quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

E o Hobbit, como foi? - parte II

Saudações, leitores! Estou aqui para continuar meu blá-blá-blá sobre a adaptação cinematográfica de O Hobbit. Para quem não leu, eu já falei um pouco sobre minhas expectativas em relação ao filme AQUI

Agora chegou a hora de realmente comentar sobre o filme em si. Como já disse no post de ontem, eu gostei dele. Não, eu não saí empolgada do cinema como quando assisti os três filmes de O Senhor dos Anéis, mas devo também lembrar que minha idade e minha vida já estão bastante diferentes. Refletindo, confesso que anda bastante difícil me empolgar com alguma coisa no campo do cinema, e se eu for analisar por esse ponto, O Hobbit foi um dos filmes que mais me empolgou nesse ano (claro que considero a carga emocional que se abateu sobre mim ao reencontrar Gandalf, Bilbo, Frodo, Elrond e companhia, rever locações e ouvir acordes da trilha sonora da trilogia original. Não tinha como não empolgar ao menos um pouco).

Então, vamos primeiro aos pontos positivos. O filme é fiel. Sim, segue bem a cronologia de O Hobbit. Tem alterações significativas, como o orc Azog, que na verdade já havia empacotado nessa altura do campeonato, graças ao machado do anão Dáin, mas felizmente isso não me incomodou. Fica aqui um aviso: não vá assistir esperando um O Senhor dos Anéis. O Hobbit é muito mais despretensioso, por mais que Peter Jackson tenha se esforçado para dar um tom mais épico ao filme. E isso funcionou até certo ponto (já explico). 

Os anões não fazem tanta piada quanto eu achei que fariam. Temos apenas uma piada de arroto e um anão gordinho quebrando uma cadeira e pegando comida na boca como um cachorro, mas a coisa fica nisso. Quando Balin começa a falar sobre a guerra dos anões contra os orcs ou quando Thorin levanta botando ordem na casa, a coisa toda já fica mais séria. Aliás, eu achei linda a cena em que os anões cantam "Far Over the Misty Mountains Cold" na casa do Bilbo. Porque até ali eles estavam fazendo a maior bagunça e acabando com a comida do hobbit, como se fossem um povo festeiro e despreocupado. Quando a voz grave de Thorin surge cantando, conseguimos perceber a tristeza e a saudade de casa no rosto de cada um deles, que o acompanham em coro. Achei uma cena sensível e que retratou bem a essência não só dos anões, mas da Terra-Média como um todo - praticamente todos os povos de Arda têm uma história de exílio e de saudade de um tempo de paz e de fartura em terras melhores. Como eu, por algum motivo, me identifico com essa saudade, lá estava uma pessoa emocionada no cinema.  

Presencie a cena: 

ESTOU CHORANDO NO MOMENTO

Bem, além disso, temos alguns momentos realmente muito divertidos, graças também ao humor mais acentuado do próprio livro O Hobbit. Gandalf está novamente sensacional, e é impossível não elogiar muito a interpretação de Ian Mckellen. Ele ajudou a compor um Gandalf perfeito e segue sendo um dos meus personagens favoritos de todas as adaptações. Alguns de seus diálogos com Bilbo são bastante fieis aos diálogos do livro, e são uma delícia de ver. Aliás, Martin Freeman também fez muito bonito interpretando Bilbo, e o mesmo digo de Richard Armitage com seu Thorin, pois embora a película insista em colocá-lo como galã, acho que ele realmente buscou interpretar um anão e um líder coerente com sua situação. 

Já viram como meu comentário está grande e arrastado, com vários pontos que eu poderia facilmente cortar (sim, sou prolixa)? Pois é, aqui temos uma coincidência da minha crítica com O Hobbit. O filme é arrastado. Muito. Acredito que só quem é fã da Terra-Média vai se interessar por várias informações que foram jogadas ali. Fui assistir com amigos que não ligam tanto para o universo de Tolkien, e no meio de algumas dessas cenas, só conseguia pensar: nossa, esse momento deve estar sendo bastante tedioso para eles. Aliás, não recomendo esse filme para quem não for bastante fã de fantasia medieval e de uma história mais inocente e despretensiosa. Teve um amigo meu que saiu esconjurando o fato de que vários orcs caíram em cima dos anões e dos hobbits e ninguém morreu. Não houve baixas, não houve sangue... é, O Hobbit é assim mesmo. O livro é esse e não dá para esperar que uma história para crianças vá ser muito realista ou violenta nesse sentido, então sejamos coerentes.  

MAS, que uma coisa fique clara: as batalhas realmente foram um grande ponto negativo. Elas seguem sempre a mesma estrutura e são fracas e infantis em um sentido ruim. Se PJ fez tantas alterações para tornar o filme um pouco mais épico, poderia ter mudado uma coisa ou outra aqui. Batalhas bacanas não precisam sempre ter uma grande carga de violência e sangue (e sinceramente? Alguns momentos assustadores não tornam o filme lá muito apropriado para crianças mesmo...). Bastava que em alguns momentos os anões realmente entrassem em ação e cortassem algumas cabeças de orcs. Em um momento, por exemplo, estão os 13 anões armados, Bilbo e Gandalf cercados por alguns orcs e wargs, e eles simplesmente correm e fogem para um buraco. Nisso, uma pequena cavalaria élfica (PJ e seu puxa-saquismo com os elfos...) passa com seus arcos, e mata TODOS eles! Você acha mesmo que os anões e Gandalf não teriam dado conta sozinhos disso? Não iria alterar em nada a história colocar os anões entrando em ação em alguns momentos, e teria ficado mais coerente com o clima do filme. Pois ele ressalta o tempo todo o quanto Thorin é um exímio e corajoso guerreiro, e esse mesmo exímio guerreiro simplesmente foge o tempo todo. Compreensível se pensarmos que Tolkien aprofundou a história de Thorin e de toda a Terra-Média depois de O Hobbit, mas já que o filme se propõe a embarcar nessa Terra-Média completa, botem o cara para lutar, carambolas!!

Em tempo, ele acaba lutando ao final. Mas o confronto fica um pouco artificial, pois o sanguinário Azog geralmente demora para pedir que seus wargs despedacem seus inimigos. Aí reside em pouco da incoerência: Peter Jackson introduz alguns personagens como seres que matam e guerreiam a todo o vapor (seja por motivos nobres ou torpes), e de repente coloca todo esse pessoal no ritmo de O Hobbit, querendo que ninguém mate ou seja morto. Incomoda um pouco mesmo, principalmente para quem nunca leu o livro.

Já ultrapassei a cota aceitável, então deixarei o restinho do comentário para uma parte III. É isso aí, especial O Hobbit aqui no blog! Olha o que as férias não fazem... 

Abraços, e se alguém tiver paciência de ler isso aqui, continuem vindo para cá! Vou tagarelar mais, porque é  impossível para mim falar pouco sobre algo que gosto muito... 

10 comentários:

  1. Hahahaha, estou vendo que alguém se empolgou bastante com o filme!
    Apesar de ainda não ter assistido O Hobbit, imagino que seja melhor do que todos os outros filmes que passaram neste ano, pelo menos foi o mais esperado...
    Não é de hoje que ando desanimada com o cinema, tanto que prefiro ver películas antigas do que pegar um filme atual. Criaram um certo padrão para os filmes e praticamente não se vê muita diferença entre eles. Sempre as mesmas piadas e frases clichês por todos os lados, excesso de efeitos especias e um total descaso com roteiro...
    No caso dos anões, fiquei apreensiva já com as primeiras imagens, pareciam muito mais anões de circo do que bravos guerreiros, sem contar que achei muita sacanagem essa história dos anões se esconderem em um buraco para deixar os ELFOS baterem nos inimigos, hahahaha!

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    1. Angela, eu acho que mesmo com os seus problemas, O Hobbit foi um dos melhores filmes que eu vi esse ano sim. Mas realmente há que se considerar que ele tem muito "valor sentimental" para mim.

      Realmente já faz um tempo que eu também estou desanimada com o cinema... é bem isso mesmo. Piadas prontas, clichês muito utilizados, efeitos especiais megalomaníacos e roteiros ralos. O Hobbit sofre um pouco com alguns clichês, mas são cenas e situações que são até comuns na fantasia (como alguém em quem ninguém acredita sair em uma jornada e provar seu valor, mas isso é a essência da história mesmo). Piadas... bem, tive que engolir algumas desagradáveis, mas nada que estrague por completo o filme. E algumas cenas são realmente engraçadas, sem serem estúpidas. O humor do próprio O Hobbit é bem bacana, aquele humorzinho inglês despretensioso.

      Os anões realmente seguem me desagradando, mas o resultado saiu melhor do que eu esperava. Alguns realmente parecem criaturas saídas do circo, e embora os anões do livro sejam um pouco mais... digamos, infantis, eu acho que não precisava exagerar tanto, visualmente falando. Nenhum deles tem um machado cravado na cabeça no livro (não que eu me lembre), mas no filme tem! Desnecessário, principalmente porque o PJ tentou dar um ar mais épico pro filme.

      Essa parte dos anões se escondendo no buraco é triste. É super engraçado, os coitados correndo desesperados porque vão apanhar e de repente vem os elfos, todos serelepes, e matam os orcs num piscar de olhos. E o pior é que esse mesmo buraco acaba levando os anões para Valfenda. Fica muito bobo, pensando que em O Senhor dos Anéis o Sauron procura a entrada para Valfenda e nunca consegue encontrar. Pobre Sauron, era só ter visto o buraco dos anões XD. #xatiado

      No livro, eles estão sempre fugindo mesmo, porque demora muito para que eles encontrem armas. Mas no filme, eles já estão armados desde o começo, então todas as fugas sucessivas acabam não fazendo muito sentido.

      Mas, ainda assim, acho que é um filme que vale a pena. Com tanta porcaria saindo, O Hobbit é entretenimento de qualidade sim.

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  2. Santa Tartaruga, não sei como ainda não vi esse filme! Argh!!!

    Por enquanto só tive contato com a trilha sonora, que é absurda. Tem uma faixa lá, "Song of the Lonely Mountain", que me deixou em estado de choque...

    E pena que as batalhas são "fracas"...

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    1. Song of the lonely mountain é absurdamente bonita. Toca nos créditos finais do filme... eu fiquei encantada mesmo.

      Ah,sei lá se são "fracas", Torinks, mas eu acho que ficaram um pouco estranhas. Isso porque eles sempre fogem, mas se você pensar que O Hobbit é mais ou menos assim mesmo...

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  3. Também não vi, mas vou prestar atenção a essa questão das batalhas, até para não cometer os mesmos erros quando escrever. Muito boa sua resenha, querida!

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  4. Então. *respira fundo*

    Eu gostei da primeira hora de filme e só. Isso porque achei que o filme começou de um jeito genial: Bilbo contando sua história para Frodo. Nossa, achei muito emocionante rever cenas com o Frodo e a preparação da festa do Bilbo... é legal ver aquela hora em que o Frodo sai correndo e nós sabemos que ele vai se encontrar com Gandalf e a jornada do anel vai começar... Lindo, lindo! Aí o Bilbo começa a lembrar de seu encontro com os anões e talz, é tudo tão engraçado e divertido como no livro...

    Pra mim vai tudo bem até aquela história do orc. Sem noção demais aquele Orc no filme, eu achei que não teve nada a ver. Achei o motivo fraco, besta, idiota e ainda ficou mega cliché. affe

    Mas teve duas coisas que odiei no filme:

    1 - Bilbo como um super herói. Gente, o esforço que o Peter Jackson fez pra fazer o Bilbo virar um mini-Aragorn foi tão grande, mas tão grande que eu quase tive uma overdose. O Bilbo foi um aventureiro, não um herói. São coisas bem diferentes.

    2 - O Hobbit ter virado um filme pra explicar o Senhor dos Aneis. Aquela cena de papo entre Gandalf e Galadriel em que o Gandalf do nada solta "Eu acho que é o Sauron, hein, gente" foi tão irritante. Cansativo mor.

    Só gostei mesmo do Gandalf e do Gollum. Ah, e da trilha sonora, que é linda! Inclusive "Song of the Lonely Mountain" merecia uma indicação ao Oscar de tão linda que é.

    Até hoje não fiz resenha do filme no blog porque fiquei irritada. Marido prometeu que ia escrever pra mim como colunista convidado, mas ele tá me enrolando. rs

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    1. Melissa, eu concordo com você, em tudo. Também não gostei nada da presença do Azog e achei uma adição desnecessária, mas como tenho medo de parecer "purista" quando critico alguma alteração, já que sou bem fã do Tolkien, então acabei engolindo. Mas realmente ficou meio fraco e cliché em termos de motivação e conflitos, até mesmo pelo modo como o PJ passa.

      O Bilbo realmente teve esse destaque heróico, mas enquanto assistia eu tive a impressão de que o grande foco ficou no Thorin. Ele sim me passou essa sensação de "Aragorn" do filme. Mas realmente o Bilbo foi um aventureiro,e não um herói, e o filme tirou o clima despretensioso de tudo, de certa forma.

      As conexões com O Senhor dos Anéis realmente ficaram cansativas... nossa... além da cena do conselho, toda aquela parte com o Radagast... eu não gostei nem um pouco do Radagast. Por essas e outras o filme ficou bem arrastado.

      Song of the Lonely Mountain é realmente linda, e eu não entendo porque não foi indicada ao Oscar. Para mim dá de 10000 naquela música chatinha da Adele que ganhou.

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  5. Melhor crítica que li envolvendo o filme.

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