quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Quem você quer ver publicado em 2014?

Imagem retirada do perfil da editora Draco
O título do post é enganoso. Eu não estou aqui para falar quem eu quero ver publicado em 2014 por uma boa editora. Acho que isso vocês já estão carecas de saber. Quero que todos vocês, escritores que passam por aqui, realizem os seus sonhos.

Ah, porque eu sei como é esse sonho. Eu sei como a gente deseja.

Quem gosta muito de escrever não quer fazer outra coisa. Vocês sabem muito bem disso. A gente trabalha, dá aula, vai e volta dos nossos empregos convencionais que nos dão o pão, mas no fundo - não tão no fundo assim - a gente quer mesmo é escrever. Botar tudo aquilo que povoa nossa mente no papel. Eu não consigo explicar o que eu sinto quando estou escrevendo, mas é uma satisfação muito grande. Escrever é uma das coisas que me faz sorrir genuinamente. Que me preenche.

Só que a escrita é uma coisinha meio complicada. Porque além de muitas outras coisas básicas como afinco, cuidado e esforço, depois de um certo tempo a gente precisa de um ingrediente muito importante e muito difícil de encontrar. É uma coisa mágica, um componente daqueles que se deve buscar nas montanhas geladas além dos mares tenebrosos, nos confins do oceano, no deserto escaldante... quem sabe enfrentar um dragão... 

Esse ingrediente mágico se chama leitor.

Primeiramente a gente escreve para si mesmo, mas, depois de tudo pronto, a gente quer é ser lido. Ser compreendido, por que não? Não é um pedaço nosso que está ali? Eu confesso. Confesso que um sorriso brota no meu rosto muito facilmente quando alguém me fala: "gostei de tal personagem", "amei aquela parte que...", "adoro fulano", etc. Se eu pudesse, falaria um dia inteiro sobre o meu livro com cada pessoa que o leu. Mas me controlo. É aquela coisa: filho só tem toda aquela graça perene para os pais. Não adianta ficar o tempo todo contando dos primeiros passos, do primeiro murmúrio, da fruta preferida, de todos os detalhes... só você, pai, mãe, vai sentir tamanha paixão. Com livro é a mesma coisa, eu acho. Não dá para parar uma conversa entre amigos para falar da cena que você está escrevendo, do seu personagem mais querido... Mesmo que você queira. Já tagarelei sobre meu livro em grupo, mas a experiência me ensinou a parar. As pessoas têm suas próprias paixões e problemas, afinal.  

Pior é amar tanto assim o seu filho de papel e saber que ele tem muitas falhas. É, tem sim. Isso não diminui em nada o seu afeto, mas você sabe que as perspectivas para ele nesse mundo competitivo e cheio de obras mais capazes e saborosas não são as melhores. As editoras fazem silêncio. As que falam, cobram. As gráficas custam. Os parceiros pedem, não compram. É, não é fácil. A confiança vai indo embora. Mas existem alguns daqueles ingredientes tão difíceis de se encontrar, os leitores. Aqueles que se interessaram de verdade e que te ajudam a fazer a poção mágica da motivação. Mesmo que só haja um, você vai continuar. Por você, mas também por ele. Se você sabe que existe ao menos uma pessoa esperando, esperando de verdade, para ouvir você contando aquela história... ah... não tem quem segure seus dedos no teclado, a caneta na sua mão, ou seja lá o que for que você usa para escrever. 

Um pouco dramático esse relato? Sim, eu acho. Mas é verdadeiro. E inspirado pela pergunta que eu vi pipocar em redes sociais no início desse ano, a mesma pergunta que é o título desse post. Que autor eu quero que publique em 2014? Todos vocês, e eu, eu também. Se falta alguma coisa, algum brilho a mais, alguma capacidade ou criatividade ou quem sabe um leitor que nos ajude a aperfeiçoar a nossa história, um bom revisor, que nós encontremos nesse ano aquilo que precisamos. Que aprendamos a domar a ansiedade. Que sejamos levados para os caminhos certos por esse ímpeto que pode já ter nascido conosco ou ter surgido em algum momento da caminhada. Eu não sei exatamente quantos vocês são. Eu só sei como esse sonho por vezes dói. E gostaria que cada um de vocês que partilha desse anseio pudesse encontrar o seu próprio final feliz. Talvez não em 2014, mas em algum dia, no futuro. Esse é o meu desejo.  

12 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigada, Torinks! Fico feliz que tenha gostado. Foi um relato meio "passional", eu sei, mas vá lá... é sincero.

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  2. Este sonho que escritores têm é algo louvável, mas como dissestes, é também muitas vezes difícil de se realizar.

    O meio literário, assim como o meio musical, quadrinhos, jogos... tem um funcionamento complexo que em muitos casos envolve mais fatores como contatos, modismos, imagem, etc do que a qualidade do trabalho propriamente dito. Como consequência disso, voltando para a literatura, temos ótimos livros publicados, ótimos livros não publicados e livros realmente ruins publicados em detrimento de outros por motivos que apenas os deuses ousam saber.

    Mas em relação a vários escritores autônomos, algo que admiro muito é esta disposição de escrever pelo amor à arte. Sempre fieis a suas criações e aos admiradores de seus trabalhos, eles escrevem sem se preocupar em criar uma imagem falsa através de mídias sociais ou em se colocar "acima" de escritores mais "amadores" para terem uma ilusória sensação de profissionalismo.

    Vejo esta camaradagem e respeito em vários locais, e apesar disso infelizmente não ser a regra neste meio, fico muito satisfeito quando vejo a maneira como você, Jacó, Gisele e tantos outros trabalham.

    Por isso, se me perguntassem, os autores que gostaria de ver publicado seriam todos vocês que escrevem com amor e humildade. TODOS mesmo.

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    1. Muito obrigada, querido Odin. Faço minhas as suas palavras e seus desejos.

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  3. Gostei muito do que escreveu. Fui lendo e pensando que é exatamente o que penso, mas que não saberia expressar da forma como fez.

    "Já tagarelei sobre meu livro em grupo, mas a experiência me ensinou a parar. As pessoas têm suas próprias paixões e problemas, afinal. " Sei bem como é isso >.<

    Mas enfim... Que todos encontrem seus próprios finais felizes ^_^

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    1. Gisele, quis escrever esse post porque eu penso que muitos podem se sentir assim. Quem gosta de escrever tem um amor grande por essa atividade, isso é uma coisa que noto em cada escritor - iniciante ou não - que já conheci. E não adianta, a caminha é prazerosa, mas também é dolorida, né? A cota de frustrações existe para todos nós. Mas o mais legal é que ninguém para, porque o amor pela escrita é mais forte, hehehe.

      Sabe, Gisele, eu acho que a gente devia promover um encontro de escritores para conversar sobre as nossas obras, hahaha! Isso ia ser muito legal, não? Se eu fosse ricona pagava passagens para todos e promovia o negócio XD. Eu prometo que gosto muito de ouvir as outras pessoas falando sobre suas obras também, gosto de discutir personagens, enredo... acho que quem escreve sempre curte, né... tenho sorte que o Odin também gosta de criar histórias, a gente acaba trocando ideias.

      Sim, que todos encontrem seus próprios finais felizes. Não só nesse sentido, mas em todos os outros possíveis. Eu realmente desejo isso para todos nós.

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  4. Este sonho que escritores têm é algo louvável, mas como dissestes, é também muitas vezes difícil de se realizar.

    O meio literário, assim como o meio musical, quadrinhos, jogos... tem um funcionamento complexo que em muitos casos envolve mais fatores como contatos, modismos, imagem, etc do que a qualidade do trabalho propriamente dito. Como consequência disso, voltando para a literatura, temos ótimos livros publicados, ótimos livros não publicados e livros realmente ruins publicados em detrimento de outros por motivos que apenas os deuses ousam saber.

    Mas em relação a vários escritores autônomos, algo que admiro muito é esta disposição de escrever pelo amor à arte. Sempre fieis a suas criações e aos admiradores de seus trabalhos, eles escrevem sem se preocupar em criar uma imagem falsa através de mídias sociais ou em se colocar "acima" de escritores mais "amadores" para terem uma ilusória sensação de profissionalismo.

    Vejo esta camaradagem e respeito em vários locais, e apesar disso infelizmente não ser a regra neste meio, fico muito satisfeito quando vejo a maneira como você, Jacó, Gisele e tantos outros trabalham.

    Por isso, se me perguntassem, os autores que gostaria de ver publicado seriam todos vocês que escrevem com amor e humildade. TODOS mesmo.

    Disse tudo grande Odin. Penso o mesmo.

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    1. Obrigada, nobre amigo. Realmente os fatores são vários, por isso mesmo é fácil sentir-se no meio de um mar enorme, sem muitas esperanças de agarrar um barco. Por exemplo, quando vi essa postagem no perfil da editora Draco fui vendo as respostas das pessoas e percebi o quando ainda estou longe de conseguir alguma coisa. Havia vários nomes sendo citados, várias pessoas que são lembradas, comentadas, apreciadas e lidas, e mesmo assim não conseguiram ainda seu lugar ao sol da maneira como querem. Então, sem falsa modéstia, quem sou eu dentre tantos, tantos que têm o mesmo sonho? É de se pensar.

      A única coisa que podemos fazer é continuar escrevendo. E é isso mesmo que eu vou fazer \o/.

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  5. Oie, povo ^^

    Este assunto é muito interessante, e me lembro de uma aula que tive na faculdade sobre mercado editorial que acabou falando só sobre isso. O meu professor era um cara que não valia nem o prato de comida que comia, mas conhecia bem este meio, e acabou dando uma aula bem esclarecedora.

    Ele disse que o mercado editorial e vários outros tipos de mercado são regidos por uma "mão invisível" que determina o conjunto de valores que algumas classes dominantes, especialmente grandes empresas da área de música, pesquisa tecnológica e entretenimento em geral querem difundir dentro de uma determinada época. Ele dizia até que se JRR Tolkien tentasse publicar seus livros hoje, ele não encontraria uma editora sequer disposta a publicá-los, além de ter que suportar uma enxurrada de críticas porque lida com valores como moral e tradição enquanto condena a busca por poder e a indústria como um todo.
    Já livros que tratem de temas como a emasculação do homem, sutil abandono de valores familiares, "libertação" feminina, consumismo e degradação moral como sinal de liberdade e autonomia, se forem razoavelmente bem escritos, possuem uma chance enorme de serem publicados nos primeiros 5 anos de vida (considerando mercado norte-americano, no Brasil deve ser um pouco diferente, mas não muito...). Sei que parece teoria da conspiração, mas é a mais pura verdade. Podem observar os livros publicados hoje em dia por grandes editoras. Tirando os casos óbvios de autores filhos/filhas/ amantes de editores, praticamente todos os livros publicados hoje propagam valores como estes que eu citei. E tente encontrar algo diferente disso fora da esfera dos livros de auto-ajuda e espiritualidade (os seguimentos tratados como "livros para idiotas").

    Outra coisa que meu professor disse é que de cada 100 livros publicados, apenas 1 deles foram enviados pelo autor à editora. Os outros 99 a própria editora encontra e vai atrás do escritor quando lhe convém.

    Foi por estas e outras que abandonei minha profissão de jornalista e hoje faço apenas estruturação de notícias, revisão de referências, etc. Infelizmente, este meio é uma b@##a.

    Se eu pudesse decidir quais livros seriam publicados, eu diria exatamente a mesma coisa que o Odin.

    Beijos da Amanda ^^

    PS: Liége, nunca desista!!!

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    1. Oi, Amanda! Que bom ver você aqui! Olha, essa questão de Tolkien é muito verdadeira. Eu tenho quase certeza de que ele não conseguiria publicar hoje, tanto pelo estilo do livro quanto pelos valores que existem na narrativa. O Senhor dos Anéis é sempre apontado como um livro maniqueísta. Eu imagino que As Crônicas de Nárnia também não teria chance alguma. Muitos livros que hoje amamos e celebramos não teriam chance alguma, e eu imagino se não estamos caminhando para um certo "empobrecimento" em várias áreas.

      Amanda, não parece teoria da conspiração não. A mídia e a indústria de entretenimento sempre manipularam as pessoas e procuraram passar valores, sempre. Ingenuidade seria acreditar que isso não acontece. Não acho que aqui no Brasil seja tão diferente não. Engraçado que até a Disney anda desesperada para se adequar, "Frozen" está sendo super celebrado por trazer uma história focada nas duas princesas, etc. Não que haja problema em trazer um desenho com um relacionamento entre irmãs (afinal, sabemos como relacionamentos entre irmãs podem ser especiais), mas acho errado o modo como isso é visto, como se assim fosse "certo", "correto", ao passo que um desenho como "Enrolados" já é considerado "ingênuo" e mais água com açúcar (sendo que, na minha opinião, Enrolados traz questões muito mais interessantes, como o assunto espinhoso da mãe controladora, além de ter personagens muito mais carismáticos). Mas romance é ingênuo, é bobo, e propaga "valores de dependência". As pessoas muitas vezes nem se dão ao trabalho de analisar como a história foi feita, a qualidade, etc... enfim. Existe o que é bacana, "moderno" e correto, e o resto que se dane.

      Pois é, auto-ajuda e livros de espiritualidade são mesmo tratados como livros para idiotas. Mas que isso, estamos em uma nova era "livre de preconceitos"...

      Realmente, Amanda... essa questão de enviar para as editoras eu já estou desistindo. Eu já li que é praticamente impossível ser escolhido assim, e eu tenho que concordar... a não ser que seja uma editora sob demanda, daí eles te dão toda a atenção do mundo :P.

      Não sabia que você era jornalista, Amanda :). Realmente, você deve saber do que está falando... e sabe o que mais triste? Cada vez mais a gente se vê cercado, sem saber o que fazer.

      Mas não se preocupe, eu jamais desistirei. Não importa que eu nunca seja publicada, eu sei que não consigo parar de escrever, ainda mais tendo leitores tão queridos e maravilhosos. Ah, e logo, logo tem desenho da Angela, e eu já tenho livro novo planejado para depois de O Enigma da Lua. Muitas novidades crescendo!

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  6. Palavras realmente inspiradoras, Lady Astreya. Fiquei emocionado. Continuemos a perseverar, pois os Cavaleiros do Zodíaco nos ensinaram a lutar sempre até o seu fim apesar de todas as dificuldades.

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    1. ELEVEMOS NOSSO COSMO, NOBRE JACO!!! POR ATHENA!!!

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