sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Refletindo: o que eu esperava e o que realmente foi O Círculo dos Sete

Nuvara: um desafio para mim.
Saudações, queridos leitores! 

Como eu havia dito na postagem anterior, a partir de agora vou ficar falando sozinha publicar aqui no blog alguns posts sobre o processo de escrita de O Círculo dos Sete. Afinal, foram dois anos convivendo com esse livro, com seus desdobramentos e com o que ele trouxe para a história de O Enigma da Lua como um todo e para seus personagens. 

Primeiramente, eu devo dizer que eu tinha algumas expectativas para esse livro. Bem, eu sempre tenho na minha cabeça um esqueleto do que eu quero para a história, mas os detalhes e o "recheio" vão surgindo no momento da escrita mesmo. É como se eu tivesse os ingredientes todos, mas para fazer o bolo tenho que combiná-los para que a massa dê liga. E dessa vez, acho que ao invés de ter o bolo que eu esperava, me vi assando outro, porque combinei os ingredientes de forma diferente. 

"O Círculo dos Sete" foi planejado para ser o último livro da série de O Enigma da Lua. Eu não sou uma grande fã de séries intermináveis e não tinha pretensões de fazer uma trilogia. Acreditei que terminaria a história toda em dois livros, e pronto! 

Essa foi a primeira expectativa quebrada. Vi que não conseguiria terminar tudo no segundo livro. Poderia até ter feito isso, mas teria ficado um livro extremamente corrido e superficial. O "recheio" do bolo foi crescendo, e percebi que eu tinha que apertar o freio, me conter. O que eu mais gosto em um livro é de um bom desenvolvimento, que me dê tempo para me apegar aos personagens e acreditar que tudo o que está acontecendo é "real" dentro daquele mundo. Não consigo me sentir assim com histórias corridas, apressadas, e não desejei isso para o meu livro. É claro que não sei se o ritmo que eu adotei vai passar aquilo que eu quis passar, mas ao menos eu posso dizer que tentei. 

Veio, então, a decisão de dividir o livro em questão em dois, ou seja, fazer um terceiro livro. Mas é claro que isso trouxe também seus problemas. 

Eu imaginei um livro 2 com mais ação, descobertas e batalhas, porque o primeiro livro já tem um caráter bastante introdutório. Então, eu queria que esse mostrasse mais os personagens "botando a mão na massa". Bem, é claro que nós temos ação, e eu diria que no começo o livro é até bem agitado. Mas quando cheguei em Nuvara com os personagens, eu percebi que precisaria apresentar aquele novo mundo. Um dos conselhos que recebi de leitores do primeiro livro foi o de desenvolver mais meu mundo e melhorar minhas descrições. E senti que precisava dar uma atenção especial para Nuvara e para o que aconteceria lá, ou senão correria o risco de criar um lugar insípido, sem vida própria e pouco crível para os leitores. Apenas um "check point" para os personagens. E não era isso que eu queria, não mesmo! 

Portanto, tivemos um livro com um pouco de ação, mas também com outras coisas. Procurei desenvolver os personagens e o relacionamento entre eles, mesmo porque para mim isso é bastante importante. Em questão de romance, por exemplo, acho ruim quando os personagens se apaixonam do nada e de repente já fazem juras de amor eterno. No caso da Elora e do Laucian, por exemplo, a gente sabe que eles já se conhecem desde pequenos e que sempre foram amigos, então introduzir um romance entre eles é mais fácil. Mas outros personagens precisavam de tempo e coerência em suas relações. Além disso, tinha que haver amadurecimento deles como pessoas. 

Sendo assim,  o livro ainda tem um pouco de clima de "preparação". Não é como o primeiro, mas também não é o livro mais agitado que pensei que seria. Fico sinceramente com medo de que algumas pessoas possam achá-lo arrastado, mas eu também acho que quem gosta de desenvolvimento de personagens vai curtir. Sei lá. Tudo é tão incerto, gaaaah!

Uma coisa engraçada que notei é que é muito complicado monitorar a sua escrita em uma história na qual você está tão envolvida. Constantemente, eu me deixava levar pela história e mergulhava ali, com tudo. O problema é que é preciso ficar com o pé no chão para evitar coisas que vão desde incoerências na história até erros de ortografia e repetição de palavras e estruturas em um mesmo parágrafo. Percebi que consigo fazer isso até que bem em um conto, mas em um livro, a coisa é mais complicada... então.... peço desculpas adiantadas. Eu sei que o livro não está perfeito em questões de linguagem, estilo, e talvez até de história, mas eu procurei me esforçar bastante para entregar algo que possa entretê-los e envolvê-los. 

Por último, algumas revelações que eu planejava fazer nesse segundo livro vão ficar para o terceiro. Percebi que ficaria muito melhor deixar algumas coisas para mais tarde. Mais natural. Espero ter acertado na minha escolha!

Bom, pessoal, por hoje é isso. Espero vê-los por aqui comentando e espero que esse post possa despertar um pouco a curiosidade de vocês. Ah, e em breve o livro já estará na Amazon! Cadastrado já está, graças à Karen Alvares que me salvou e fez a diagramação para mim no programa infernal Calibre (mentira, sou eu que não sei lidar com ele porque sou inepta). Ela é uma moça esperta, e além de tudo isso, tem um coração muito generoso, pois se propôs a me ajudar no meio das minhas lamentações no twitter. Obrigada, Karen, essa atitudes valem o mundo para mim, e jamais as esqueço!

Bem, até breve, pessoal! Volto logo XD. 

7 comentários:

  1. Ah, Liége, que fofa você! <3
    E você não fala sozinha! Gaaaaaaaaaahhhh! hahahahaha
    Meow, é meio a história que manda na gente, né? Você vai escrevendo e quando vê, o negócio vira um organismo vivo e você tem que sambar para lidar com aquilo que tá virando.
    Mas acredito que você tenha tomado as melhores decisões.
    Bem, eu não li o livro, mas vi enquanto mexia nele para configurar e tá muito legal, com as passagens de momentos com detalhes e as ilustrações, e UAU, é enorme! :D
    Parabéns! Conviver com um livro por dois anos não é fácil. Imagino que tu deva estar muito feliz por colocá-lo no ar. ;)
    Beijão!

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    1. Hahaha, agora eu sei que não estou falando sozinha, Karen, porque alguém viu o post XD! Mas não me importo, em casa falo sozinha o tempo todo (a louca).

      Sim, sim, é a história que manda na gente! Fiquei impressionada em ver o quanto isso aconteceu nesse livro. Os personagens realmente ganharam uma certa viva, o lugar parecia mais real... essa sensação ficou bem forte, principalmente no final. Fica difícil lidar com aquilo mesmo, parece que está saindo do controle! É coisa de louco!

      Ai, Karen, que bom saber que o livro está com uma "carinha" boa. Tentei fazer passagens bacanas, e as ilustrações da Angela.... *_*... sei que são um grande adendo, e fico grata por poder contar com o trabalho dela, muito competente e sempre querida.

      Ficou enorme mesmo, né? Sim, eu esto muito feliz, mas feliz e apreensiva, hahaha!

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    2. Este foi um livro enorme mesmo, provavelmente o maior da trilogia.

      E Karen, quero aproveitar para agradecê-la muito por ter resolvido o problema que a Liége estava tendo ao colocar o livro na Amazon. Você não faz ideia do alívio que ela sentiu ao ter sido socorrida e em sua alegria por ver uma conversão tão bem feita do livro.

      Obrigado mesmo.

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  2. Essa quebra de expectativas é a coisa mais normal do mundo! Temos todo um universo dentro de nós e é impossível traduzi-lo em poucas palavras. O segredo é planejar bem a forma como organizamos e contamos nossas histórias, para que em cada uma delas haja a dose perfeita (ou quase) de ação, narrativa e descrição.

    Tenho certeza de que este livro estará ainda melhor que o primeiro e que curtirei muito sua leitura. Parabéns por ele e boa sorte.

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    1. É verdade, né, Ana? Acho que é uma coisa bem normal mesmo, pois afinal, nós temos um mundo, uma história acontecendo dentro desse mundo, personagens crescendo nisso tudo... pela Deusa!

      De vez em quando, eu sinto que a história me escapa um pouco pelas mãos, e sinceramente, eu não sei se eu dosei tudo bem! Mas tentei! É como você disse, o importante é ter cuidado coma história e tentar planejá-la da melhor forma possível!

      Espero que esteja sim melhor do que o primeiro, Ana! Obrigada pela sua visita e seu comentário! Estou ansiosa para saber a sua opinião (e que o segundo livro do Castelo logo, gaaaah!).

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  3. Liége, eu adoro essa sua postura de sempre focar em melhorar seu trabalho. Tenho certeza de que esse livro amadureceu sua escrita e estou muito curiosa pra ler.

    Eu sempre morro com as ilustrações da Ângela. Elas são lindas demais! Um dia, quando eu tiver dinheiro, quero que ela ilustre um banner pro Livros de Fantasia... * sonho *

    Então, sobre escrever. Realmente, às vezes somos pegos de surpresa pela história que vai nos levando para caminhos desconhecidos. E o legal é ver que o resultado é bem melhor do que pensamos primeiro!

    Eu também primo pelo desenvolvimento de personagens, não importa se estou lendo ou escrevendo. Prefiro um livro maior mas que me faça acreditar naquelas pessoas, naquela jornada, do que um livro curto cheio de ação mas que não me convença. E a primeira pessoa que temos que convencer somos nós mesmos!

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    1. Puxa, Melissa, obrigada. É algo bem sincero, eu tenho um desejo muito grande de melhorar mesmo. Nem sempre as coisas saem do jeito que eu queria, mas sinto que, aos poucos, minha escrita está ficando mais fluida. Tem muito o que melhorar ainda, mas não dá para melhorar sem escrever XD, então... escrevamos!

      A Angela é demais, não tenho palavras para descrever esses desenhos. Nossa, um banner do Livros de Fantasia com ela ia ficar demais!!

      Isso é verdade, Melissa! Senti que o resultado da reescrita ficou bem melhor, e é muito engraçado como era a história que me conduzia, e não o contrário. Eu me preocupei bastante com a questão dos personagens e do desenvolvimento dos conflitos, dessa vez, e espero que tenha funcionado. Já tem duas pessoas lendo, e me disseram que estão gostando bastante! Iupi!!! E é verdade isso. A primeira pessoa que temos que convencer somos nós mesmos, e eu tentei me convencer nesse segundo livro. Ficava o tempo todo me perguntando: isso aconteceria mesmo? Fulano agiria mesmo dessa forma? Isso aqui não ficou forçado demais? Chega a ser desgastante, mas vale a pena!

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