quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Escritor Superstar

Lembram desse carinha? THE WORLD NEEDS WANNABES!
Saudações, queridos leitores! Hoje venho aqui para tratar de um assunto que me pegou de surpresa dia desses, e isso porque quero dividir com vocês meu ponto de vista e também ouvir e trocar opiniões.

Vamos então começar do começo. Há mais ou menos duas semanas, o escritor brasileiro de fantasia Raphael Draccon deu uma entrevista com algumas declarações "polêmicas" que dividiram opiniões. Para quem quiser ler a matéria (aconselho, para entender o que aconteceu), o link está AQUI. Resumidamente, Draccon, que também é diretor do selo Fantasy, da editora Casa da Palavra, disse que a era dos escritores reclusos já acabou, que Rubem Fonseca hoje não seria publicado e que "é preciso que sua história de vida e sua personalidade sejam tão impactantes quanto a fantasia que você criou". Outras partes que me chamaram atenção serão transcritas abaixo:  

"Draccon reforça a importância da comunicação na vida de um aspirante a escritor. Sua dica é que o candidato crie um público através da internet, através de blogs ou podcasts, por exemplo, antes de procurar uma editora. O próprio coordenador do selo Fantasy encerrou o recebimento de exemplares originais em seu escritório". 

"Participo de eventos de literatura de fantasia no Brasil todo e estou sempre acessível na internet. Se o cara ainda não chegou até mim, é porque ele não está pronto para o mercado - diz".

 "Mas esse é só o primeiro passo. O segundo estágio é ter todos os seus perfis na internet minuciosamente analisados por Draccon e a equipe de redes sociais da Casa da Palavra. - Fazemos uma varredura da vida online da pessoa. Se houver um post sequer dela falando mal de outro autor ou comprando briga na internet, ela é cortada na hora - avisa".

Como eu disse, o texto dividiu opiniões. No twitter, as primeiras opiniões que eu vi foram as contrárias às declarações do Draccon - e eu faço parte desse time. Explico meus motivos daqui a pouco. 

Depois, surgiram os que o defenderam, e o próprio Draccon publicou um texto em seu blog se retratando e lamentando que suas palavras tenham sido distorcidas. Para mim, sua retratação só continuou corroborando o que ele já tinha dito, apenas em uma roupagem mais "leve". 

Esperei um tempinho para que a "polêmica" passasse até escrever esse texto. 

Primeiro: não tenho nada contra a criação de blogs, podcasts, perfis em redes sociais e outras coisas por parte de escritores. Eu não sou uma "escritora reclusa", não sou uma pessoa que quer passar o dia inteiro trancada dentro de casa, sem ver ninguém e nem falar com viva alma. Eu gosto de gente (até certo ponto, mas gosto), eu sou uma pessoa até mesmo extrovertida, para falar a verdade. Mas eu acredito que certos limites devem ser respeitados e os respeito. Evito expor detalhes de minha vida pessoal, não sou muito fã de exibir fotos e mais fotos na rede, e acho que o foco de qualquer coisa que eu faça na  na internet deva estar no meu trabalho, no que eu faço como "escritora", e não como "Liége". É claro que por meio da "escritora" vocês conhecem uma parte da Liége, mas eu me foco no Enigma da Lua, e não na construção da minha imagem pessoal.

Até mesmo por isso nunca quis montar um blog da "Escritora Liége". NADA contra, nada mesmo. Sério. Mas eu não consigo me sentir confortável com a ideia, sabe? Prefiro um blog do Enigma da Lua. É isso que eu quero promover. Eu não quero me promover, quero promover meu livro!

Talvez isso se deva ao fato de que, ao longo dos anos, eu passei a desgostar do culto à celebridade que o ser humano tanto gosta de fazer. Não entendo muito essa necessidade de cultuar pessoas, de se ter ídolos perfeitos, de repetir opiniões de alguém, de buscar incessantemente um modelo a se seguir. Tudo bem, todos buscamos modelos de vez em quando, todos temos referências, e isso é natural. Mas seria melhor se essa busca fosse feita com consciência, sempre, e não com idolatria cega. Imagens são sempre, sempre manipuladas e manipuláveis. Nós precisamos tomar cuidado e pensar por conta própria.

"Mas Liége, onde é que você quer chegar?".

Bem, a declaração do Draccon me incomodou não porque ele tenha dito algo que de repente "acendeu uma luzinha" em mim. É porque ele disse algo que reflete o que tenho visto em minha vida inteira: culto à vaidade e critérios de seleção injustos.

Sim, são injustos. Não venham me dizer que não são. Fica claro, claro como água, que a notoriedade na rede, que a "fama", tem um enorme peso na editora do sr. Draccon, e em outras também. Que ele investe em pessoas e suas imagens tanto quanto ele investe na obra (ou mais?). O autor deve ser vendável. Foi-se a época em que você sabia o nome de um livro mas nem lembrava quem havia escrito! Que nada. O nome do autor é uma marca. É chamariz, e não por causa de sua obra, por causa dele. "Veja, mais um livro do fulano"...

E não, isso não é mesmo novidade. Vi um monte de gente falando que quem havia criticado o Draccon era "ingênuo" e vivia em um mundo cor-de-rosa. Que mercado editorial é isso aí. Que quem "não sabe brincar, não desce pro play". "Ele não falou nada além da verdade".

O pior é que é isso mesmo. Draccon não falou nenhuma mentira. Ele expôs algo que acontece o tempo todo, em muitas e muitas áreas. Mesmo naquelas em que isso não deveria importar.

Eu não vivo em um mundo cor-de-rosa. Eu vivo no mundo real, onde a gente precisa trabalhar, cuidar da casa, corrigir prova, visitar a família, lavar banheiro, ESCREVER, e não tem tempo de ficar o dia inteiro construindo uma imagem na internet. Onde a gente tem que trabalhar para construir uma vida inteira, e não só para pagar viagem para "amadurecer" (eu amadureço sem viagem mesmo, fazer o quê, né) e promover livro. Não dá. Simplesmente não dá. E mesmo que desse, quem me garante que eu conseguiria alguma coisa com isso mesmo assim?

Eu e todo o meu carisma. XD
Eu não sou carismática, não sou engraçada, tenho opiniões comedidas, não sou linda, nem gostosa, nem super articulada, nem o escambau. Sinceramente, se eu fosse me meter a fazer coisas na internet por aí, temo que sairia algo desastroso. Tenho certeza que eu ficaria pior do que o carinha da música "Pretty fly (for a white guy)". Uma total "wannabe". Além disso, tenho timidez, caramba! Vergonha mesmo de gravar minha voz, de aparecer em um vídeo. E daí?

E daí que você precisa ser desenvolto, meu caro aspirante. Desenvolto com o público. Dar palestras, falar com todo mundo, promover o seu livro, e, mais ainda, se promover. Ter história de vida heroica, ter brilho nos olhos, ter lindas pernas, quem sabe? Porque a editora não vai fazer o trabalho sozinha, aliás, a editora parece querer as coisas já meio prontas. Autor, venha já com seu público-alvo montado! Com expectativa de venda de 934398034039409 exemplares, com 2943943943030314874 seguidores na rede... com dinheiro e tempo livre para viajar bastante para lançamentos, para palestras, para tudo o que aparecer, ok? O nosso trabalho é imprimir e distribuir, nem o marketing a gente quer precisar fazer... por isso mesmo que a gente já investe no que vem de fora e que já tem fama. Pronto. (Desculpem-me as editoras. Não estou falando que é fácil ter uma editora, e sei que nem todas trabalham assim. Nada disso. Mas é complicado do nosso ponto de vista - de autor iniciante ferrado - também).

Mais fácil contratar um "popstar" da rede mesmo, não? Pra que a editora contrataria uma maria ninguém como eu? Ou como um monte de gente talentosa pra caramba que eu conheço nessa blogosfera? Gente, vocês não dão lucro não! Tão pensando que talento basta, meninada? Que escrever basta? NÃO BASTA. Aprendam isso, ou senão serão tachados de ingênuos.

Olha, eu entendo a lógica. Entendo mesmo. Mas não é porque algo é comum e lógico que esse algo é certo. Justo. E eu não sou obrigada a concordar com isso. Sou ingênua? Sou retrógrada? Vivo nos contos de fada? Pode até ser. Mas na minha opinião, é essa "lógica" levada às última consequências que publica livros de gente como Geysy Arruda e Edir Macedo.

Além de tudo isso, seja cordato. Não desça o pau em ninguém, hein? Porque, se a editora investiu em uma imagem, não pode haver espaço para que essa imagem seja criticada, desconstruída, questionada. Não é rentável. Questão de lógica, não?

E não estou dizendo isso a toa. Na época da polêmica "ousei" retuitar a opinião de um amigo, e o autor do livro em questão, que foi mencionado, veio me "cobrar" uma postura melhor. Pedi desculpas, mas mesmo assim no outro dia veio uma pessoa que nunca conheci dizer que minha postura era "triste, triste". Que gozado. Para ajudar, para comentar o que a gente escreve, ninguém te acha tão rápido assim. A gente só é notado quando "ousa" falar alguma coisa que incomoda. Será que esse seria um caminho para ser uma celebridade na web? XD

Bem, para finalizar, logo depois da entrevista do Draccon, sai a notícia de que ele e a esposa, Carolina Munhoz, iriam participar de um reality show - um que exibirá a rotina do casal: "série pretende mostrar o dia a dia dos autores popstars; da criação ao lançamento dos livros".

~Autores popstars~.

Sei lá. Não orna. Não combina. Não desce.

Eu ainda acho que a obra, o livro, deveria ser mais importante. Eu ainda acho que escrever deveria ser mais importante. Que personagens, e não autores, devem se tornar famosos (ao menos primeiramente). Será que estou tão errada assim?

E vocês, o que acham sobre isso?

(Um adendo: para quem quiser ler dois textos muito mais eloquentes e que expressam a minha própria opinião sobre isso de maneira melhor, cliquem AQUI e AQUI).

(Outro adendo - eu já li O inverno das Fadas, da Carolina Munhoz, que foi publicado pela Fantasy. Fiz uma resenha sobre ele AQUI). 

16 comentários:

  1. Hahaha, sim, és deveras carismática, além de muito linda, minha amada!

    Mas voltando ao assunto, concordo plenamente contigo. Este movimento de criação de ídolos é algo que se alastra como uma verdadeira praga na época em que vivemos.

    Podemos ver isto muito claramente no meio musical, onde o que importa é a aparência e pouca roupa da cantora/ cantores, e não a habilidade de cantar. Também observamos isto no cenário político vergonhoso deste país (acredito que todos se lembrem do circo que foi nossas eleições para deputados estaduais e federais).

    Infelizmente, esta prática fútil está se alastrando no meio literário também, o que, em minha concepção, é algo muito ruim.

    Algumas pessoas sabem disso, mas Tolkien era uma pessoa introvertida, que tinha vergonha de falar em público e criticava avidamente os "modernismos" da época, especialmente a moral de conveniência que pregava que algo que podia ser feito devia ser feito. Hoje, por esta ótica torpe que vemos no meio literário, ele (e vários outros excelentes escritores) jamais seria publicado.

    Uma realidade muito triste se pensarmos bem, porque neste mundo de hoje, não teríamos escritores como Tolkien, mas caso um artista como Tiririca desejasse escrever um livro, ele certamente seria publicado, independentemente do fato do mesmo não saber escrever. Irônico, não?

    Apesar de não apreciar este marketing pessoal que muitos escritores andam fazendo, seria errado rotular isto como algo simplesmente errado. Contudo, acredito que um autor deveria ser julgado e lembrado por seus TRABALHOS e não pelo tempo que investiu em promover sua imagem.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olha, Odin, eu tenho certeza que o Tiririca conseguiria publicar hoje XD

      É isso que me deixa triste. As pessoas podem até dizer que isso é ingenuidade de nossa parte, mas eu gostaria que esse tipo de critério ou "valor", sei lá, não se alastrasse por todas as áreas. Também acho que os autores deveriam ser mais lembrados por seus trabalhos, com certeza.

      Excluir
  2. Liége, adorei o seu texto! Acho que você se posicionou de uma forma clara e concisa em relação a essa polêmica toda.

    Eu também não gosto dessa ideia de superstar. Em nada. Nem na música, nem na literatura, nem na dança. Acho que devemos ter nosso trabalho como referência. Claro que ter blog, tumblr, twitter, youtube e etc ajuda na divulgação do livro (principalmente para autores independentes), mas o foco deve ser sempre aquilo que foi escrito, não a sua vida. Tanto que uma escritora que eu admiro muito é a J.K. Rowling que apesar de ser super famosa, sempre conserva um postura reservada. Toda entrevista que ela dá tem o foco em seu trabalho. A gente nunca vê a Rowling falando da sua vida particular.

    Acho uma besteira isso de culto à celebridade. Mas infelizmente nossa cultura está cheia disso. Cada vez mais.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Melissa!

      Sabe, eu adoro a oportunidade que a internet nos dá de "estar no mundo", divulgar nosso trabalho, conhecer pessoas... nossa, não tenho nada contra isso, sério mesmo. Mas acho que isso tem aumentado essa questão do culto à celebridade, e hoje as pessoas ganham fama relativamente rápido (e perdem muito rápido também, sejamos justos). Isso complica tudo. Porque torna as coisas cada vez mais frenéticas e descartáveis. Então fica difícil peneirar as coisas, começa a ficar difícil confiar em opiniões alheias, em avaliações... porque existe toda uma estratégia de construção de imagem, de "endeusamento" das pessoas mesmo (isso em todas as áreas), e é incrível como nós temos tendência a cair nessa armadilha fácil, fácil.

      Outra coisa que eu acho muito ruim nessa vinculação da pessoa à obra é que é óbvio que você vai ter mais dificuldade em criticar a obra. Se você gosta do autor, se ele é gente boa, bacana, simpático, você é amiguinho dele no facebook... não é mais difícil criticar o que ele faz? Claro que é? Você acaba levando as coisas para o lado sentimental, pessoal. Então, para as editoras, é ótimo que o público se afeiçoe ao autor. Você não vai criticar o seu amigo, ou o cara que você acha fodão, da mesma forma que irá criticar um total desconhecido. Na maioria das vezes, NÃO VAI.

      Também adoro a Rowling e acho a postura dela fantástica. Sem mais!

      Excluir
  3. Aaahhhhh!!! O MEU BONEQUINHO DO PATRICK!!!!! ^^

    Nossa, Li, eu tenho um igualzinho ao seu!!! Minha irmã (tosca) me deu de presente dizendo que se parecia comigo. Humph!

    Bom, voltando ao assunto, eu não sabia que o mercado literário tinha caído tanto a ponto de um editor falar tanta bobagem assim. E reality show com escritores??? Que coisa mais idiota! O que eles vão fazer? Ficar se agarrando enquanto recitam trechos dos seus livros um no ouvido do outro?! Desculpem a franqueza, mas reality show no Brasil é praticamente sinônimo de putaria, então não imagino qual é a destes dois. Pra mim, é só para chamar atenção mesmo.

    Nossa, fiquei muito chocada/revoltada/furiosa em saber que a coisa estava deste jeito. Com cinema, música e HQs vá lá, estas mídias já estão estragadas faz tempo, mas agora com livros também?

    Espero que esta m#*@a seja só uma moda passageira, porque se não, quem quiser escrever daqui para frente vai ter que passar mais tempo agindo como tonto na internet para chamar atenção do que produzindo sua obra, o que vai fazer chover Crepúsculos por ai.

    Beijos da Amanda indignada!

    PS: Li, não esqueci do seu conto não, viu? O que aconteceu é que meu noivo cancelou o cartão antigo dele e está esperando chegar o novo, mas prometo que vou comprar sim, pois quero muuuuuuuito ler!! ^^

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahaha, Amanda, esse bonequinho infelizmente-mente não é meu. Eu vi ele em uma loja de importados em Gramado, e queria comprá-lo, mas aqui no Brasil pelo menos ele é muito caro (cerca de R$ 60,00!). Então o Patrick ficou por lá mesmo :(

      Hahahaha, que sacanagem da sua irmã XD! Mas eu não posso falar nada, acho o Patrick a minha cara também, com essa carinha cor-de-rosa e gordinha, hehehe!! Mas eu juro que não sou tão burrita como ele.

      É, Amanda, esse pensamento tem crescido sim. O Draccon afirmou que essas são as regras da Fantasy particularmente, e que eles valorizam esse tipo de coisa, mas não são só eles não. Pude confirmar pelos comentários do pessoal que eram favoráveis a ele que esse pensamento é aquele que impera mesmo. Como eu disse lá no post: eu entendo os motivos lógicos. A editora é empresa e empresa quer gerar lucro. Mas eu entender não quer dizer que eu vá concordar. Não concordo. Mas, sou ingênua, né?

      Eu achei, sinceramente, o fim da picada esse negócio de reality show. Na minha opinião é puro marketing pessoal e só isso mesmo, pelo menos nesse formato. Acho que fazer um documentário ou algo nesses formatos seria muito mais sensato ou coerente. Mas, reality show chama mais atenção, né?

      Ai, Amanda, leia sim o conto. Quero saber o que você vai achar!!

      Excluir
  4. Post brilhante, Liàge, concordo com tudo o que você disse, não tem o que tirar nem por. Autores popstars? Não desce, não combina. E esse negócio de reality show me dá até enjôo. Não dá. Mesmo.
    Mas eu sou uma sonhadora, ingênua. Mesmo com tudo isso, ainda acredito que há espaço para leitores talentosos que não são estrelinhas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ai, Karen. Quando eu vi esse negócio de reality show e "escritores popstars" eu juro que deu até um desânimo. Também acho que não desce não. Mas... escolha deles, né? Que eles atinjam seus objetivos, seja quais forem.

      Eu também sou como você: ingênua. Acredito que as coisas vão se encaminhando, vão dando certo, do jeito que tem que dar, no tempo certo. Sucesso rápido e meteórico também é um caminho super arriscado. Cada coisa tem seus prós e contras, afinal. Por isso que a gente tem que fazer as coisas de um jeito que a gente goste e ache confortável.

      Excluir
  5. Sensacional!

    Deixei passar essa polemica. Meu contato com ela foi agora, através do teu texto. E praticamente não tenho o que acrescentar: concordo totalmente com a sua opinião.

    Engraçado. Eu meio que percebi uma "pressão" no autor Leonel Caldela, que lançou seu sexto livro pela editora Fantasy. Ele tinha só Twitter, e não era muito de se auto divulgar, como uma celebridade. Daí, criou Facebook e um site ─ mais ou menos na mesma época que entrou pra Fantasy...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Torinks, essa questão do Caldela que você trouxe é muito interessante. Eu também percebi que ele está bem mais exposto agora, e tenho quase certeza que tem a ver com a política da Fantasy mesmo. O Draccon deixou claro que eles exigem isso de seus autores. Então, o Leonel provavelmente teve de dançar conforme a música, né? É a política da editora.

      Excluir
  6. Puxa esse é mesmo um assunto polêmico e até difícil de se ter uma opinião, justamente por ser algo característico dessa época em que vivemos. Acho que consigo me colocar no lugar dos dois lados. Tanto da editora, que é uma empresa e que por isso fará o possível para fazer o investimento mais rentável obviamente, quanto do escritor independente talentoso, mas anônimo, que tem a oportunidade de publicar cada vez mais diminuida, ainda que seu trabalho seja tão bom ou por vezes superior a de autores publicados. Contudo já há algum tempo isso ocorre de outras formas. Antes mesmo de existir esse conceito de autor-espetáculo, de as redes sociais se tornarem instrumento para promoção do autor, existem autores ruins sendo publicados e autores bons no anonimato. Tudo devido ao poder de investimento, a contatos, a insistência ou porque a idéia parece mais vendável (como vampiros adolescentes que brilham). Realmente há muita injustiça nesse meio, como há em diversas outras profissões, infelizmente. Ainda assim também me coloco no lugar do cara que por ventura escreva bem, e que se tornou famoso na internet, e que talvez agora seja rotulado como autor-espetáculo, menosprezando seu esforço como autor. Sei lá, tipo a cantora Maria Rita, que é talentosíssima, mas muitos afirmam que está lá por causa de Elis Regina.
    Enfim, acho tudo isso muito complicado. O fato é que existem autores anônimos péssimos e autores anônimos incríveis . E autores espetáculo péssimos e autores espetáculo incríveis. Falta conseguir levar, de alguma forma, esses talentosos escritores pouco conhecidos às estantes pois obras ruins publicadas sempre existiram e continuarão a existir...então que pelo menos o número de boas obras cresça...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Certamente que injustiças sempre existiram, André, e é impossível que isso deixe de acontecer.

      Como eu disse lá no post: eu entendo sim o lado das editoras. Eu entendo aquilo que é lógico. E acho que não há problema nenhum em publicar alguém que é badalado na internet! Mas tornar isso uma condição sine qua non pra ser publicado complica. Complica mesmo. É algo característico dessa época? É. Mas não é porque é característica da época que pode ser classificado como certo ou mesmo justo (pelo menos não em todos os casos). E por mais que injustiças sempre aconteçam, seria estranho pedir que nós as percebêssemos e as aceitássemos porque "é assim que as coisas são". Obviamente não é isso que você está dizendo, eu entendo seu ponto de vista, mas tem gente que praticamente tirou sarro das pessoas que discordaram do Draccon, como se fossem apenas autores "recalcados" que não conseguiram publicar e estão com inveja de quem está no topo. Oh, gente. Não é bem por aí. Existe um grau de bobeira no que ele disse sim, principalmente quando ele afirma que o cara que não chegou até ele "não está preparado para o mercado". Como se ele tivesse condição de avaliar e prestar atenção em tudo o que está na rede, e como se tudo estivesse centrado nele. Sei que pode ter sido uma declaração fora de contexto, mas que soou meio estranho soou. E me pareceu muito estratégico ter dado uma entrevista dessas dias antes de anunciar seu próprio reality show.

      Quanto à injustiça de ser um autor bom e esforçado e ser tachado de "autor-espetáculo", eu concordo com você. É injusto mesmo. MAS, ao menos essas pessoas estão sendo publicadas, estão sendo lidas, e para cada um que fala mal desse autor, há mais dez que o adoram e que o defenderão com unhas e dentes. Sinceramente, eles estão em melhor condição do que os anônimos excelentes por aí. E acho quando você vincula a imagem do autor à obra, é muito mais fácil que ele leve uma crítica pessoal, infelizmente.

      O que eu temo é que essa busca pelo lucro mais fácil e garantido torne a literatura nacional imatura, insípida. E que fique claro que eu não considero a minha obra uma das "obras injustiçadas" que não foram publicadas e blá-blá-blá. Eu acho que falta muito chão ainda para eu ter condições de ser publicada. Só gostaria que o mesmo nível de exigência que é usado para recusar anônimos nas editoras fosse utilizada com as pessoas famosas também. A avaliação não deveria ser diferente - talvez a atenção sim, eu entendo que essas pessoas cheguem mais facilmente à uma editora, a um editor. Mas a partir daí eu acredito que a avaliação da obra deveria ser mais importante.

      Excluir
    2. Com certeza Liége, concordo com tudo o que disse... E não acho que devemos nos conformar ou aceitar tudo isso...

      Mas eu acho que isso tudo mais me entristece do que me irrita, pois é essa a realidade que, certa ou errada, enfrentamos. Falando da minha própria área, em um mundo onde as farmácias (supostos estabelecimentos de saúde que deveriam prezar pelo bem estar das pessoas) devem bater metas de venda, em detrimento da saúde da população, imagina o que não ocorre no ramo da cultura/entretenimento com o objetivo do lucro.

      Mas assim como você , muitos outros escritores e acredito que várias editoras também não pensem exatamente dessa forma e ainda publiquem histórias principalmente pela sua qualidade. O problema é que essa nova "onda" (que pode durar ou não, pois tudo que é em excesso traz consequencias e leitores críticos começarão a perceber esses problemas) estreitou ainda mais o funil aos escritores independentes. Pode ser apenas uma fase que a literatura nacional está passando. Não é a toa que cada vez mais as pessoas estão contribuindo e recorrendo a projetos de crownfunding independentes, na tentativa de adquirir ou desenvolver um produto interessante, de qualidade e menos comercial.

      Excluir
    3. É verdade, André, isso também me entristece. Mas acho que, como uma boa libriana, aquilo que eu julgo como injusto sempre me revolta XD. Isso que você falou sobre a sua área é um absurdo e toda essa discussão aqui reflete aspectos muito mais sérios dessa busca desenfreada pelo lucro.

      Mas é isso que você falou: as pessoas buscam e encontram outros caminhos. Temos que tentar fazer as coisas do nosso jeito, e se não der certo... valeu a tentativa!

      Excluir
  7. Ótima postagem, Liége. Quando comecei a ler, pensei o seguinte: Ela está escrevendo tudo exatamente sobre o medo que venho sentindo ao longo dos anos depois que publiquei o Amberblades 1 pelo Clube de Autores.

    E por que medo? Sempre tive receio de ter que me adequar a essas coisas que o povo inventa pra poder divulgar meu material. E ter que fazer o que "ditam como certo" sempre soou assustador pra mim.

    Lógico que se a gente não divulgar o que produz, ninguém vai ficar conhecendo. Porém, concordo plenamente com você. Acho que não precisamos chegar nessa de escritor popstar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Gisele, eu também tenho esse "medo" de ter que ser ou fazer o que ditam para conseguir alguma coisa, ou, em última instância, "ser aceito". Me deparo com esse tipo de coisa desde criança.

      E sabe o que me deixa mais revoltada? É quando todo esse circo se reveste de "meritocracia". "Só os melhores estão aqui". Mentira! Não são os melhores, são os que mais se adequam ao seu padrão! A mesma coisa acontece no mercado de trabalho em várias outras áreas.

      Excluir