quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação da Sutileza

Preciso começar esse post com alguns esclarecimentos. Eu estava planejando uma outra postagem, mas não me aguento e gostaria de dar o meu pitaco sobre a segunda parte de O Hobbit - chamada "A Desolação de Smaug". Mas antes, gostaria de dizer que isso é uma opinião, muito, muito sincera da minha parte. Não tenho "birra", não tenho nenhum orgulho ou alegria por não ter gostado desse filme. Muito pelo contrário, eu queria muito ter gostado, adorado, amado, mas não foi isso que aconteceu e os motivos estão bastante claros na minha cabeça e referem-se também a gostos pessoais, embora não apenas. 

Esse filme tem sido defendido como a maravilha das maravilhas do cinema, Peter Jackson foi elevado a um pedestal que sinceramente não entendo, e quem critica é tachado de "purista", chato, feio, bobo, cara de melão, "por que você não faz melhor". Gostaria de fazer um apelo às pessoas: por favor, leiam textos e comentários antes de qualquer coisa, e interpretem justamente. Analisem argumentos e procurem compreender por que algumas pessoas podem gostar ou não de um filme, livro, história, etc. É direito das pessoas assistir ou ler algo, não gostar e comentar sobre isso. Não entendo essa cegueira que acomete as pessoas em relação a algumas coisas, em especial no campo do cinema (primeiro filme do Thor, alguém lembra?). Comento isso por ver o terrível nível das discussões em fóruns e críticas acerca de O Hobbit. Qualquer um que ouse criticar o filme ou as escolhas narrativas de Peter Jackson, por mais educado que seja, é tachado de chato/xingado, "IN PETER JACKSON WE TRUST, GAAAAAH, CALA A BOCA SEU FEIO". Mas eu não tenho nenhum pacto com o Peter Jackson, não devo devoção ou adoração a ele, e nem nada. Aliás, as pessoas esquecem que ele está prestando um trabalho, um serviço, que ele ganha dinheiro em cima de seu público e o feedback que recebe, tanto positivo quanto negativo, é absolutamente normal, e é saudável ouvir os dois lados. Capisce? E se for para admirar uma pessoa em primeiro lugar por essas histórias, eu escolherei Tolkien, e não Peter Jackson. Tô me coçando pro PJ, sinceramente. Torço para que ele faça um bom trabalho em cima de um texto que já é bom, e só, não sou adoradora dele, e acho que ninguém deveria ser. 

Mas vamos ao comentário. Vou começar chovendo no molhado. Sim, os cenários, a fotografia, tudo está lindo, como sempre. Isso o Peter Jackson e sua equipe sabem fazer e ele conta também com as paisagens lindas da Nova Zelândia. O dragão Smaug é realmente impressionante, sua voz é de fazer qualquer um tremer nas bases e cagar tijolinhos, embora minha criatura computadorizada preferida da Terra-Média ainda seja o maravilhoso Balrog de A Sociedade do Anel (♥), mas isso é irrelevante.

Confesso que comecei o filme gostando de como a coisa estava indo. O início ainda fazia uma ponte com "Uma jornada inesperada" e carregava um pouco do clima do primeiro filme. Gradativamente, a película foi mudando o tom, quando os anões adentraram a Floresta das Trevas e Gandalf resolveu partir depois de uma comunicação telepática nada sutil entre ele e Galadriel. Infelizmente, Beorn aparece em uma ponta pequenina demais. Digo isso porque o filme teve bastante plots absolutamente desnecessários e bastante longos (mas superficiais), então senti falta de mais Beorn na tela. As participações élficas foram tão prolongadas, não custava ter se demorado um pouco mais na caracterização de Beorn... mas enfim, até então, tudo bem, coisas de adaptação para os cinemas. Não espero que tudo seja igual ao livro - acreditem - e sei muito bem que isso não é possível e nem mesmo aconselhável. 

Quando chegamos à Floresta das Trevas, temos uma sequência interessante com as aranhas e certa demonstração da influência do anel sobre Bilbo. Aqui ainda tinha impressão de que o protagonista da história era Bilbo e em segundo lugar a comitiva dos anões. Eis que surgem os elfos da floresta das trevas e Legolas, em todo o seu esplendor platinado, maquiado ao extremo, e com a lente de contato azul mais artificial e incômoda que eu já vi. E surge também Tauriel, a elfa guerreira, que nem de longe foi o que mais me incomodou nesse filme (e eu achei que seria...). 

É a partir desse momento que as coisas começaram a degringolar para mim. Peter Jackson vai inserindo várias subtramas na história, que, se podem ser interessantes isoladas e bem desenvolvidas, não o são nesse formato. Bilbo, o personagem cujo crescimento e amadurecimento deveria ter sido mais explorado, some em meio a tantos cortes que ora mostram o estranho e artificial triângulo amoroso entre Tauriel, Kili e Legolas (e olha, chato como o Legolas está nesse filme, e com um sogro como o Thranduil, eu bem entendo a moça se interessar pelo anão, viu...), ora mostram os problemas políticos da cidade do Lago de uma forma bastante rasa. Não, eu não espero uma profundidade enorme em um filme de ação e aventura, mas já vi muitos blockbusters com tramas mais bem construídas e que prendem. O problema aqui é que os cortes são tantos que acabamos não nos importando com o que está acontecendo com aqueles personagens; eu, ao menos, tinha muito mais interesse pelos anões e Bilbo, que vimos no primeiro filme, mas até o final de "A Desolação de Smaug" eles me pareceram meros coadjuvantes. 

Além disso, a falta de sutileza tira muito a beleza que a trama poderia ter - com mudanças ou não. PJ não parece confiar na inteligência de seus espectadores, e esfrega na nossa cara várias menções à terrível ganância dos anões, explica motivações com falas simplistas ("é a nossa luta! Não fazemos parte desse mundo?") envolve Bard em uma trama dentro de sua cidade entregando-nos um governante caricato demais e com humor que não me cativou - o pastelão característico do PJ... Bard corre pra lá e pra cá, esconde anões com peixes e e os enfia em privadas, é preso... uma correria que, ao invés de me divertir, me cansou, por falta de empatia mesmo. É muito personagem em tela sem tempo de desenvolvimento e sem esforços em relação a isso. Por exemplo, não é porque já conhecemos Legolas da primeira trilogia que ele pode aparecer como um personagem plenamente estabelecido e que está ali apenas para fazer piruetas e cenas de combate no melhor estilo videogame, batendo em orcs, subindo nas cabeças de anões (juro que eu queria ter derrubado ele no lago nessa hora, cara chato!) e sendo "fodão". Por que para desenvolver personagens enquanto pessoas o PJ não toma liberdades criativas? Pois é... 

As subtramas vão cansando e apresentam falhas, falhas claras, SIM, não importa que o filme seja de ação ou aventura, ele tem ao menos que ser verossímil e inteligente (o livro é, apesar de toda a leveza e suposta infantilidade). Por exemplo, nas cenas que envolvem Gandalf (Ian Mckellen continua ótimo, obrigada, embora o enredo o subestime)... para resumir, o mago cinzento acaba, uma hora, por se defrontar com Sauron, é completamente subjugado por ele, e.... e Sauron resolve prendê-lo... por que matar ele, né? É só um zé ninguém que não vai dar trabalho nenhum no futuro, deixa ele vivo, coitado do velho...  está aí uma faceta de bondade no Sauron que eu não conhecia.   

Outro momento um pouco incômodo é quando Smaug aparece. O dragão, mantendo um diálogo de astúcia com Bilbo (o filme é bastante fiel ao livro nesse primeiro momento), depois vira um cachorrão bobo, envolvendo-se em uma "brincadeira" de esconde-esconde e caindo em ardis tolos como ir atrás de quem está chamando do outro lado da sala, mesmo tendo três ou quatro anões perfeitamente visíveis e comíveis à sua frente. Smaug, apesar da vaidade e do orgulho, é um dragão inteligente. No diálogo com Bilbo, fica claro que ele está falando e falando porque está curioso e sabe perfeitamente que pode matar o hobbit quando quiser - por isso não se apressa. Sendo assim, não encontro justificativas para ele ter mudado sua atitude e inteligência depois. Isso, para mim, deixou claro que algumas liberdades tomadas pelos produtores e pelo diretor foram mais negativas do que positivas, sendo que o roteiro diminuiu de qualidade ao se afastar da situação original da própria história - quer dizer, poderia haver um enfrentamento, uma mudança, mas creio que poderia ser conduzido de outra forma. Restou uma perseguição meio pirotécnica, que é divertida, mas um pouco absurda e fora de tom.  E toda aquela história da balestra... da flecha negra... puxa, eu gostava tanto da ideia original, da falha descoberta pelo Bilbo na couraça... era uma parte importante, que dava um destaque bacana para o personagem. Lamentei essa escolha narrativa, sinceramente. 

Uma coisa que me incomoda um pouco na turma dos ferrenhos defensores do filme e de Peter Jackson é o modo como falam e defendem as supostas "adaptações". Para eles, é como se o livro de Tolkien fosse um marasmo sem fim, sendo que Peter Jackson praticamente fez um favor ao professor adaptando a história para os cinemas e melhorando aquele terrível e tedioso texto. 

NÃO. Mil vezes não. Eu entendo perfeitamente que um filme precise de adaptações, mas o texto de Tolkien é bom e poderia ter sido mais bem aproveitado nesse segundo filme, fazendo uma mistura mais orgânica entre a linguagem cinematográfica e literária, e transformando o filme em uma verdadeira adaptação, não uma fanfic.  

O Hobbit é um livro que começa despretensioso - você não dá nada por ele - e vai prendendo o leitor devagar, de modo que no final você já não larga mais o bichinho. Existe toda uma sutileza na forma como as coisas são tratadas (como os temas da vaidade e da cobiça), no humor, na mudança de Bilbo, e é essa essência que foi abandonada em A Desolação de Smaug. Bilbo virou quase um coadjuvante, Thorin mudou demais em relação à persona que foi construída para ele no primeiro filme, e Legolas e Tauriel são bastante dispensáveis, embora eu adore ver os elfos (mas não desse jeito...). Thranduil, na minha opinião, foi a pior caracterização do filme, com tantos maneirismos e caras e bocas que cheguei a ficar incomodada. Não há lugar na obra de Tolkien que diga que os elfos falam com três batatas na boca, andam em câmera lenta e são absolutamente andróginos e cheios de trejeitos. Então, desde o Senhor dos Anéis eu não concordo muito com a visão do PJ em relação aos elfos. Isso poderia passar batido se eu não tivesse me incomodado com tantas escolhas equivocadas. Mas não houve jeito... 

No fim, analisando o filme como uma obra totalmente separada do livro (porque é isso que A Desolação de Smaug é), continuo não gostando dele, exatamente pelas subtramas mal desenvolvidas e por ter relegado os supostos protagonistas a segundo plano, deixando personagens verdadeiramente carismáticos e melhor desenvolvidos (Bilbo e Balin dizem oi) com pouco tempo de tela. Para que inventar duas filhas para o Bard, por exemplo, se mal temos tempo de nos importarmos com elas? Quão estranho é pensar que a motivação para toda a jornada do Legolas ali era seguir uma suposta paixão que nem tivemos oportunidade de conhecer direito? E me parece estranho que o filme seja tão longo e mesmo assim não tenha tempo de desenvolver decentemente seus plots. Isso é sinal de excesso de tramas, de excesso de gordura no filme (sendo que partes interessantes como a passagem na Floresta das Trevas e a visita a Beorn são corridíssimas). 

Novamente, deixo claro que isso é minha opinião, sincera, sem birras ou outras coisas. Não desmereço o trabalho do Peter Jackson, mesmo porque a trilogia do Senhor dos Anéis são meus filmes favorito a ponto de termos em casa o box das versões estendidas (tá, foi um presente conjunto dos alunos do Matheus para ele, mas quem deu a dica fui eu XD!). Mas ser fã não é aceitar cegamente tudo o que se faz. Podemos, temos direito e devemos reconhecer falhas (e também acertos). Infelizmente, no caso desse filme, os erros suplantaram os pontos positivos para mim. 

21 comentários:

  1. Alguém que sabe colocar o que pensa em escrita (que é bastante), muito bom. Infelizmente o meu comentário vai se basear em só metade do post, porque como ainda não vi o filme imaginei muitos spoilers e só li metade. Sou fã de Peter jackson e do que criou no grande Ecrã (senhor dos Anéis), mas gosto de haverem opiniões diferentes, aliás devem haver. Abaixo a intolerância de opinião.
    Quanto ao Hobbit vou julgar só pelo primeiro filme. Gostei, gostei mesmo, mas... aquilo não parece a Terra Média. Ou terá a primeira trilogia sido tão boa que nada se pode comparar? Pode ser...
    Gostei da parte no post de admirar Tolkien (para mim um génio) invés de Peter Jackson, aliás até o realizador fez questão de na primeira trilogia colocar nos créditos, "Senhor dos Anéis de Tolkien"

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    1. Olá, Zamiel, muito obrigada pelo seu comentário e pela educação! Eu também gosto do trabalho do PJ nos filmes de O Senhor dos Anéis, e no final do meu comentário eu reforço o fato de que não estou desmerecendo o trabalho dele. Eu também curti o primeiro filme de O Hobbit, mas você tem razão, e se acha que o primeiro se distanciou do clima da Terra-Média, você verá que o segundo é o que mais perdeu em essência nesse caso. Realmente não parece uma história do Tolkien - ao menos para mim.

      Também acho Tolkien um gênio, admito isso, e gosto muito da obra dele. É até por isso que fico um pouco triste com essa visão bem diferente do "clima" da Terra-Média que foi passada no segundo filme, embora isso não seja de minha alçada controlar, né... mas fico entristecida quando vejo pessoas exaltando o filme e rebaixando o livro, como se fosse tedioso e péssimo e o PJ o tivesse "consertado"... colocar ação por ação, combates cheios de piruetas, clima sombrio e um "romance" bem deslocado não me parece a melhor forma de adaptar esse livro... sei lá. Certamente que muitos me acharão "purista", mas realmente o filme me desagrada mesmo quando penso nele como um filme independente.

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  2. Ah desculpe, e já agora http://pensamento-indescoberto.blogspot.pt/ se quiser visitar.

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  3. Primeiramente, o blog de nosso nobre amigo God Zamiel é muito interessante. Recomendo a todos que gostem de uma boa leitura.

    Em relação à resenha, concordo com cada palavra de nossa anfitriã. O filme me decepcionou em vários aspectos, e como alguém que leu o livro e é um grande admirador de Tolkien, me senti até mesmo insultado em certas partes de A Desolação de Smaug.

    Visualmente, o filme é muito bonito, apesar de que aqueles que entendem sobre efeitos especiais estarem apontando diversas falhas. Contudo, não vejo a boa caracterização de certos cenários como um mérito de Peter Jackson, porque ele teve centenas de ilustrações magníficas para usar como base, um grande orçamento à sua disposição e uma equipe realmente competente a seu dispor. Aquilo que realmente cabia a Peter Jackson, que era manter o clima da história original e honrar o trabalho de Tolkien, não foi cumprido nem de longe em minha opinião.

    Ao contrário do primeiro filme do Hobbit, que apesar dos problemas era um bom filme, não recomendo A Desolação de Smaug a nenhum fã de Tolkien.

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  4. Estão a deixar-me desanimado, como se me vise forçado a ver uma coisa que provavelmente não vou gostar, mas olha… paciência, tem de ser né? Há filmes que mesmo com as nossas dúvidas, são impossíveis de fugir.
    O Hobbit na minha opinião estava destino a… não digo fracasso, porque não é, mas a essência ficou demasiado diluída.
    Aceitei bem o facto de no princípio irem ser dois filmes, mas um livro para três filmes? É como um bom vinho a que se juntou água para ver se rende. Não venham com histórias, é puramente a pensar no lucro.
    Sublinho a parte de “combates cheios de piruetas”, o filme (e volto a falar do primeiro) tem um look de fantasia não realista. A Terra Média parecia um mundo aqui ao lado, bem real e que a este falta. O problema do Hobbit (filmes) é se passarem na Terra Média, se não fosse, eu estava na boa e apreciando satisfeito um mundo diferente e todo pitoresco.
    Atualmente, estou a rever o Senhor dos Anéis e é incrível como se cada frame pudesse ser um quadro.

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    1. Concordo com tudo o que disse, Zamiel. Esses sintomas que você mencionou já existiam em O Senhor dos Anéis (Legolas praticamente voando em cima do cavalo e escalando o olifante), mas de forma mais contida. Parece que em O Hobbit o Peter Jackson já se sentiu mais confortável e resolver transformar os elfos em super-heróis, Legolas parece o Homem Aranha. Piruetas, esquivas, subidas em paredes... tem pessoas que adoram, eu particularmente acho forçado, ainda mais quando se trata de um universo como o de Tolkien, que é fantasioso mas continua tendo regras e restrições as quais todos os personagens estão sujeitos. E é isso que dá o brilho todo à fantasia de Tolkien, ali estão pessoas e guerreiros comuns, absolutamente limitados, que estão lutando contra um mal realmente enorme e opressor. A impressão que se passa no filme é que bastava uma pequena comitiva de elfos se dispor a levantar as bundas dos palácios da Floresta das Trevas para acabar com todos os problemas, inclusive o dragão, de tão incríveis que são... quando não é bem assim.

      Sim, não adianta vir com história, toda essa questão da trilogia é visando lucro. E sim, isso é criticável, por mais que as pessoas insistam em dizer que é natural à indústria do cinema. É natural, mas lucro haveria de qualquer jeito, e há outros valores a se agregar além de dinheiro a uma obra como essa, como por exemplo, qualidade e bom enredo - o que faltou nesse segundo capítulo para mim.

      A trilogia de O Senhor dos Anéis realmente é feita com muito mais capricho e são filmes que tocam e emocionam. Não é questão de comparar as duas histórias, mas existe muito mais alma e beleza no trabalho do PJ nessa trilogia.

      Mas é o que você falou, não há como escapar de assistir! Quem sabe você gosta, essa é minha opinião, mas você pode ter outra, mesmo porque eu tinha expectativas mais altas quando fui e realmente tive minha bola baixada XD.

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  5. Como isto é um blog eu tenho de o dizer: Você escreve que é uma maravilha. Parece não haver filtro entre o que pensa e escreve.
    Voltando ao assunto, só a acrescentar que sim PJ pode ter exagerado um pouco com legolas em Senhor dos Anéis, mas já Tolkien escreveu que Legolas como elfo, caminhava graciosamente sobre a neve enquanto os restantes estavam enterrados até à cintura. PJ interpretou isso à sua maneira e deixou libertar a sua criatividade. Quanto ao Hobbit, se os anões já andavam aos saltos, imagino os elfos.

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    1. Isso é verdade, Zamiel, várias cenas que o PJ fez com o Legolas e os elfos foram muito bacanas (ele até mesmo reproduziu essa cena com Legolas andando na neve enquanto o resto estava enterrado e lembro de ter adorado, hehehe). Eu achei que ele exagerou um pouquinho algumas horas, vou ser sincera, mas nada que me incomodasse em demasia, como você disse, é a visão dele e até mesmo uma questão de gosto meu. Em A Desolação de Smaug eu achei que ficou um pouco "videogame" demais, mas esses detalhes não são aqueles que comprometeram o filme para mim, realmente são só detalhes.

      Obrigada pelos comentários e pela apreciação, God Zamiel, fico muito feliz que tenha visitado o blog e gostado do que encontrou! E fico feliz de poder debater opiniões. Já estou seguindo o seu blog também e curtindo o material por lá!

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  6. Obrigado, será muito bem vinda no blog. É como costumo dizer: A imaginação está lá, falta é o resto :p
    Achei muito interessante o pouco que já vi do seu livro. Ter feito trailers, excelente.
    Se um dia puder, gostava de saber um pouco dessa sua experiência do livro. Como começou, o desenvolveu até à parte do produto final. Tenho muita curiosidade porque criei qualquer coisa que pode não ter muito interesse para outros, mas que para mim tem muito valor.
    Não publico o meu email publico, mas se quiser posso lhe dar para aí dizer o que quiser mais à vontade.
    Sem stress, é quando puder e se não puder, também tudo bem.

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    1. Muito obrigada, Zamiel, eu entendo bem isso que você disse: o que criamos pode até não ter valor para os outros (e tem sim, viu), mas para nós é como um tesouro. Meu livro é muito do modesto, para ser sincera, mas tenho um carinho enorme por ele. Há uns tempos atrás, eu gravei um podcast com o Meia-lua pra frente e soco e falei sobre como o livro surgiu e de toda a "trajetória" para publicá-lo, se você quiser ouvir, ficou bacana, e no final há depoimentos de outros escritores iniciantes e independentes também. O link é esse: http://gamehall.uol.com.br/meialua/escritor-independente/.

      Se quiser me enviar seu e-mail e materiais seus, pode me enviar pelo e-mail astreya.bhael@gmail.com, assim você não tem que expor seu endereço por aqui!

      Um abraço, e sinceramente espero que você goste mais do Hobbit 2 :D - afinal, é tão gostoso quando um filme de fantasia desses nos prende...

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  7. As descrições que Tolkien faz dos elfos são interessantes porque são sutis; são pequenas coisas e gestos que eles são capazes de fazer que os diferencia das demais raças. O mesmo ocorre com a magia de Gandalf e Saruman; eles não conjuram relâmpagos e bolas de fogo; usam encantos de forma sutil e na maioria das vezes, de maneira quase imperceptível.

    Mas nos filmes, Peter Jackson simplesmente ignora estas sutilezas, que são uma parte muito importante da Terra Média, e cria situações exageradas que, além de inverossímeis (como Legolas "andando de skate em um orc ou em um escudo) são por vezes ridículas. Lamentável...

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    1. Eu também prefiro a sutileza do texto de Tolkien do que as mirabolâncias de videogame de Peter Jackson, Odin. Não curto as cenas exageradas que ele faz, por questão de gosto pessoal mesmo, e por achar que tira um pouco do clima de uma fantasia mais pé no chão, que é o caso dos trabalhos de Tolkien e dos próprios filmes em várias passagens, então me parece que alguns exageros ficam muito deslocados. Isso não é o casso de A Desolação de Smaug, porque o filme inteiro vai nesse clima mais exagerado mesmo, até o primeiro, mas acho que o PJ pesou a mão demais.

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  8. Obrigado Liége, já lhe deixei um email

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  9. Nossa, povo, me desculpem, mas que B#*@TA de filme!

    Eu assisti com meu noivo, minha mana e meu cunhado, e puxa vida, nós passamos só raiva! Por que este animal do Peter Jackson não vai trabalhar com a série Crepúsculo ou alguma série teen idiota americana e pára de profanar o trabalho do Tolkien?!

    O que diabos o Legolas estava fazendo lá? Ele apareceu em mais cenas do que o próprio Bilbo e o Thorin e nem tava no livro! ele e o Thranduil pareciam aqueles caras do Village People, e sempre que eles apareciam dava para ouvir no fundo YMCA. Não é a toa que a Tauriel caiu matando no anão! Ela também não devia estar lá, mas dado o contexto, eu entendo perfeitamente a coitada. Quem é que aguenta viver no meio de um bando de fresco arrogante daqueles?!

    Sinceramente, não sei de onde estão saindo as críticas positivas desta porcaria de filme, porque conversei com várias pessoas que assistiram e não achei uma única alma viva que tivesse elogiado.

    Revoltei ^^

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    1. Ai, Amanda, deixando a diplomacia de lado, eu concordo com você, viu. Achei uma b-o-s-t-a. Fiquei muito revoltada, sai indignada desse filme (o Matheus tb). Você acredita que eu falei a mesma coisa da Tauriel, cheguei a ficar com compaixão da coitada, entendo perfeitamente porque ela preferiu o Kili, porque convenhamos... que bando de elfo chato e arrogante!! (sinceramente o Thranduil me lembrou a antiga "Robocop Gay", SÉRIO! Não é por nada, mas não entendo porque tantas caras e bocas e maneirismos, exatamente porque o personagem não é descrito desse jeito! Se fosse, tudo bem...).

      Também fiquei muito revoltada com o trabalho do Peter Jackson nesse filme. Eu já não sou uma grande fã dele, mas em A Desolação de Smaug, puxa vida... aquilo não era uma história do Tolkien... ele deixou o Bilbo e o Thorin completamente de lado, o que meu deixou extremamente revoltada. Não tem dragão computadorizado que conserte isso!

      As histórias de Tolkien nunca foram sobre seres perfeitos e totalmente invencíveis. Elas são sobre seres falhos que se constroem como heróis mesmo frente à dificuldades e falhas. Daí aparece um elfo louco maquiado que bate em qualquer orc. A impressão que fica é que bastava os elfos saírem em desfile pela Terra-Média que pronto, tudo se resolveria... enquanto O Silmarillion mostra bem o contrário... eles sofreram muito e apanharam feito condenados assim como qualquer raça!

      Eu também não entendo as críticas positivas massivas, Amanda... achei um filme fraco, com puro apelo Hollywoodiano e nada mais...

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  10. Eu vi o filme hoje e só posso dizer: QUE HORROR! Detestei o filme mesmo. Ficou longo demais, as cenas de ação começaram a me entediar... e quem fica aí reclamando de Tauriel e tudo mais não sabe o que está fazendo, porque tem coisa MUITO PIOR nesse filme.

    Concordo com tudo que você falou. Não tinha sentido algum Legolas aparecer ali. O filme se perdeu totalmente em cenas de luta impressionantes, e o mais importante, que era a jornada de Bilbo, ficou pra trás. E aquele Sauron, gente? Ninguém merece! Fora que TODO MUNDO parecia saber que o Sauron estava ressurgindo, até o Smaug! Parecia atualização de status no Facebook... cansou, PJ.

    A impressão que eu tenho é que PJ estava querendo fazer um grande prólogo a Senhor dos Aneis, toda hora inserindo menções à trilogia. Só que o clima do Hobbit é diferente. É mais inocente, mais primaveril. É uma jornada inesperada. Não é uma jornada do destino rumo ao impossível. Pra mim, o clima não tem nada a ver.

    Sinceramente? Saí do cinema com raiva. Não somente por ficar falando de adaptação, mas olhando O Hobbit - Desolação de Smaug como um filme em separado: é ruim. Tem um ritmo estranho. Não cola.

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    1. Melissa, foi tanta coisa ruim que eu até esqueci de comentar esse ponto de a geral saber que o Sauron estava ressurgindo. Por isso senti que o filme, além de ser muito do bipolar, perdeu completamente em sutileza e subestimou a capacidade do espectador em várias cenas.

      Tauriel não incomoda em nada, não fosse pelo triângulo amoroso forçado até mesmo poderia ser uma adição interessante. Isso caso o filme não fosse tão ruinzinho...

      Acho que a parte que mais me incomodou foi essa: onde estava a jornada inesperada o Bilbo? Foi-se tudo o que havia de O Hobbit ali, na tentativa esquizofrênica do PJ de criar um prólogo para O Senhor dos Anéis.

      E é como você disse... mesmo analisando apenas como um filme, e não como adaptação, nada cola... nem ritmo, nem personagens, nem as cenas de luta totalmente exageradas... nada. E o clima nem casa com o primeiro filme de O Hobbit e nem mesmo com as versões cinematográficas de O Senhor dos Anéis (onde que o Legolas é tão chato e insuportável daquele jeito em O Senhor dos Anéis?). Ou seja, mal funciona dentro de seu próprio universo.

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    2. Exatamente, Liége! Não faz sentido em seu próprio universo. O Legolas sair de chato insuportável para elfo sereno e tranquilo é muito estranho. Porque em em SdA ele é outra pessoa.

      Tauriel é inútil, mas também não chegou a me incomodar tanto não. O que me deixou muito irritada também foi o Thorin dar uma de Boromir. Aquela coisa da tentação e tudo mais. Que besteira...

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    3. Legolas ficou bipolar, coitado. E só estava ali para protagonizar cenas de ação mirabolante.

      Concordo plenamente sobre essa questão do Thorin, Melissa. Ficou horrível e desnecessário e novamente destoou do tom do próprio filme, pois em "Uma Jornada Inesperada", Peter Jackson colocou ares de Aragorn em Thorin. Então tivemos outro personagem bipolar, com uma mudança brusca de personalidade.

      E sim, a Tauriel é mesmo inútil... infelizmente, mais um personagem mal aproveitado no filme.

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    4. Foi que não gostei no primeiro filme: tentarem fazer de Thorin um Aragorn, um rei perdido. O orgulho anão é bem diferente.

      Quanto a Tauriel, ela podia ser interessante, acho legal inserirem personagens femininas, mas do jeito que saiu, ficou deslocado. Ela não foi nem heroína romântica nem herói de guerra. Ficou no meio dos dois e não foi nada. Fora que a cena em que ela cura foi uma cópia total da cena em que Arwen cura Frodo no filme Senhor dos Aneis...

      Sobre todo mundo saber que o Sauron ia voltar: ficou idiota. Até porque em Senhor dos Aneis todo mundo foi pego de surpresa, todos caem em negação durante um tempo... Até Gandalf em SdA é surpreendido pela volta do Sauron! Ele vai pesquisar pra ver se é isso mesmo, fica confuso, procura ajuda do Saruman... NÃO FAZ O MENOR SENTIDO!

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    5. Com certeza, Melissa. Você tem toda a razão, principalmente nessa questão de todo mundo saber sobre o Sauron e de o Gandalf ver ele tão claramente... fica extremamente incoerente, e muito me espanta que as pessoas ignorem tão facilmente esses pontos, enquanto apontam mínimos detalhes e erros pequenos em outros filmes e adaptações.

      Aquela cena da Tauriel curando o Kili foi realmente uma cópia... aliás, a própria personagem, como você disse, não foi nada, ficou genérica e sem papel cabível dentro da história. Argh, quanta coisa triste nesse filme!

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