sábado, 14 de julho de 2012

Para quem gosta de escrever - Sussurros do coração (Whisper of the heart)

Saudações, queridos leitores! Hoje quero inaugurar aqui uma série de postagens (tá bom, até agora só tenho ideias para duas, mas mesmo assim...) chamada "para quem gosta de escrever". E sobre o que ela é? Oras, sobre coisas que são legais para quem gosta de escrever - sejam livros, filmes, músicas, e o que mais possa ser inspirador. Na verdade, as duas primeiras postagens serão sobre obras que acredito que falam diretamente a quem gosta de escrever, criar, inventar, imaginar, e etc.

Acredito que todo mundo conheça o Hayao Miyazaki por uma de suas películas mais famosas - A Viagem de Chihiro, ou mesmo pelas animações Princesa Mononoke ou O Castelo Animado, que na verdade é uma adaptação de um livro que eu queria muito ler porque amo o desenho. Bem, ele é um dos mais respeitados criadores de animação japonesa, pelo que me disse a Wikipedia (e eu acredito) e já fez muita coisa com seu Estúdio Ghibli.

Recentemente, graças à Angela, eu fiquei conhecendo mais uma dessas animações: Whisper of the Heart (Mimi wo sumaseba), ou Sussurros do Coração, em português. Basicamente, Sussurros do Coração conta a história de Shizuku, uma estudante que vive uma vida simples com sua família em um apartamentozinho em Tóquio e que adora, mas adora mesmo, livros e histórias. Ela vive de pegar livros na biblioteca  (bookworm total!) e começa a notar que todos os livros que ela pega foram emprestados anteriormente sempre pela mesma pessoa - um tal de Seiji Amasawa. Shizuku fica intrigada com isso e quer porque quer descobrir quem é essa pessoa. Enquanto ela investiga quem é o tal de Seiji, ela acaba sempre topando com um garoto da idade dela que a irrita muito. Como vocês já devem desconfiar, ela descobre depois de algum tempo que o garoto irritante é, na verdade, o Seiji.

O Barão
Os dois acabam desenvolvendo uma amizade muito bonita, e Shizuku descobre que Seiji sabe fabricar violinos (!) e os toca maravilhosamente bem. Ele tem um objetivo na vida - se tornar um mestre em fabricação de violinos - e ela acaba percebendo que ela não tem nenhum. Seiji, depois de alguns dias, parte para a Itália para aprender mais sobre o ofício que deseja para si mesmo e retornará apenas depois de dois meses. Nesse período, Shizuku desafia a si mesma a tentar fazer o seu melhor, como Seiji, e se propõe a escrever um livro. O personagem principal é o Barão, uma estatueta de gato que existe na loja de antiguidades do avô de Seiji, um lugar praticamente mágico.

Bem, o filme acaba com Shizuku e Seiji definindo seus caminhos enquanto assistem ao nascer do sol e com uma promessa de amor eterno ♥. Posso dizer uma coisa? Japoneses sabem fazer romances juvenis!

O mais interessante dessa animação, no entanto, é ver o processo que Shizuku passa enquanto escreve sua primeira obra. Ela ama escrever e imaginar - isso fica bem claro - e fica praticamente obcecada em fazer aquilo da melhor maneira possível. Escreve com paixão, se aborrece, tenta fazer o seu melhor e mesmo assim  não há  o que possa amainar sua insegurança. A cena em que ela entrega seu livro terminado para o avô de Seiji - seu primeiro leitor - e se sente extremamente ansiosa, chegando a passar a noite ali, esperando por um veredito, é de tocar qualquer pessoa que esteja esperando uma avaliação daquilo que se fez com tanto carinho. Quando o avô de Seiji finalmente aparece para dizer o que achou, Shizuku mal o deixa falar - começa a chorar e diz "eu sei que não está bom, não está!". Nessa cena confesso que chorei junto com Shizuku, porque já me senti exatamente como ela. E a resposta de seu primeiro leitor é aquela que eu também já ouvi - seu livro e a história tem potencial. Mas você pode melhorar. Ele a consola com macarrões e declara que Seiji precisou de muito mais macarrão depois de ter feito seu primeiro violino. Shizuku chora mas já sabia no fundo que o caminho para se conseguir algo que se deseja muito nunca é fácil - e descobre então outra coisa: é assim para todo mundo. Seiji e ela se comprometem a trilhar cada um o seu destino para entregar um ao outro o que tem a oferecer de melhor. Ela a escrita, ele os violinos.

Enfim, eis aí porque recomendo essa animação para todos os que gostam de escrever, desenhar, colorir, cantar, tocar, imaginar, criar, e etc. Salvo raras exceções, nossas primeiras obras nunca são espetaculares, mas são deveras especiais. E todos nós nos sentimos ansiosos, frustrados, receosos, todos buscamos sim aprovação, de um jeito ou de outro, e todos queremos realizar nossos sonhos. Mas praticamente todos temos dificuldades e precisamos trilhar um longo caminho para isso...

Além de todos esses detalhes, a Shizuku ainda começa a animação tentando fazer uma letra diferente para Take me Home, Country Roads. Eu não me lembrava dessa música que ouvi quando pequena, e as lágrimas já começaram aí (eu já tinha falado que gosto de muitos tipos de música, não? Eis a prova). E deixo vocês com o dueto que Shizuku faz com Seiji dessa melodia tão nostalgica... porque todos nós queremos ser levados ao lugar onde pertencemos, fazendo o que amamos.



I dreamed of living
Alone but fearless
Secret longing
To be courageous
Loneliness kept
Bottled up inside
Just reveal your brave face
They’ll never know you lied

Country road
May lead me home
Know I belong there
All on my own
Destiny calls
Motionless, I stall
Know I can’t go
Country Road

No matter how dark
The world’s inside me
I’ll never stop to show a tear
That I’ve shed
But now I have to walk so fast
Running sprinting to forget
What is lodged in my head

Country Road
La la la la
You’re a good friend
I’ll never know
Same tomorrow
Regret and sorrow
Can’t take you home
Country Road

6 comentários:

  1. Uma belíssima canção, com uma mensagem ainda mais bela.

    Todos devemos diariamente tentar ir para onde pertencemos, fazendo aquilo que amamos. às vezes não é fácil, mas certamente vale o esforço.

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    1. Com certeza, querido Odin ♥. E o que faz mais valer a pena trilhar esse caminho é ter você ao meu lado.

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  2. Poxa, que coisa mais linda! Com certeza vou procurar esse filme! E adorei a ideia da coluna!

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    1. É um filme muito bonito e delicado, Melissa. Ele tem um ritmo diferente, é mais lento, como se fosse desenrolado de forma calma, atentando nos detalhes. É diferente do que a gente está acostumado por aqui, mas é uma graça. Eu me identifiquei bastante, porque o Miyazaki captou bem demais a ansiedade e a expectativa da Shizuku, e acho que todo mundo que escreve ou produz alguma coisa passível de avaliação passa por isso. É uma história suave e muito bonita, eu recomendo!

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  3. Respostas
    1. Obrigada, Bruno! Seja sempre bem-vindo!! :)

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