sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A Vida de Pi


Saudações, queridos leitores. 

Enquanto eu vou adiantando a escrita do livro (está indo, está indo), gostaria de postar aqui algo que há tempos estava pensando em postar. Precisamente, desde que eu assisti "A Vida de Pi" (eu me recuso a adotar a tradução "As Aventuras de Pi") no semestre passado. 

Eu sou uma confessa amante do cinema. Com certeza, foi ele que me impulsionou a criar histórias primeiramente, mais até do que os livros. É, eu sei, eu preferia dizer o contrário, mas tenho que ser sincera. Eu lia bastante, gostava de ler, e não era difícil me encontrar na biblioteca. Mas, mesmo assim, o cinema sempre foi minha paixão maior junto com a música (talvez seja influência do meu pai - ele sempre amou o cinema, e me contava de seu deslumbre ao entrar nas salas antigas e assistir clássicos com Ben Hur e Os Dez Mandamentos). 

Dito isso, eu também tenho que confessar que, ultimamente, tenho andando bastante desempolgada com esse mundo de telas grandes. Os filmes andam tão batidos e sem sal que sempre acabo saindo frustrada de tudo que vejo. Antigamente, costumava ver filmes que me tocavam verdadeiramente. Bem, talvez eu apenas esteja ficando velha e chata, mas tenho a impressão de que o cinema se transforma cada vez mais em um show de efeitos, piadinhas e superficialidade.

Foi então que eu vi A Vida de Pi.

Me arrependo de não ter visto justo esse filme no cinema (XP). Além de ser lindo visualmente, A Vida de Pi toca em uma porção de assuntos que nos alcançam em nossas emoções e anseios basilares. Espiritualidade, religião, fé, lealdade, amor, solidão, superação... por fim, humanidade. 

Não sei se o filme me emocionou tanto por conta da época em que assisti ou por causa da minha história de vida (faz diferença sempre, não?). Só sei que, logo no início, foi bastante fácil me identificar com a figura simpática de Pi. Assim como ele, eu também gosto de conhecer e entender todas as religiões, e tenho uma concepção meio universalista das coisas. Deus Cristão? Beleza. Buda? Beleza também. Grande Espírito? Que maravilha. Alá? Conte-me mais sobre isso. Quero saber. E que haja paz entre nós. 

Lá para o meio, eu me peguei pingando de lágrimas. Porque percebi que Pi fala muito sobre desprendimento, sobre despedidas, sobre desapego. Sobre dar valor ao que realmente importa. Puxa, eu acho que isso nunca fica velho. Ainda mais quando a mensagem é passada com tamanha sensibilidade. 

"Acho que, no fim, a vida inteira se torna um ato de desapego, mas o que sempre fere mais, é não ter um momento para dizer adeus".

Há poucas coisas mais verdadeiras do que essa frase, dita lá para o fim do filme. Foi assim que Pi me conquistou, e me tocou demais.

As dores, as perdas, seja lá quais forem, do jeito que forem, doem mais quando não se pode dizer adeus. Quando a roda da vida parece travar, e ali fica um sentimento de que alguma coisa ficou incompleta. De que não se viveu, disse, ou sentiu tudo o que se podia em algum momento, com alguma pessoa. Pior ainda é quando essa oportunidade nos é tirada sem que tenhamos previsto, pedido ou quisto.

Mesmo assim, no fim de tudo isso, há tempo para viver de novo, para recomeçar, para entender. Para guardar com carinho coisas boas e olhar para aquilo que nos faz humanos: amor, fé. E que sejamos sábios para não desperdiçar esses sentimentos com quem não tem capacidade de compreende-los ou respeitá-los. Porque o tempo é curto. Pode acabar amanhã.



(como vocês podem perceber, isso não foi uma resenha. Foi um texto bem parcial e emocional, portanto, assistam o filme por conta e risco XD. Eu recomendo! Também digo que o filme fala sobre mais do que isso. Mas aqui temos um "recorte".).

10 comentários:

  1. Nossa, faz tempo que quero assistir...agora quero ainda mais. :)

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    1. Vale a pena, André. Pelo menos eu achei. É um filme lindo.

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    2. Fiquei com mta vontade de ver tb! Li, não poderia concordar mais com o q vc disse sobre religião. Poucas pessoas parecem entender, mas eu tb tenho essa visão bem abrangente das coisas... tendo a me identificar mais com o q é espiritualizado do q com o q é religioso, sabe?
      Agora quero msm ver o filme rs
      =)

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  2. Esses dias estava conversando com o Thales exatamente sobre esse assunto. Acho que esse filme foi o único que realmente me emocionou nos ultimos tempos, daqueles que vc sai do cinema e continua a refletir sobre ele por mais um tempão. Acho uma pena ter tantas opções de salas de cinema e não ter um filme que vale a pena assistir =P (sem contar na quantidade absurda de filmes dublados).
    Reforço a recomedação, o filme é lindo e vale cada segundo =)

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    1. Nossa, Angela, foi a mesma coisa que eu falei para o Matheus na quarta-feira :D. Nós fomos assistir Wolverine Imortal e eu comentei que o último filme que havia realmente me emocionado tinha sido A Vida de Pi. Foi um filme que me deixou pensando por dias, com uma sensação de paz, de temperança.

      É realmente triste ver que o cinema está se reduzindo ao mais do mesmo, àquilo que é lucro certo: continuações, adaptações, remakes... e é ridículo que seja difícil, hoje em dia, conseguir assistir um filme legendado!

      Sim, eu também acho que o filme vale cada segundo!

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  3. nuss, faz um tempão que quero assistir o filme, peguei o livro para ler, e acabou não rolando e abandonei (heresia, eu sei), mas quero persistir e ler antes de assistir.
    gostei da crítica.
    bjos

    jack do My Book Lit

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    1. Oi, Jacqueline, que bom te ver por aqui!

      Ah, por vezes a gente não está no clima para ler um livro ou assistir um filme, por mais maravilhoso que seja. Não é heresia não. Eu acho que temos que estar no momento certo.

      Leia e assista sim, quando puder. Vale a pena. A história traz uma mensagem linda, e que é passada de uma forma muito sensível. Eu adorei!

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  4. Eu também adorei o filme, que vi no avião. Mas (sem querer ser estraga-prazeres) aproveito para recomendar que vocês leiam "Max e os Felinos", do grande Moacir Sclyar, livro no qual o Yann Martel se baseou para escrever o Pi.

    Plágio descarado? Não sei, não li o livro de Martel. Acredito que o estilo narrativo seja outro, o roteiro também. Mas ele admitiu ter usado a ideia central e ainda disse que foi "uma grande ideia trabalhada por um escritor menor".

    Convenhamos que se apoderar da ideia de outra pessoa e ainda fazer pouco dela não torna maior o Martel nem como escritor nem como pessoa.

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    1. Ana, a minha grande birra com A Vida de Pi era exatamente essa. Foi por isso que eu não assisti o filme no cinema. Achei a declaração do Martel nojenta, e prometi que ao livro eu não leria (que drástica XD). Não li mesmo o livro, mas não aguentei e assisti o filme. O fato foi que ele me tocou tanto que acabou suplantando a minha birra, eu decidi simplesmente deixar para lá essa história toda e admitir que naquele momento da minha vida, Pi foi um bálsamo e uma grande ajuda. Quase um sentimento de gratidão mesmo, pela ajuda praticamente "espiritual" que o filme me prestou. Mas continuo achando o Martel um bobão XD.

      Eu gostaria muito de ler "Max e os felinos", e um dia o farei :).

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  5. Este é um filme muito bom, que todos deveriam assistir pelo menos uma vez. Realmente nos faz pensar...

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