terça-feira, 27 de agosto de 2013

Trilha sonora inusitada - baladas de ♥ dos anos 90

ALERTA DE BREGUICE!! Se continuar, esteja avisado. As músicas desse post falam do poder do amor da forma mais explícita, breguinha e melosa possível. 

No post de trilhas sonoras inusitadas de hoje (porque eu não aguento mais trabalhar e faz um tempão que eu não posto nada aqui e EU MEREÇO UM POST MUSICAL RELAXANTE), nós vamos relembrar daqueles áureos tempos em que cada filme tinha uma ~música tema~ e cada música tema tinha um ~clipe épico~ com as cenas do filme. Quem nunca ficou assistindo o clipe de "Beauty and the Beast" com a Céline Dion e o Peabo Bryson no final da fita de A Bela e a Fera? Ou "Have you ever really loved a woman" no fim de Don Juan de Marco? EU SIIIIIIIIIIIIIIIIIM! 

(Gente, é. Fui dessas). 

É em homenagem a toda essa nostalgia que eu vou propor a Trilha sonora inusitada com o tema de hoje:

(Atenção: há leves spoilers abaixo. Nada que vá prejudicá-los na leitura dos próximos livros. É mais provável que  apenas desperte a curiosidade, caso alguém realmente se importe XD). 

SE O ENIGMA DA LUA FOSSE UM FILME NOS ANOS 90,  a trilha sonora seria... 

(Hoje nós teremos uma por personagem! Porque o número de baladas românticas dessa época é tão grande que temos cancões para dar e vender \o/)

Elora  

Elora ganharia Immortality como trilha sonora. Porque essa música parece que foi escrita para ela, porque ela fala sobre reencarnação, porque o combo Bee Gees + Céline Dion é muita nostalgia para ser ignorada. 




Parte "Elora feelings": Immortality - I make my journey through eternity - I keep the memory of you and me inside - e depois: WE DON'T SAY GOODBYEEE!

Laucian

Laucian, com todo o seu amor infinito e seu jeito relaxado-apaixonado ia ganhar a trilha sonora que também já embalou outro arqueiro....




(Minha mãe era fã do Bryan Adams E do Kevin Costner quando eu era nova. MAGINA quantas vezes a gente não viu esse clipe lá em casa).

Parte "Laucian feelings": I would FIGHT FOR YOU! I'd lie FOR YOU! WALK THE WIRE for you! Yeah, I'D DIE FOR YOOOOOOOU...

Valenia 

Valenia é a garota que está precisando muito ouvir o próprio coração, em relação a tudo... entonces, já ADIVINHARAM???




Parte "Valenia feelings": I don't know where you're going, and I don't know why, but listen to your heart before you tell him goodbye!

(Mas eu adoro essa música gente. Eu confesso. Meu chuveiro já presenciou muitas performances dela).

(ATUALIZAÇÃO: essa música, na verdade, é de 1988 - eu tinha 1 aninho! Mas tá valendo). 

Myron 

Myron ganha uma das músicas mais lindas que eu já ouvi, Crying in the rain, porque ele é o rapaz que gosta de ~esconder os sentimentos~ (mas nesse segundo livro é por bons motivos).



Parte "Myron feelings": I'll never let you see - the way my broken heart is hurting me [...] You'll never know that I still love you so, only heartaches remain.

(Relação com a música a ser compreendida no segundo livro).

(Daí, depois que ele parar de ~esconder sentimentos~ no terceiro livro ele pode cantar "Please forgive me" inteirinha - SPOILER ALERT atrasado!!).

Drimme

Drimme, com sua figura misteriosa e sua história transcendental, ganha o chiclete das rádios Iris:




Momento "Drimme feelings": And I'd give up forever to touch you - cause I know that you feel me somehow - you're the closest to heaven that I'll ever be, and I don't want to go home right now.

Lafaia

Lafaia ganha a linda (mas trilha sonora de um filme horrendo) Kiss From a Rose. Por quê... né... kiss from a ROSE (vocês irão entender). GAAAH, eu amava muito essa música quando era pequena XD.




Parte "Lafaia feelings": I compare you to a kiss from a rose on the grey - The more I get of you, stranger it feels - And now that your rose is in bloom - A light hits the gloom on the grey.

Galnor me proibiu de dar uma música no mesmo tom para ele. Disse que sairia do livro e me daria uma machadada caso eu o fizesse.

Lesada hoje? Sim ou com certeza? Vou ficando por aqui imaginando um clipe com cantores e cantoras com cabelos esvoaçantes e cenas do filme de O Enigma da Lua.

(Um dia faço uma versão mais roqueira dessa lista XD).

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Pai

Temo que esse conto seja grande demais para ser postado aqui, mas dividi-lo não faria muito sentido. Então, eu vou postar inteiro mesmo. Ele deveria ter saído no dia dos pais, mas não consegui terminá-lo a tempo. Aqui vai uma história envolvendo a relação pai-filha mais "emblemática" de O Enigma da Lua. 

***
Pai

Fonte
Os dedos da menina entrelaçavam-se nervosamente em seus cachos. Eles eram claros, tão claros como o amanhecer nebuloso daquele dia.

Valenia nascera com todos os traços da mãe: os cabelos loiros, os olhos azuis, a boca bem desenhada, o nariz delicado e levemente arrebitado. Era uma criança encantadora em sua aparência, mas os trejeitos já estavam carregados de certa prepotência. Infelizmente, da mãe ela também parecia ter herdado a personalidade expansiva, irritadiça e egocêntrica.

Contudo, quem a visse em casa, naquele dia, talvez pudesse entender que a pequena Valenia era apenas uma criança perdida em seu caminho. 

Os olhos azuis perscrutavam o tampo da mesa, e subiam para o rosto impassível da mãe. Nenhum sorriso. O semblante continuava tão fechado e amargurado quanto antes. Nyra a olhava de volta, como se dissesse que ela não tinha permissão para agir de modo diferente. Valenia baixava a cabeça, dizendo repetidas vezes um silencioso “sim”.

A menina ouvia o som de mastigação ecoar pela sala. Comiam pão e queijo naquela manhã, e havia também peixe defumado. Valenia divagou por um tempo, imaginando que seria ótimo comer um pêssego se sua mãe deixasse. Foi nesse momento que ela, distraidamente, olhou para seu pai.

Não devia ter feito aquilo.

Seu coração encolheu-se. Será que não diriam nada?

Há dois dias atrás, Nyra e Dufel haviam brigado. Era muito comum que brigassem, mas, por vezes, a briga era maior e então aquilo acontecia. Silêncio. O som do silêncio era o pior som do mundo. Parecia alastrar-se como uma doença difícil de curar.

Valenia lembrou-se de uma vez em que os pais haviam discutido e, no mesmo dia, Dufel resolvera leva-la para comprar amêndoas açucaradas na feira da praça. Valenia voltou para casa saltitante, com um pequeno embrulho nas mãos, pronta para devorar seu doce presente.

Lembrava-se ainda hoje do olhar que a mãe lhe dera naquele dia. E de suas palavras cortantes.

“Está do lado dele agora, porque te deu doces? Parabéns, Dufel. Você sabe comprar a nossa filha”.

Ela se recordava de ter tremido com o pacote nas mãos, sem saber para que lado ir. Dar a mão ao pai novamente seria uma traição. Sendo assim, andou em direção à mãe, mas o olhar triste de Dufel e seu silêncio, única resposta à acusação da mulher, detiveram-na. Por fim, Valenia tremeu tanto, indecisa no meio do caminho, que o pacote caiu no chão e as amêndoas se esparramaram, servindo de alimento para os cachorros que vieram farejá-las vorazmente.

Demoraria ainda muitos anos para que Valenia compreendesse que não era ela que fazia algo errado naquelas situações.

Dufel e Nyra estavam no meio de uma dessas brigas que deixavam a casa toda em silêncio. No entanto, aquele era um dia horrível para isso. Era o aniversário... o aniversário de seu pai.

- Você sabia que quando você nasceu estava chovendo?

Era a voz dele. De Dufel. Ele quebrara o silêncio. Valenia ergueu os olhos para o pai como se ele tivesse acabado de cometer um ato hediondo.

- Pois sim. Você chorava tanto, tanto, e num tom tão agudo, que concluímos que cresceria para ser uma barda.     

Não era a primeira vez que ele contava aquela história. Devia ser a milésima. Ele sempre dizia aquilo. Repetia a parte da chuva como se fosse um bordão. Era uma espécie de brincadeira que Dufel fazia, quase todos os dias e também quase todas as noites, antes de ela dormir.

Quando eles brigavam, no entanto, ele ficava quieto. Não dizia nada. Não voltava à noite – ficava na muralha, fazendo a vigília. Não dizia que ela nascera chorando, em um dia de chuva. Ficava simplesmente em silêncio. 

- Você parecia uma rãzinha – ele continuou – era pequena, com pernas longas e finas. Mas vermelha, muito vermelha. Os cabelos eram tão claros que você parecia ter nascido careca...

Nyra encarou Dufel. Valenia, que prestava atenção ao pai, estremeceu e empertigou-se na cadeira, virando o rosto para baixo. Não viu o diálogo silencioso que se desenrolou entre os dois, entre os olhares de raiva da mãe e de insistência do pai.  

- Nasceu no meio da guerra e me trouxe a paz – ele terminou, ainda olhando para Nyra.

A menina começou a enrolar os cabelos nos dedos, novamente. Olhava para o chão sem ousar falar qualquer coisa. E então, algo inacreditável aconteceu.

A troca de olhares entre Nyra e Dufel produziu alguma coisa. A mãe levantou e se foi, sem chama-la ou exigir que ela a seguisse. Simplesmente virou as costas e desapareceu, subindo a escadaria que levava até seu quarto.  Não olhou para trás. Talvez fosse um ato de trégua pelo aniversário dele. Talvez Nyra simplesmente estivesse irritada demais para discutir. Ela nunca saberia.

Valenia levantou a cabeça e olhou para Dufel. O pai sorriu.

- O que acha de ir até a feira hoje? – ele disse.

A menina ficou em silêncio. Balançou a cabeça vagarosamente, em negativa. Não podia ir. O pai suspirou.

- Você não precisa ter medo, filha. Sua mãe não vai fazer nada se vier comigo.

Os olhos azuis dela se encheram de lágrimas. Não iria. A mãe se sentiria abandonada. Deixada de lado. Afinal, Dufel tinha a cidade inteira para amá-lo. Os habitantes, os homens da milícia, a clériga do templo... Todos gostavam dele. Nyra tinha apenas ela, Valenia. Era a única amiga da mãe. Era do lado dela que devia ficar. Ao menos era isso que ela dizia. Era isso que pedia.

“Eu só tenho você, Valenia”.

- Eu vou trabalhar – Dufel disse, desistindo, e beijando sua testa – Fique bem, querida.

Ele se levantou. Já iria? Não tentaria mais? Bem, era melhor assim. Era melhor que cada um soubesse o seu papel.

Valenia ouviu os passos de Dufel, e depois ouviu a porta se abrir. Estava paralisada na cadeira, mas no coração uma vontade crescia.   

Pulou, finalmente, e correu até os fundos da casa. Foi ao jardim em desabalada carreira, arrancou uma das margaridas brancas que cresciam ali, e pediu que suas pernas conseguissem alcança-lo. O peito refletia as batidas descompassadas do coração. Ela respirava ofegante, mas sorria com os olhos e as bochechas vermelhas.

Quando chegou até o portão, não viu o pai. Abriu-o, vagarosamente, e saiu, esperando encontra-lo ainda por perto. Traçou o caminho que ele costumava tomar para chegar até o prédio da milícia. Não devia estar longe...

Foi então que ela estacou. A margarida estremeceu em sua mão, que pendeu ao lado do corpo. Alguém já encontrara seu pai, e estava fazendo um serviço muito melhor do que o dela.

Driali, a sacerdotisa chefe do templo da Lua, e seus dois filhos haviam interceptado Dufel no caminho. A menina, Elora, entregava a Dufel algum embrulho, muito maior do que a margarida de Valenia, com seus olhos doces e cativantes. Dufel sorria largamente. Ajoelhou-se e acariciou o rosto da jovem elfa, provavelmente agradecendo. Colocou o pacote debaixo do braço. Ele ergueu o olhar e começou a falar com Driali. Até mesmo Valenia podia perceber que, naquele dia, ele não precisaria falar com mais ninguém. Ele só tinha olhos para ela. Era como sua mãe dizia.

Valenia virou as costas e jogou a margarida no chão. O rosto estava banhado de lágrimas silenciosas. O silêncio também a atingira agora.

- Senhor Dufel – ela ouviu alguém dizer – Sua filha. A Valenia.

Ela parou de andar. Alguém a vira. Era a voz do filho mais velho de Driali, Myron. Ela não gostava de Myron. Mas ele a vira.

- Valenia? – o pai disse – Filha?

Ela não teve nem tempo de virar-se. Sentiu os braços do pai levantando-a, e sentiu os beijos dele em sua face molhada. Estava feliz. Estava feliz por tê-la ali. Ele olhou para ela, sorrindo.

- Hoje você vem comigo – ele disse – Hoje esse é o meu presente.

Valenia jogou os braços ao redor dos ombros do pai, rendendo-se. As lágrimas continuaram a rolar, abundantes. Ela teve um vislumbre de Driali, Elora e Myron olhando para eles. Não se importou.

Afundou o rosto no peito do pai e deixou-se ser sua filha.  

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Início de "O Círculo dos Sete"!

Saudações, queridos leitores! Hoje é noite de sexta-feira, o melhor dia da semana, weeee!!!!


Ok, o sábado também é ótimo, mas a sexta-feira tem a expectativa de sábado ♥. O sábado tem expectativa de domingo, o que é péssimo. 

CAHAM, vamos ao assunto do post. 

Há uns tempos atrás, a Ana Lúcia Merege leu a prévia de O Círculo dos Sete (quem ainda não leu pode conferir AQUI) e me aconselhou a fazer uma retomada do que aconteceu no primeiro livro no capítulo inicial. É impressionante como a gente não pensa em certas coisas óbvias sozinho, não? Pois é, foi um ótimo conselho. Como O Círculo dos Sete vai sair bem depois de A Centésima Vida, é claro que alguns detalhes da história vão ser esquecidos. Portanto, tentei fazer um pequeno resumo no começo do livro, e gostaria de postar aqui para vocês eventualmente lerem, se puderem, e emitirem vossas preciosas opiniões :)

Bem, sem mais delongas, aqui vai: 

"Laucian e Elora eram um meio-elfo e uma elfa da cidade de Silena. Haviam crescido felizes e despreocupados, e, como bons melhores amigos que crescem juntos, haviam se apaixonado um pelo outro.

Seriam um casal comum, com vidas e atividades comuns, se não tivessem descoberto, há dois dias atrás, algo que mudaria, para sempre, o resto de suas vidas.

Estavam, de certa forma, amaldiçoados.

O continente de Rodrom era um lugar que sempre assombrara o imaginário infantil, e de adultos também, em todo o mundo de Edrim. Com histórias tenebrosas sobre monstros, espíritos malignos capazes de enlouquecer e levar à morte, e uma lenda antiga que conta de um terrível demônio que jaz sob seu solo enegrecido, Rodrom sempre parecera, aos dois, apenas isto: um lugar de medos nebulosos, distante, que jamais tocaria suas vidas.

Estavam errados. Muito errados.

O demônio era verdadeiro. E não era apenas um demônio, e sim um deus. Um deus que atormentara a vida de Laucian e Elora há cem vidas atrás, e que selara seus destinos com morte e sofrimento.

Laucian tinha parte daquele deus dentro de si, e, na verdade, o meio-elfo era a chave para tirá-lo de um longo sono nas profundezas de Rodrom. Elora, sua amada, sua alma gêmea, nascera nessa vida com a marca da Deusa em suas costas – uma lua. Era a única forma de identifica-los. Quem quer que a portadora da marca amasse seria o meio-elfo que Rodrom procurava. Tudo porque há cem vidas atrás Laucian fora Velnor, o primeiro meio-elfo de toda Edrim, fruto de amor entre duas raças que antes se odiavam profundamente. Tal criação havia despertado a ira e a inveja do irmão mais tenebroso da Deusa Lua. Era ele que Laucian carregava dentro de si. Era ele que poderia ser solto mais uma vez naquele mundo, trazendo nada para Edrim além de morte e escuridão.

Uma realidade difícil de assimilar. Nenhum dos dois ainda conseguia acreditar muito bem; mas fora preciso que se convencessem rapidamente. Agentes de Rodrom já haviam aparecido em Silena. Elfos negros, os dokalfar, tinham sido mortos em seus arredores na noite anterior. Além disso, a cidade já fora atacada por eles, de uma forma que deixava claro que Rodrom já sabia que algo estava sendo escondido na pequena cidade. Elora e Laucian não estavam mais seguros em Silena. Talvez, ninguém mais estivesse.    

Por isso mesmo, Driali, a mãe de Elora, uma clériga experiente, contara tudo aos dois. Ela já sabia daquilo há tempos, mas cometera o erro – na visão dela – de esconder deles a verdade, talvez esperando, tolamente, que jamais precisasse contar. Agora, Laucian e Elora estavam correndo contra o tempo. Fugiam de Silena na companhia do irmão de Elora, Myron, da prima de Laucian, Valenia, e de Galnor, um anão, amigo de longa data de Driali. Meav, uma barda talentosíssima, a professora de Elora e Valenia, fora a incumbida de leva-los, por meio de magia, o mais longe possível de Silena.

Algo realmente estava acontecendo. O poder de Rodrom começava a se fazer sentir. Meav concentrara-se e cantara a melodia necessária para deslocar, em segundos, o grupo para a entrada da cidade mais próxima de Silena – Inisah. Era uma magia complicada e que exigia um nível de poder e concentração consideráveis. Mas Meav era uma barda experiente, uma mulher cuja habilidade só era rivalizada pelo impressionante e caloroso sorriso e a moldura de longos e fartos cabelos de fogo que envolviam seu corpo como um manto.      

Ela sentiu a fagulha da magia brotar de dentro de si. Sua voz começava a vibrar de um jeito diferente, quase hipnótico. Todos estavam de mãos dadas e apertaram os dedos uns dos outros, já sentindo o ar mudar ao seu redor. Iriam ser levados em pouco tempo. Sentiriam o estômago virar e os olhos lacrimejarem ao verem e ouvirem um turbilhão de imagens e sons a cerca-los.

De repente, aconteceu. Mas não da forma como todos imaginavam.

Por algum motivo, a magia de Meav não levara Galnor, Laucian, Elora, Myron e Valenia até o destino que ela planejara. Ao invés disso, o grupo foi parar na metade do caminho entre Silena e o vilarejo de Inisah.

Meav tentou de novo, por mais duas vezes. Tudo o que conseguiu foi embrenhar-se ainda mais na floresta que circundava a trilha.


E na segunda falha, o grupo não passou despercebido".  

Bem, bem, é isso... gente, se alguém ler, por favor me digam se está claro e se é possível entender as coisas e relembrar o que levou os personagens a estarem ali. Sei que algumas partes ficaram um pouco vagas, como o trecho da "profecia" que envolve o Laucian e a Elora, mas como supõe-se que a pessoa que vai ler o segundo livro já leu o primeiro, achei que apenas uma pincelada daria conta do recado! Será?

Abraços, queridos leitores, e até breve!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A Vida de Pi


Saudações, queridos leitores. 

Enquanto eu vou adiantando a escrita do livro (está indo, está indo), gostaria de postar aqui algo que há tempos estava pensando em postar. Precisamente, desde que eu assisti "A Vida de Pi" (eu me recuso a adotar a tradução "As Aventuras de Pi") no semestre passado. 

Eu sou uma confessa amante do cinema. Com certeza, foi ele que me impulsionou a criar histórias primeiramente, mais até do que os livros. É, eu sei, eu preferia dizer o contrário, mas tenho que ser sincera. Eu lia bastante, gostava de ler, e não era difícil me encontrar na biblioteca. Mas, mesmo assim, o cinema sempre foi minha paixão maior junto com a música (talvez seja influência do meu pai - ele sempre amou o cinema, e me contava de seu deslumbre ao entrar nas salas antigas e assistir clássicos com Ben Hur e Os Dez Mandamentos). 

Dito isso, eu também tenho que confessar que, ultimamente, tenho andando bastante desempolgada com esse mundo de telas grandes. Os filmes andam tão batidos e sem sal que sempre acabo saindo frustrada de tudo que vejo. Antigamente, costumava ver filmes que me tocavam verdadeiramente. Bem, talvez eu apenas esteja ficando velha e chata, mas tenho a impressão de que o cinema se transforma cada vez mais em um show de efeitos, piadinhas e superficialidade.

Foi então que eu vi A Vida de Pi.

Me arrependo de não ter visto justo esse filme no cinema (XP). Além de ser lindo visualmente, A Vida de Pi toca em uma porção de assuntos que nos alcançam em nossas emoções e anseios basilares. Espiritualidade, religião, fé, lealdade, amor, solidão, superação... por fim, humanidade. 

Não sei se o filme me emocionou tanto por conta da época em que assisti ou por causa da minha história de vida (faz diferença sempre, não?). Só sei que, logo no início, foi bastante fácil me identificar com a figura simpática de Pi. Assim como ele, eu também gosto de conhecer e entender todas as religiões, e tenho uma concepção meio universalista das coisas. Deus Cristão? Beleza. Buda? Beleza também. Grande Espírito? Que maravilha. Alá? Conte-me mais sobre isso. Quero saber. E que haja paz entre nós. 

Lá para o meio, eu me peguei pingando de lágrimas. Porque percebi que Pi fala muito sobre desprendimento, sobre despedidas, sobre desapego. Sobre dar valor ao que realmente importa. Puxa, eu acho que isso nunca fica velho. Ainda mais quando a mensagem é passada com tamanha sensibilidade. 

"Acho que, no fim, a vida inteira se torna um ato de desapego, mas o que sempre fere mais, é não ter um momento para dizer adeus".

Há poucas coisas mais verdadeiras do que essa frase, dita lá para o fim do filme. Foi assim que Pi me conquistou, e me tocou demais.

As dores, as perdas, seja lá quais forem, do jeito que forem, doem mais quando não se pode dizer adeus. Quando a roda da vida parece travar, e ali fica um sentimento de que alguma coisa ficou incompleta. De que não se viveu, disse, ou sentiu tudo o que se podia em algum momento, com alguma pessoa. Pior ainda é quando essa oportunidade nos é tirada sem que tenhamos previsto, pedido ou quisto.

Mesmo assim, no fim de tudo isso, há tempo para viver de novo, para recomeçar, para entender. Para guardar com carinho coisas boas e olhar para aquilo que nos faz humanos: amor, fé. E que sejamos sábios para não desperdiçar esses sentimentos com quem não tem capacidade de compreende-los ou respeitá-los. Porque o tempo é curto. Pode acabar amanhã.



(como vocês podem perceber, isso não foi uma resenha. Foi um texto bem parcial e emocional, portanto, assistam o filme por conta e risco XD. Eu recomendo! Também digo que o filme fala sobre mais do que isso. Mas aqui temos um "recorte".).