sobrenaturais são... histórias de paixão. De mocinhas comuns ou não tão comuns apaixonando-se por mocinhos lindos/enigmáticos/sombrios/misteriosos (insira seu adjetivo favorito), e por aí vai. Paixão mesmo. Beleza por si só provoca paixão, não provoca amor. Claro que as duas coisas podem estar juntas, mas uma é muito diferente da outra.

Abrindo brevemente uma outra discussão, sabe que o amor não é nem um pouco cego, é a paixão que é. A paixão passa por cima de tudo, a paixão fantasia que uma pessoa é perfeita e maravilhosa, que beleza e sex appeal são eternos, que você morreria sem a pessoa e tudo mais. O amor é diferente. O amor enxerga muito bem, obrigado, e aceita diferenças, defeitos e qualidades com consciência. O amor respeita e é muito bem respeitado. O amor é romance e esforço para fazer as coisas darem certo. O amor é certeza de que vocês estão juntos em sentimento, e te livra do desespero da ausência. Você pode até morrer por amor sim, mas, antes de tudo, você vive por amor. Você vive, você se torna uma pessoa, você é você, porque ninguém que ame de verdade conseguirá suportar que você se torne um apêndice, uma pessoa apagada. A pessoa quer você, ela quer vivenciar a pessoa que ela ama!

Eis então o motivo pelo qual eu acho que muitas dessas histórias são histórias de paixão (e não estou falando que isso é necessariamente ruim). Elas se focam nesse período da paixão e das atitudes extremas, das declarações constantes e febris. Todo mundo passa por isso uma vez ou outra, mas nem todas as grandes histórias de amor da vida real nascem assim. Olha, se eu tivesse dependido de paixão desenfreada para achar meu grande amor, teria me metido em cada enrascada...

Mas enfim. Voltando para o tópico inicial da postagem, o que me deixa um pouco chateada é que muitas vezes as histórias que têm foco no romance acabam ganhando o rótulo de "histórias de menina" ou "histórias de meninas retardadas". Agora, o problema é o seguinte: Jogos Vorazes ou Harry Potter não são superiores a Crepúsculo (na minha humilde opinião) porque têm focos diferentes, apenas. São superiores porque são histórias mais bem elaboradas, bem escritas e interessantes (novamente, na minha opinião). O problema de Crepúsculo, para mim, não está no foco no romance, e sim na forma como o romance é abordado. Orgulho e Preconceito é um livro incrível e está centrado no romance. Por mais que apresente os costumes da época e teça uma crítica à sociedade na qual as personagens vivem, é sim uma história de amor, e que história.

Da mesma forma, uma personagem não vai ser mais interessante, mais forte e mais independente por não ter um relacionamento amoroso como foco. Uma personagem feminina não vai estar passando uma imagem negativa da mulher só por ter como foco um relacionamento, ela vai passar uma imagem negativa dependendo da maneira como lida com esse relacionamento, da maneira como age em relação aos outros, etc. Mesmo porque, um relacionamento saudável não é doença, o que significa que você pode fazer e se interessar por uma porção de outras coisas estando em um. Ou seja, gente: amor de verdade, romance, não é coisa de gente boba e ingênua. Dizem por aí que o amor é para os fortes, e eu concordo, amor não é brincadeira =D.

Abordando outro ponto, eu, por exemplo, gostei muito da personagem Katniss no filme de Jogos Vorazes, mas não porque ela é durona, não pensa em romance e blábláblá. É porque ela é uma personagem coerente e é uma ranger perfeita. Ela é forte sim, mas sem estardalhaços. Abdica da vida por sua irmã sem se fazer de vítima ou ser endeusada a cada momento. Age naturalmente e não é sensualizada. Ela é alguém muito plausível, e não um desses estereótipos andantes que vem surgindo, de mulheres bam-bam-bam que tudo fazem, tudo podem, falam o que dá na telha, e são amadas e desejadas por meio mundo. Isso para mim é tão mau exemplo quanto as mocinhas desequilibradas e obsessivas ao estilo Bella. Porque passam uma imagem difícil de se alcançar, apresentam padrões inacessíveis e que levam ao auto engano. São incoerentes. Ou você acha mesmo que a princesa de John Carter ia conseguir lutar com um bando de guerreiros quase pelada e continuar maquiada, bem-penteada e sem um arranhão?

Enfim. É a coerência ou a falta dela que faz um personagem bom ou ruim. A Arwen não é só uma "princesa passiva" como diz a Claris de As Crônicas de Salicanda. Ela faz sentido dentro de seu mundo, sendo uma princesa élfica com costumes de seu povo. Ela não é uma princesinha boba, ela é uma representação de todo um povo que está esmorecendo e que lida com a imortalidade e com a morte daqueles que não são eternos. Que tem a paciência e o modo de pensar de alguém que já viveu eras e eras, enfrentando sofrimentos e dores inimagináveis (pense como seria diferente a cabeça de alguém que vive por séculos!). O estandarte tecido por Arwen é uma representação desse amor quase mitológico e provido de tintas atemporais que ecoa a história de Beren e Lúthien do Silmarillion (e Penélope de Ulisses). É poético e bonito a seu próprio modo.

E por que é que ela precisa pegar uma espada e sair lutando para mostrar que é alguma coisa? Agora toda personagem feminina vai ser obrigada a fazer isso para não ser considerada submissa? Vamos novamente criar padrões e modelos a serem seguidos? Eu sei que para as meninas que não gostam de romance deve realmente ser incômodo ver as personagens femininas serem sempre relacionadas ao amor, à busca amorosa, mas não é isso que faz delas boas ou más personagens, no meu conceito. Todo mundo tem direito de gostar mais de personagens chuta-bundas do que moças românticas, mas vamos admitir que cada uma tem seu potencial de ser uma boa personagem ou não. Uma personagem chuta-bundas pode ficar tão estereotipada quanto uma personagem romântica e delicada. Você tem todo o direito de gostar mais da Éowyn do que da Arwen, é claro! É mais fácil gostar de uma personagem que participa mais ativamente da história, mas não digamos que ela é bem melhor do que Arwen só porque pega numa espada.

Discordando ou não comigo nesse ponto, todo mundo deve concordar que variedade é uma coisa boa, e que ninguém é igual, nem na vida real e nem na ficção. Um personagem bem construído vai saber mostrar suas nuances, vai estar bem inserido em seu mundo, vai ser coerente com sua proposta. E ninguém precisa ter alergia ao amor nas histórias, mesmo quando ele é o foco. Não é isso que faz um livro bom ou ruim.

22 comentários:

  1. Concordo plenamente com tudo o que dissestes.

    Especialmente quando disse que há histórias de paixão e histórias de amor; Crepúsculo é uma história de paixão, Orgulho e Preconceito é uma história de amor. Atualmente, como infelizmente temos o hábito de celebrar a ignorância e a futilidade, as duas coisas acabam sendo muito confundidas, apesar de serem completamente diferentes.

    O mesmo ocorre com a criação de esteriótipos de personagens femininas; para uma mulher ser considerada forte, ela precisa ser o centro das atenções, ter o corpo perfeito, falar o que "pensa", ter vários homens babando sobre chão onde ela pisa, etc. A princesa do filme John Carter ou a personagem Elizabeth de Piratas do Caribe são exemplos perfeitos de como este esteriótipo cria um construto irreal e até mesmo patético. Novamente, celebra-se a futilidade.

    Considero personagens como Arwen, Lutien e outras semelhantes muito mais fortes do que as "guerreiras" que mencionei acima, pois estas duas personagens de Tolkien possuem um caráter e senso de propósito muito bem desenvolvidos, mesmo não recebendo tanta evidência em suas histórias. É obvio que podemos ter guerreiras plausíveis e interessantes; basta observar personagens como Eowyn e Katniss, que lutam por um motivo maior, e não apenas para aparecer.

    E uma história não é necessariamente boa ou ruim por causa do foco que tem, mas por causa da maneira como ela é construída e desenvolvida.

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  2. Amanda Silversong2 de maio de 2012 10:35

    Nossa, isso é o que eu mais gosto no seu blog, Li! Você sempre fala de coisas importantes que nós, "meninas nerds e submissas" queremos falar mas que quase ninguém ouve.

    Eu fico puta quando dizem que o Crepúsculo é uma história de amor (Grrrrr!!!!) Desde quando uma adolescente retardada correndo atrás de uma cara só porque ele "é lindo" enquanto todos a amam/ veneram/ tentam estuprá-la/... é uma história de amor? Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade, estas sim são VERDADEIRAS histórias de amor.

    E graças a deus que mais alguém percebeu que aquela princesa do John Carter é ridícula! Quando a Marcela e eu saimos do cinema rindo dizendo que aquela era a clássica personagem feita para os moleques "se aliviarem" quando chegassem em casa, nós quase apanhamos de um casal de lésbicas! E o pior era os moleques falando "tsk, é pura inveja"

    GRRRRRRRRR! AMANDA SMASH PUNY RETARDED HUMANS!!!

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    1. Isso aqui é minha terapia, Amanda! Eu sempre externo aqui exatamente as coisas que quero falar mas quase ninguém ouve!

      Sim, eu também acho que Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade são lindos! (Aliás, a história da Marianne exemplifica bem essa diferença entre paixão e amor: primeiro o sentimento tresloucado que ela tem pelo Willoughby e depois o amor verdadeiro que ela vai construindo pelo Coronel Brandon. Tão lindo!). E o pior é que a sua definição do Crepúsculo é basicamente o mote de toda a história do primeiro livro. #morrebella

      Eu também não gostei nem um pouco da princesa Deja, Deejah, sei lá. Isso tem acontecido, aliás, em quase toda a história que eu leio ou filme que eu assisto ultimamente: antipatia pela personagem feminina. Exatamente por causa da incoerência que eu citei.

      Modo revolta ON* (não leve para o lado pessoal possível visitante que goste da Deejah): Nossa, que irritante era aquela mulher com metade do corpo a mostra, dando porrada em todo mundo, fazendo piadinha de "quer que eu te proteja" pro John Carter (ALGUÉM ainda acha graça nessa piada mais batida do que martelinho de carne? Ou nessas personagens que só mudam a profundidade do decote, mas que tem basicamente a mesma personalidade e as mesmas falas?). Depois começa o romancinho tosco, que basicamente se trata de tensão sexual ressaltada por mais piadinhas tontas, e pronto, isso é "amor" que vai sustentar um casamento. Aham. Senta lá, Cláudia. Nos dois últimos filmes de aventura da Disney - Príncipe da Pérsia e John Carter - a mocinha era basicamente a mesma coisa: princesa revoltadinha que fala o que "pensa", luta, tem personalidade e esses blábláblás enlatados, tem uma relação de amor e ódio engraçadinha ZZzzzzzZZZ com o personagem masculino e que no final precisa se sacrificar/casar com outro/os dois para salvar seu reino, ooooh, pobrezinha, salvem a pobre garota decotada ZZZzzzzZZZ. *Mode revolta off.

      E depois quando eu reclamo eu também quase apanho ou tenho que ouvir que eu estou com inveja *_*. LIEGE SMASH!!!!

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  3. Concordo mto com mto do q foi dito. De fato, personagens interessantes tem q ser coerentes e ter um propósito. Quanto ao q foi dito sobre amor saudável/submissão, concordo plenamente, no amor vc vive, é vc mesmo, "porque ninguém que ame de verdade conseguirá suportar que você se torne um apêndice, uma pessoa apagada. A pessoa quer você, ela quer vivenciar a pessoa que ela ama!" Mto bem colocado! Adorei o post!

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    1. É isso mesmo, Bruna! Os personagens ficam legais de muitos jeitos, contanto que tenha coerência. Eu só reclamo desses estereótipos que são passados como "modelos ideias" e que estão longe da realidade e descontextualizados.

      No amor a gente vive, e está num constante equilíbrio! Se anular totalmente ou não querer mudar nada e não ceder é muito complicado! Eu também levo isso muito a sério. A gente tem que saber que quando as pessoas te amam, vão amar você. Não vão querer um autômato, mas também não vão conseguir conviver com alguém que é totalmente inflexível. Pessoas verdadeiras e que sabem ser sinceras e conversar sem impor opiniões e conceitos, sem aquela agressividade causada pela insegurança, são mais interessantes. Elas se mostram mais, e por consequência cativam mais também.

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  4. XD A Bella é uma retardada. Nunca gostei dessa personagem. Li todos os livros da saga Crepúsculo pra poder chegar no final. Eu não resisto XD. Fora que, embora a autora tenha criado outra teoria sobre o pq dos vampiros não saírem na luz, o que achei interessante pelo fato da criação (sabe... de vc ir lá e mexer nas coisas, tentar deixar um pouco do seu jeito) ainda prefiro os vampiros que torram no sol XD Ainda mais os vários tipos de vampiros lá do Vampiro: A Máscara.

    Mas enfim... esse não é o foco XD

    O foco é que há "meninas dos livros" e "meninas dos livros", as poderosas com uma arma na mão e as poderosas só fazendo um xauzinho com a mão. A gente vai ter que conviver com essas coisas XD Tantos criadores, tantos leitores, tantos telespectadores...

    Liége, a Lena Amberblade é um exemplo, eu acho. Teve gente que falou pra mim, depois de ler o livro, que ela é uma vadia... Outros acharam ela fófi. Eu já tava com o Amberblades 2 escrito e fiquei com a mão na cabeça. "Putz... E agora? O que será que vão achar da Brynhild?"

    Bom, nem sei se consegui colocar uma opinião aqui no comentário. Tô meio ruim pra escrever hoje XD

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    1. Ô loco, coitada da Lena! Ela não é vadia não! Eu acho que você representou super bem os conflitos dela, Gisele. Ela sente uma atração pelo Yiamarin por ter idealizado ele por toda a sua vida. Já o Joh ela conhece, ela gosta dele por quem ele é. Ele não é o idealizado, ele é o real que ela soube amar. Gosto muito desse contraste. Eu ficava fula quando ela balançava com o Yiamarin porque eu gostava mesmo do Joh XD, mas a gente não precisa querer que um personagem aja como a gente agiria para entendê-lo. Para mim a Lena é muito coerente. Ela é uma garota que viveu protegida por toda a vida, não podemos exigir que ela tenha 100% de maturidade ao lidar com seus sentimentos. Daí a decisão que ela tomou depois, bem, ela teve motivos para fazê-lo e tentou ser feliz como pôde.

      E a Brynhild sempre soube de quem gostava! E deixou isso claro para que ninguém seguisse se machucando. Isso foi muito legal.

      Como você disse, há meninas de livros e meninas de livros, Gisele, e eu acho ótimo que haja essa variedade. A única coisa que acho ruim é que o pessoal às vezes pasteuriza, sabe... da mesma forma que o povo de vez em quando enfia um romance nada a ver em uma história só para ter romance, por vezes tenho a impressão de que enfia-se uma personagem gostosa com uma espada na mão berrando para exércitos (esse é só um exemplo) só para poder dizer "oh, minha personagem não é uma garotinha boba submissa, ela é forte e destemida. Estou na moda". E daí não adianta nada também, as personagens vão continuar desfilando um estereótipo ao invés de realmente serem importantes para a história e terem motivações e objetivos claros e coerentes. E eu adoro clichês e não acho que todo personagem deva ser super-original, mas bem embasado, sim!

      Tá, e só para deixar claro que quando estou falando assim não considero que eu tenha sido capaz de criar personagens femininas super legais. Eu nem me considero nesse caso, porque, digamos, não cheguei ainda nesse nível. Mas confesso que tentei criar algo que achasse plausível e bacana para mim.

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    2. Eu concordo com o lance de esteriótipos que o povo usa só pra seguir a moda... Só tô meio com dificuldade em argumentar o pq de concordar... Hehehe.

      A cada época parece que o povo quer fazer a gente acreditar que aquele jeitão de ser do personagem é o legal, mas se esquecem de que existem pessoas que pensam sobre isso.

      Enfim... Melhor eu não me prolongar. No comentário anterior eu já achei que não fui muito feliz, então melhor parar XD

      Tô fechando as notas dos alunos. A cabeça tá longe hehehe.

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    3. Concordo com você Gisele! Ei, você foi feliz sim! Seu comentário tava ótimo. Eu é que tô tagarelando demais XD

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  5. Curiosíssima sobre o que você vai pensar da Anna de Bryke.

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    1. Ana, eu li pouco (estou na página 40 e querendo jogar minha dissertação no esquecimento para ler mais) mas estou por enquanto adorando a Anna! De verdade!

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  6. Nossa, que post fantástico. Tô aqui sem palavras depois dele, porque tudo o que eu penso está aí dentro. Além disso, é um dicionário para qualquer autor esse seu post: dá a ideia exata do que devemos fazer em nossas personagens. Maravilhoso.
    Passando pelos exemplos que você disse, teve gente que reclamou porque a Hermione casou com o Ron, teve filhos etc. Teve gente dizendo que ela foi rebaixada! Vê se pode! Como assim ela pode escolher ter um amor, um vida familiar? Ela tinha que ficar chutando bruxos das trevas, fazendo planos e lendo livros-textos (bem, isso ela continuou fazendo, tenho certeza rs) pra ser considerada forte e uma boa personagem? Ela tem o direito de ter a felicidade dela do jeito que a convir, não? (E lembrando que ela continuou trabalhando, estudando, como ela sempre fez, mas também tinha a sua relação com o Ron, que era quem ela amava - como você disse, e concordo plenamente, amor não é brincadeira!)
    Mas isso vai além da ficção - passa para a sociedade e um machismo que está sempre lá, latente, machismo que vem de homens e mulheres. É uma discussão muito ampla.
    Post perfeito!

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    1. Sério que teve gente que não gostou que a Mione casou com o Ron?? Dessa eu não sabia, só pode ser coisa de poser, porque eu mesma torci por eles dois desde o início, principalmente depois do segundo filme/livro... Eita povo ¬¬

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    2. Oi Karen, seja sempre bem-vinda! Nossa, estou até envergonhada com os seus elogios, mas fico feliz que tenha gostado do post. Isso era algo sobre o qual eu estava pensando há um bom tempo, e tentei me expressar de melhor maneira possível.

      E agora sou eu que digo: concordo com tudo o que você falou! Esse exemplo da Hermione só reforça ainda mais as impressões que venho tendo. Como assim, ela se rebaixou? Então pessoas casadas restringem sua inteligência e não tem seus próprios interesses? A Hermione não tem o direito de ficar junto com a pessoa de quem ela sempre gostou? Puxa vida... Mas essa discussão realmente vai além da ficção. É uma discussão ampla mesmo, que envolve as velhas visões do papel do homem e da mulher, do casamento... é complicado. Só que o exagero não pode descambar para o outro lado, ou senão estaremos incorrendo novamente no mesmo erro: o das visões estereotipadas e do preconceito (como assim a Hermione não podia casar??? Estou pasma até agora!!).

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    3. Ah, ela podia casar, sim Liege. Mas a oposição achava q ela tinha que casar era com o Harry. Porque, vc sabe, a mocinha inteligente que ajuda o mocinho só pode ficar com o mocinho, não com o melhor amigo dele e por quem ela já sentia uma paixonite.
      ...
      Só isso eu já acho esteriótipo. Adorei o fato de eles terem se casado. A autora explicou que um completa o outro, e eu concordo com ela em gênero, número e grau. \o/

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    4. COMO ASSIM??? EU ADORO A HERMIONE COM O RONY!!! Uma das coisas que eu mais gostei foi o fato de a Rowling ter mantido os dois juntos, achava uma graça o casal, afff!! Realmente, os dois se completam, e pronto! Fim de caso!

      O pessoal quer colocar tudo numa fórmula pronta, né? Eita!

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  7. Oi! Adorei seu texto, e concordo com tudo! Veja bem, eu não gosto de Crepúsculo, pelos mesmos motivos que você. Eu tenho uma tendência a gostar mais de heroínas fortes e independentes. Porém eu acho que isso depende muito do contexto do livro (e no caso da vida real, da situação da pessoa), por exemplo, Elizabeth (minha protagonista favorita EVER!) é uma moça rebelde para os padrões da sua época, mas ela não vive numa sociedade em que precisa lutar para defender sua nação ou seu povo, mas ela luta para manter sua integridade, mesmo sendo pobre, e não podendo ser dar a esse luxo, mesmo ela sendo injusta com o Mr. Darcy no início, ela teve seus motivos. Mas depois, quando ela o conhece melhor, ela descobre o quanto estava errada, e em nenhum momento ela se sentiu atraída por qualquer coisa que fosse a não ser o próprio Mr. Darcy, por isso para mim Orgulho e Preconceito é tão belo. No caso de Jogos Vorazes, por exemplo, Katniss me irrita algumas vezes pelas suas ações, porém é um contexto totalmente diferente imagine viver numa sociedade opressora como a de Panem? E passar por tudo que ela passou? É perfeitamente entendível que Katniss tenha uma personalidade mais 'fechada', mas ainda assim pra quem leu os livros descobre que ela também é doce às vezes, o que é muito bom. Outro exemplo é a Bliss de Derby Girl, que é durona e rebelde, mas mesmo assim ela se apaixona, e quando descobre que foi traída passa por qualquer coisa que uma menina de 16 anos no lugar dela passaria. Ou a Penny de Lonely Hearts Club, que depois de tanto ser magoada por garotos, decide que não vai mais namorar, mas mesmo assim acaba descobrindo que nem tudo é do jeito que ela pensa. Enfim, para mim o que importa é que essas personagens que citei erram, aprendem com seus erros, descobrem que as outras pessoas também erram, que é preciso perdoar, e o mais importante crescem com isso tudo, pra mim são essas que são um bom exemplo.

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    1. Oi Rafaela! Seja sempre bem-vinda também (oba, novos visitantes!!). Eu concordo com você. Veja bem, eu não conheço todas as protagonistas que você citou, mas isso que você falou é muito importante: todas elas têm seus defeitos e suas qualidade, suas motivações explicadas... eu não sou avessa às personagens mais fortes e independentes, e nem mesmo às mais frágeis e delicadas. Como você disse, vai tudo depender do contexto e o preferível é que não haja exagero para nenhum dos lados.

      Na verdade, em livros é muito mais difícil de encontrar esse tipo de personagem mais estereotipada, eu vejo isso mais em filmes do que em qualquer coisa, pois na tela grande é mais fácil deixar as personagens superficiais. Fora que o apelo visual é muito maior, então eles vão lá, botam uma bonitona semi-nua e pronto. A estereotipação fica bem mais latente.

      E eu também AMO a Elizabeth. Creio que seja uma das minhas protagonistas favoritas, se não for A favorita. Ela tem uma personalidade muito plausível e adoro os diálogos dela com o Mr. Darcy. Também adoro a forma como ela tem e luta por suas convicções de uma forma muito natural e nada petulante.

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    2. OPA! Conheci o blog totalmente por acaso, algum outro blog divulgou seu texto no facebook, nem sei mais qual foi shuhus. Já dei uma 'passeada' por aqui e estou adorando, é sempre bom conhecer novos blogs, principalmente quando são bons.

      Verdade, é bem mais comum ver isso nos filmes, mas acho que isso começou a acontecer mais nos últimos 10 anos (tanto nos livros quanto nos filmes) tipo, pelo menos nas comédias românticas que eu costumo assistir dos anos 90, as protagonistas eram bem mais reais, do que as de hoje em dia. E nos livros está cada vez mais comum nos depararmos com personagens mal-elaboradas, alguns exemplos, são a Bella, a Lucy de Fallen (argh) e aquela de Beijada por um anjo, que não li, mas pelo que sei é bem idiota também. Acho que isso está acontecendo porque alguns escritores só estão se preocupando em ser publicados, sem parar para pensar se aquilo que estão escrevendo faz sentido, e mesmo que seja para não fazer sentido, se seus personagens 'fazem sentido'. Isso também serve para os roteiristas de filmes, mas acho que nesse caso, é porque de Hollywood está se empenhando mais em apenas ganhar dinheiro e se esqueceram de criar bons personagens para os seus filmes. Esse é um assunto que rende, e eu prevejo um texto no meu blog também (risos).

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    3. Tem razão Rafaela. Eu não li Fallen e nem Beijada por um Anjo, mas já vi muitas pessoas reclamando mesmo. O pessoal não anda mesmo muito cuidadoso com os personagens e isso é uma pena.

      Esse seu post daria uma ótima discussão! Já estou seguindo seu blog e também adorei! Obrigada mesmo pelas visitas e comentários! Abraços!

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  8. Liége, parabéns pelo post!
    Eu também não cosnegui ler Crepúsculo pelos mesmos motivos que vc postou. rsrs Não consigo!
    Recentemente eu li um livro (A Maldição do tigre) em que a protagonista também coloca vários defeitos em si mesma como obstáculo para ficar com o mocinho e logo nesse livro já vemos uma pitada de triângulo amoroso. Isso me deixou um pouco irritada pq já vi essa fórmula em outros livros e cansou bastante... mas no final consegui gostar da leitura pela aventura que tinha nele. rsrs Se tirasse o fator romance meloso, teria sido muito melhor!
    (Ah, a autora fez o livro em um "hiatus entre Eclipse e Amanhecer". Sim, ela é fã da saga Crepúsculo... Imagine meu medo ao ler o livro).

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    1. Oi Lucy, seja bem-vinda! Pois é, Crepúsculo não me convenceu mesmo. E tenho a impressão de que o pessoal está repetindo mesmo a fórmula, sempre tem um triângulo amoroso, uma mocinha parecida... eu particularmente nunca gostei muito de triângulos amorosos, então não entendo muito bem esse fascínio, mas hoje em dia realmente é bem comum. Eu vi A Maldição do Tigre e fiquei ligeiramente interessada pela história em si, com elementos da Índia, aventura... mas fugi dele exatamente por esses pontos que você comentou. Compreendo que é questão de estilo e tal, mas isso tem me deixado muito desinteressado por vários livros.

      (Sim, MEDO. Muito medo!!)

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