terça-feira, 2 de abril de 2013

Finais felizes não existem (?).


(Primeiramente, peço desculpas por qualquer incoerência ou besteira aqui escrita. Depois de um dia de correções de provas interrompidas por uma estranha dor no peito, foi isso aqui que consegui produzir XD).

Dia desses estava em sala de aula ensinando o gênero "narrativa de aventura" para meus alunos. Lá estava eu ensinando aquela estrutura "situação inicial-complicação-clímax-desfecho" e me sentindo uma incapacitada por ter que enfiar em cabecinhas de 6 ano algo que me parece tão complexo e cheio de nuances em uma/duas aulinha(s) de 50 minutos. Mas enfim, esse não é o foco...

Depois de ensinada a matéria, vem o momento de pedir a produção, ou seja, vem o momento de pedir que eles escrevam. Em meio a muitas interrogações, virava e mexia um deles me perguntava como poderia ser essa narrativa, se todos podiam morrer, se podia ter muito sangue e terror (e zumbis). E eu batia na tecla: "pessoal, estou pedindo uma narrativa de aventura, não de terror! Narrativas de aventura são mais heroicas ...pedem um final mais feliz, geralmente".

Daí que me vem um aluno, categórico: "Credo! Detesto finais felizes!".

A afirmação dele foi tão incisiva que eu fiquei surpresa. "Credo, fulano, por quê? Tem tantas histórias legais que têm finais felizes!".

Ao que ele me respondeu: "Finais felizes não existem".

Ora bolas. Que menino desencantado. Em se tratando de algumas das realidades que tenho visto, já pensei em algo ruim, pensei que a mãe dele havia morrido, que ele apanhava em casa, etc., etc., etc. Mas daí, ele continuou, todo inocente e "orgulhoso" ao mesmo tempo:

"Ah, professora, é que eu prefiro histórias mais realistas, coisas mais 'pé-no-chão'. Esse negócio de o bem vence o mal, de pessoas boas, isso não é verdade. As coisas nunca são assim na vida real. Na vida real as coisas não acabam bem, os ruins vencem, as pessoas não são assim. Eu prefiro realismo"...

(Ter consciência de que na vida real as coisas são uma droga não são fáceis muitas vezes: ok. Preferir, aos 11 anos, que as coisas sejam assim até na ficção: me parece estranho). 

Vi, pelo jeitinho dele, que ele não sabia muito bem o que estava falando. Parecia estar repetindo um discurso que ouviu em algum lugar. Eu tentei responder isso:

"Fulano, as pessoas estão com mania mesmo de falar que histórias, para serem boas, tem que ser 'realistas', e por realismo elas entendem, algumas vezes, algo bem negativo. Olha, a vida tem coisas boas e coisas ruins, é verdade, mas é você que vai escolher olhar para o lado mais feio ou para o mais bonito. As coisas não precisam ser perfeitas para serem boas. E falar que o real é sempre ruim não te parece exagero também?".

Claro que o que eu falei de verdade foi alguma coisa pela metade disso aí, pois tentar conversar sobre a vida e fazer reflexões com uma turma de 6 ano que só está querendo saber como fazer a tarefa é quase utopia. 

Eu já bati muito nessa tecla do realismo por aqui e eu sei que me repito. Mas estou compartilhando essa experiência aqui no blog porque achei interessante ver um garoto de 11 anos reproduzindo um discurso que eu já ouvi muito por aí. E, sinceramente? Acho triste que uma criança já pense assim.

Será que finais felizes não existem? Talvez não existam finais 100% perfeitos, mas finais felizes são possíveis, tanto na realidade quanto na ficção. E confesso que essa questão vem me perseguindo na minha escrita. 

Questionamento do dia: finais felizes são ruins, bobos ou ingênuos?

Como fugir de finais artificiais e daquele tipo de história na qual nada parece ter um preço ou uma consequência verdadeira? Na qual o "felizes para sempre" já é tão descaradamente garantido - e sem-graça -  que nós não sofremos, tememos ou torcemos pelos personagens? Eles só são um bando de chatos eternamente favorecidos pelo acaso ou por quem os cerca... 

Olha, eu confesso que sou fã de um bom final feliz. Mas aquele que você não sabe nem por um segundo se vai chegar ou não, e que, no final, chega, e te deixa com um baita sorrisão no rosto. Aquele que vem depois de bastante sofrimento e sacrifício, mas que vem. 

Também curto um meio termo. Aquela coisa meio agridoce, feliz e melancólica ao mesmo tempo. Mas que seja feliz, sim. 

"E você não gosta de coisas tristes, então?". 

Ora, gosto sim. Sofro muito, evito, mas gosto - se a história for boa, claro. 

O que eu não gosto, na verdade, é de falta de esperança (e aqui estou falando do gênero fantasia). Se por um lado histórias felizes demais nos tiram aquela expectativa de que algo vai realmente acontecer, por outro, quando você sabe que tudo vai acabar em miséria, sofrimento, sangue e traição... que nada, nenhuma luz ali estará garantida... bem, nesse caso eu também perco o interesse. Não tenho pelo que ansiar ou torcer. Não me apego.  

Outro dia, lendo o divertido blog Inútil Nostalgia, vi um post no qual a autora chamou isso de "maniqueísmo dramático". Achei apropriado. Eu também acho artificial quando as coisas só dão errado e tudo é um sofrimento sem fim. Quando não conseguimos nos apegar a nada por saber que em algum momento aquilo vai desaparecer. Quando o autor parece estar abusando de seus personagens apenas para chocar ou causar lágrimas. Claro que nunca vou ler uma história de terror esperando encontrar finais cor-de-rosa, mas da fantasia eu espero, ao menos, esperança. Só isso. claro que não é porque eu espero que vai ter que ter, huahauahuaua! 

"Há, então teu livro vai ter final feliz todo bonitinho"... 

Não sei. Não sei ainda como farei, mas digo uma coisa: acredito em finais felizes que vem com sacrifícios e boa vontade. Acredito que finais felizes não são perfeitos. E acredito que a esperança não deve morrer (nem por último). Pois sem ela ainda não consigo viver nem na ficção :). 

18 comentários:

  1. Amanda Silversong3 de abril de 2013 10:11

    Nossa, que triste, um meninho de 11 anos e com essa mentalidade :(

    Eu já ouvi muito esta história de que finais felizes são bobos e infantis, e que a vida de verdade não é assim. Pode ser impressão minha, mas acho que essa história começou a ficar mais forte com a febre do Games of Thrones que começou ano retrasado. Eu sei, parece bobo falar que apenas um livro possa ter tido tanto impacto, mas considerando que ele foi transformado em um seriado ridiculamente comercial cheio de putaria, acho bem provável sim.
    Bom, no meu caso, eu acho que a vida às vezes é uma droga mesmo, e de vez em quando, dá vontade de sair explodindo os miolos de metade das pessoas que você conhece - não se preocupem, eu não tenho porte de arma ^^- mas dizer que finais felizes não existem é muita estupidez. Como diz minha irmã, o fato da sua vida ser um lixo não significa que a felicidade não exista em mais lugar nenhum, e nem que você não pode alcança-la. O problema, é que essas pessoas que se julgam maduras e esclarecidas acham que ao falar mal do amor, felicidade e fidelidade, elas estão abrindo os olhos do mundo para a realidade, quando querem apenas atrair mais gente para a miséria delas. Estas pessoas na maioria são frustrados que não conseguiram ser aquilo que queriam, e por isso, tentam dar a desculpa que as coisas não dão certo porque o mundo é ruim ou injusto.
    Eu acredito piamente em finais felizes, mesmo que às vezes eles sejam raros, e gosto quando as histórias terminem assim, mesmo que para isso haja sacrifícios. Odeio finais tristes em histórias, porque sinto que tudo o que os personagens fizeram foi em vão.
    Minha mãe falava uma coisa quando eu e minha irmã éramos pequenas que nunca esqueci: "Se você é uma boa pessoa e tudo deu errado na sua vida, tenha paciência, porque isso é apenas um sinal de que as coisas ainda não acabaram, que o fim ainda não chegou".
    So, HAPPY ENDINGS RULE!!!!!!!!! ^^

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    1. Então, Amanda, é exatamente isso que eu acho: tem pessoas que parecem que tem o prazer de falar que coisas boas não existem, e querem fazer todo mundo acreditar nisso. Parece que, ao invés de tentar buscar algo melhor, elas querem mais é dizer que tudo é ruim e nivelar por baixo mesmo. Para dar um exemplo bobo: eu lembro que quando eu ia me casar era um festival de agouros e frases do tipo "agora sim você vai ver como as coisas vão mudar". Imagino que essas pessoas estejam bastante frustradas em ver que eu e o Matheus continuamos felizes e nos tratando bem, mesmo 2 anos depois. Enfim, me parece que hoje em dia é moda ter orgulho do lado mais podre da humanidade, como se isso fosse prova de "maturidade", ou de se "aceitar como é".

      Eu respeito quem gosta de Game of Thrones (sei que tem bastante gente que lê o blog e que gosta), no começo eu mesma fiquei empolgada e assisti, mas eu particularmente não curti, depois que a poeira baixou. Não gostei da primeira temporada da série (apelativa pra caramba, detesto esse tipo de apelação sexual que a HBO faz!) e não me animei a ler os livros. Mas eu concordo com o que você disse, essa mania de falar de "realismo", principalmente na fantasia, aumentou bastante depois que GOT virou moda. Você já viu isso aqui: http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/dez-razoes-pelas-quais-a-guerra-dos-tronos-e-muito-melhor-do-que-o-senhor-dos-aneis

      Tá, eu sei que a Veja adora escrever umas matérias bem toscas, mas fiquei indignada quando vi essa comparação. A autora coloca como "ponto à favor" de Guerra dos Tronos (em relação a O Senhor dos Anéis) que os "personagens transam, escarram, defecam e ficam de ressaca". Sério mesmo? Isso é ponto à favor? Porquice é "realismo" agora? Vou botar meus personagens peidando então XD.

      Não é bobo falar que teve esse impacto não! Se meu aluno de 11 anos está repetindo isso, é porque o discurso está sendo mais batido mesmo. Basta lembrar da moda do "sarcasmo" e "honestidade" (leia-se: grosseria) que começou depois do sucesso de House. Povo achava a maior graça ficar imitando as tiradas do cara, que, aliás, eu nunca suportei. E uma das coisas que eu morria de raiva no House era isso: dos poucos episódios que eu assisti, o cara sempre estava tentando provar o quanto as pessoas eram mentirosas e que o amor e a fidelidade eram conceitos mirabolantes e inventados, tudo é troca de interesses. Como você disse: não é porque sua vida é uma merda, que não exista felicidade e ela não possa ser alcançada.

      Algumas pessoas simplesmente não gostam de admitir que existem pessoas genuinamente boas, que existam motivações genuinamente puras. É sério. É só ver essa modinha de gostar de anti-heróis hoje em dia, de falar "o Capitão América é um borsa, bom mesmo é o Homem de Ferro, ele é irônico, ele é fodão, ele é mais egoísta". É discurso corrente. O legal é ser "sacana".

      Vou ser sincera, eu também não gosto de finais tristes não (tá, tudo bem, admito, meu livro vai ter final feliz, todo mundo já percebeu). Eu digo que consigo gostar porque, afinal, eu gosto de Romeu e Julieta, né? Tem coisa mais triste do que aquilo? Mas eu me derreto. E o próprio Senhor dos Anéis tem um final bem agridoce, meio melancólico... e o Silmarillion também tem uma porrada de coisas tristes, mas eu gosto. Mas que eu prefiro um belo final feliz, ah, isso eu prefiro.

      Campanha à favor do Final Feliz!! Seus personagens e leitores merecem!!

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  2. Estou invejando esses alunos que, com 6 anos, assistem aulas de "narrativa de aventuras". Sensacional.

    Acho que a realidade é inspiração para criar ficção. E quando a realidade é triste e tudo o mais, acaba sufocando a ficção com a mesma tristeza e desespero e insanidade da vida real. Triste, mas parece ser uma ótima tática para atrair leitores (que se identificam com a história pé-no-chão e seus personagens sofredores). As Crônicas de Gelo e Fogo é um belo exemplo. Lá ninguém está isento de sofrer graves mutilações ou mesmo morrer quando dobrar uma esquina ─ tal como na vida real. Nesta obra, por exemplo, é difícil visualizar um final feliz. Talvez, no máximo, algo agridoce, como você disse ─ que termine bem, mas deixe algumas feridas não cicatrizadas, sei lá...

    Enfim. Talvez a realidade não seja mais mera inspiração e sim forte embasamento. Então isso deve ameaçar a esperança das estórias, sei lá. Puxa, nunca tinha parado pra pensar nisso!

    Belo texto! Belo convite a refletir sobre o assunto!

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    1. Muito obrigada, nobre Torinks!!

      Então, eu concordo com você. A realidade é mesmo inspiração e quando ela sufoca, isso transparece na ficção. Não tem nada de errado com isso, assim como não tem nada de errado em finais felizes e histórias mais leves. Acho que o único problema que eu enxergo é o fato de que realmente está virando discurso corrente falar que só o que é "realista" é bom, entendendo-se por realista algo triste, escuro, até por vezes "corrompido", e que geralmente acaba mal. Mesmo na realidade, algumas pessoas sofrem coisas terríveis, outras têm vidas abençoadas. E assim são as histórias também.

      Essa questão vive me visitando mesmo, a do embasamento na realidade, e da falta de esperança... fico contente que tenha achado bacana para refletir!

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  3. Acredito em finais felizes, sim, porque, mesmo que a vida não seja perfeita, há momentos em que ciclos se fecham e as coisas chegam a um resultado. Colhemos o que plantamos, fazemos escolhas e arcamos com suas consequências - e no balanço final acho que é possível extrair disso mais felicidade do que dor. Isso vale para a ficção e para a vida.

    Adorei seu post e sou bem capaz de citá-lo nos meus Diários da Reescrita, lá no blog do Castelo. Afinal, tanto eu como Anna de Bryke adoramos finais felizes... e reconhecemos a existência das arestas a serem aparadas ao longo do novo ciclo (ou do novo livro da série, se preferir). :)

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    1. Ana, eu também acredito e penso assim. Claro que existem circunstâncias e circunstâncias, mas de modo geral é bem isso que penso. Ah, eu ia ficar muito feliz se você citasse meu post, honrada!!! Eu já li, aliás, o diário de reescrita, e só não comentei ainda por medo de falar besteira (boba, eu?.

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  4. Este é uma assunto muito interessante; dentro e fora do estilo de fantasia, meu estilo favorito de história é aquela que lida com a superação de obstáculos praticamente intransponíveis, não por grandes heróis, mas por pessoas comuns, que pouco têm a oferecer além de certa habilidade e muita força de vontade.

    Por isso, os trabalhos de Tolkien sempre foram os meus favoritos; não importa quanta desgraça acontece no mundo, em um determinado momento, a escuridão é superada. Não sem muitos sacrifícios, não de forma definitiva, e definitivamente, não sem deixar muitas cicatrizes nos "heróis", mas no fim, os obstáculos são sempre superados.

    Isto não significa, contudo, que histórias com finais tristes sejam ruins. Muitas vezes, elas são realmente boas, só não acabam da maneira como alguns de nós gostariam. E quanto a Games of Thrones, o que Amanda disse sobre a série é a mais pura verdade. Porém, os livros não são apelativos desta forma, e descrevem tópicos muito interessantes sobre os bastidores do mundo. Por isso, recomendo a todos que gostem deste tipo de história uma pouco mais pesada a ler os livros, e deixar de lado a série.

    Por fim, reforço as palavras da sábia mãe da jovem Amanda, pois há muita verdade nelas; temos um hábito forte de sermos imediatistas em tudo, e muitas vezes, damos uma situação como resolvida e terminada, para depois nos darmos conta de que o final dela não havia realmente chegado.

    Finais felizes realmente exitem, mas muitas vezes não conseguimos enxergar quando uma história realmente chegou a seu fim. Tanto na literatura quanto na vida real.

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    1. Querido Odin, concordo com todas as suas palavras <3, em especial o que disse sobre a fala da mãe da Amanda. :)

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  5. Esses dias eu li o epílogo do primeiro romance de um autor iniciante. O capitulo chamava-se "Finais felizes não existem". Até achei que o post fosse sobre aquela obra, que por sinal foi recusada pela Editora Objetiva.

    Pode ser que essa coisa de "realismo e finais felizes serem antagônicos" seja uma "tendência". Pode ser que as pessoas estejam mais pessimistas. Pode ser que o mundo esteja realmente uma droga. Pode ser muitas coisas.

    Inclusive, acho até que vou refletir bastante sobre isso.

    Isso... Acho que vou refletir.

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    1. Nobre Jaco, eu me lembrei disso quando ouvi meu aluno proferir essas palavras emblemáticas (que aliás, foram perfeitas para o prólogo). E a depender dessas editoras cegas, parece que teremos que esperar um pouco mais esse final feliz, hunf!! Perdendo fé na humanidade...

      Sinceramente, eu estou mais pessimista. Mas o que eu mais acho engraçado é que quanto mais enxergo porcaria no mundo, mais quero alegria, bem, amor, final feliz, na ficção, hahahaha! Ora, quero ir para um mundo diferente. Acho que estou na contramão. Mas depende de cada pessoa mesmo.

      (Eu acho que Rainhas em Guerra teve um final esplendoroso. Como eu disse, eu também gosto de finais agridoces... mas fico triste pelo personagem principal).

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    2. *epílogo, não prólogo XP

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Olha eu atrasada aqui de novo o/

    Bom, a primeira coisa que eu gostaria de comentar é que, mesmo com todas as dificuldades pelas quais os professores de hoje passam, um ou outro aluno mostra pra gente algo para refletirmos ^_^

    Sobre finais felizes não existirem. Na própria escola onde trabalho eu vejo o pessimismo das crianças de hoje em dia... Muitas não veem as coisas dando certo na vida delas, então, numa história, estão pouco se importando se podemos fazer as coisas andarem de um jeito que leve à felicidade. As histórias podem acabar com as coisas acabam na realidade.

    É triste isso... Ver gente tão nova já desesperançosa quanto às coisas da vida, pois já nem nas histórias acreditam mais.

    E eu não saberia definir bem certinho tudo o que levou as pessoas a serem assim (independente de ser aluno ou não). Tem muita coisa em jogo, pois uma vez me disseram que felicidade é meio que subjetivo.

    Ai, ai... Acho que é isso XD

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    1. É verdade, Gisele, mesmo com todas as dificuldades a gente ainda encontra coisas boas na sala de aula. No meu caso, eu tenho percebido que as crianças realmente andam pessimistas também... e muito disso é causado pelo próprio meio em que elas são criadas. O colégio onde dou aula é de classe alta, sabe, e eles são bastante acomodados e infelizmente alguns são bem mimados. Querem tudo na mão, e se frustram facilmente. Muito facilmente mesmo! Eu fico com dó, porque desse jeito é realmente difícil ser feliz.

      É triste mesmo ver gente tão novinha sem acreditar em histórias... eu acho que essa seria a idade para ainda se estar encantado com isso, com finais felizes, com aventuras, com mundos novos... (bem, eu acho que seria ótimo se a gente não se desencantasse com histórias em nenhuma idade).

      Ah, com isso eu concordo. Felicidade é subjetiva, e existem muitos e muitos fatores nisso, e existem muitos e muitos modos de ser feliz. Mas acho que tentar é o fundamental.

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  8. Preciso parar de ler esses posts. Eles me dão vontade de escrever e não de programar... XD

    Sim, ainda estou na dúvida se prossigo seriamente ou não com o projeto "CTL/Jornada/Cruzada de Samara" (sério, não defini nem o título da bagaça ainda). Sim, já tenho pelo menos os pontos principais da história definidos, ideias de continuidade... Mas não diria que o final da história seja certamente feliz. Acho q ainda mando mal em "segurar o leitor". Não imagino q pelo q já escrevi as pessoas possam se identificar com Samara ou qq outro personagem o suficiente para se importar sequer se eles vão chegar vivos ao próximo capítulo. Nisso pelo menos o Martin manda bem. Blz q ele senta a foice em geral, mas a questão é q o leitor pelo menos sente algo pelos personagens. Estou pensando em liberar lá na HnI mais alguns pedaços do q já foi escrito. Personagens novos aparecendo, e alguns do núcleo principal colocando mais as manguinhas de fora.

    Mas em suma, eu acho q finais felizes são meio independentes da história em si. Há histórias q são boas exatamente por terem finais felizes hollywoodianos bobos, e histórias q são boas pelo motivo inverso. Acho q depende do q a história de fato pede.

    E se vc acha q a epidemia de "realismo cru e pessimista" está irritante, fique longe dos Novos 52 da DC Comics. Sério, estou quase arrancando meus olhos para não ler mais o que estão fazendo com o Capitão Marvel naquilo lá.

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    1. Escreva Hayashi!! Escreva... escrevaaaaaaaa.... XD

      Creio que você se subestima, nobre amigo. O que eu li das CTL me deixou bastante interessada, e eu fiquei sinceramente curiosa com o destino de Samara. É claro que aquilo era apenas o começo, mas você se engana se acha que não foi capaz de criar personagens por quem podemos nos interessar. Os príncipes e princesas negros, então, cada um tinha um background muito interessante. Eu curti muito ler!

      Sobre segurar o leitor, bem, eu entendo sua insegurança. Realmente esse é um ponto preocupante, e eu sempre fico matutando se o desenrolar da história e os personagens do meu livro estão sendo capazes de manter a coisa toda interessante! E o pior é que você só vai descobrir isso efetivamente com a opinião do público, não adianta... para mim, ao menos, falta um certo distanciamento que me permita distinguir se o que eu escrevo está bom o suficiente ou não, muitas vezes! É complicado...

      De fato o Martin sabe sim fazer a gente gostar e se interessar pelos personagens. Talvez por isso fique tão mais doloroso acompanhar as suas histórias... ai, ai...

      Seguirei seu conselho quanto aos Novos 52, nobre Hayashi. Eu realmente estou um pouco enfastiada dessa moda de realismo cru e pessimista.

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    2. Atendendo a pedidos, tá lá o texto estendido no chão:

      http://hayashinoie.blogspot.com.br/

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    3. Muito obrigada, nobre Hayashi!! Já fui, já vi, já comentei, já baixei a prévia!!

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