quinta-feira, 24 de abril de 2014

Somewhere over the sea (the moon is shining)

Saudações, queridos leitores que ainda resistem bravamente à minha inconsistência! Sei que ando muito relapsa com o blog nesse mês, mas prometo que em breve terei muitas novidades boas. Eu ainda não posso contá-las, mas garanto que elas são legais.

Hoje, eu queria dividir com vocês uma canção (mais música, Liége?? XD). Nessa páscoa (Feliz Páscoa atrasado, pessoal!!), eu ganhei de meu amado Matheus/Odin um CD do Blackmore's Night (é, eu pedi para ele não me dar ovos de páscoa. A família já nos proporciona uma avalanche de chocolate, e eu ainda tenho que dar conta dos doces dele, que ele não come). Uma das músicas do CD me encantou e eu acabei me lembrando das minhas aulas de literatura. 

Uma das coisas que eu mais gostava de estudar nessa matéria era o período do trovadorismo português (e depois romantismo, alguém duvidava??). Isso se devia ao fato de que era um período literário medieval (eu sempre gostei de qualquer coisa que se relacionava ao medievo. Pirava até estudando feudalismo) e que tinha óbvia relação com a música. Me lembro até hoje das classificações das cantigas: cantigas de escárnio, cantigas de amor e cantigas de amigo. Eu, pequena pirralha, tinha como minhas favoritas as canções de amigo (ahá, pensaram que eu ia falar cantigas de amor, né? Não sou assim tão óbvia! Quer dizer... sou sim). 

É que as cantigas de amigo sempre tem um eu-lírico feminino, falando sobre o amado e muitas, muitas vezes lamentando sua ausência. Eu ficava sonhando acordada ao ler Ondas do mar de vigo. Vocês estão captando a criança estranha que eu era, certo?

Hoje compreendo que essa temática ainda me é muito cara. Eu tenho uma atração especial por histórias com personagens femininas lidando com o amor de várias formas, mas essa imagem melancólica da mulher que perdeu seu amado em circunstâncias trágicas me inspira muito. Sim, eu gosto de finais felizes, mas até lá podemos ter uma boa dose de ânsia romântica, não (essa fui eu tentando achar uma equivalência em português para a palavra "longing" nesse contexto)? Ai, ai.

Enfim, isso tudo só para trazer a vocês a bela "Somewhere Over The Sea (The Moon is Shining)". Ela tem tudo a ver com as duas histórias que estou escrevendo simultaneamente - O Despertar de Kathul e Coração de Areia. E, se for pensar bem, ela tem tudo a ver com praticamente qualquer coisa que eu escrevo (penso que sou uma autora repetitiva). E me lembrou Ondas do mar de vigo e Debaixo do Luar ♥.




Esse foi mais um post musical. Prometo me controlar daqui pra frente.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Por que as pessoas menosprezam a fantasia?

Você não quer entrar?
O questionamento feito no título do post me acompanha desde a adolescência. Foi na adolescência que eu tomei consciência da minha paixão por criar histórias com essa temática, embora eu tenha gostado de fantasia (principalmente medieval) desde que me conheço por gente - isso veio comigo e nunca mudou. Tanto que meu filme favorito quando pequena era Willow - Na Terra da Magia, fantasia clássica com a típica jornada do herói em sua trama. 

Quando eu tinha 15 anos, em 2001, O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel estreou nos cinemas. Antes disso eu já havia lido os livros e conhecia a história e, obviamente, estava encantada - mas foi com a explosão de Tolkien nos cinemas e o meu consequente envolvimento com o RPG que me vi cercada por um mundo do qual não queria mais sair. Eu descobri muitas coisas novas, coisas que nunca havia visto ou lido antes. Devorei Dragonlance e a trilogia do Vale do Vento Gélido, li As Brumas de Avalon, escutei metal melódico pela primeira vez e as nuvens se abriram ao som de The Village of Dwarves. Antes disso, simplesmente não tinha um grupo de pessoas que conhecesse e me mostrasse essas coisas. Por isso essa foi uma época muito importante para mim, uma descoberta um tanto tardia de coisas que eu teria gostado muito desde uma época mais tenra. 

Mas, eu me lembro até hoje de uma discussão que tivemos em uma aula de geografia no colégio onde estudava. Uma professora de quem eu gostava muito, muito mesmo, ouviu a gente conversando sobre O Senhor dos Anéis. Alguém perguntou a ela se ela curtia, ao que ela respondeu que não, que preferia viver a vida real, que não gostava dessas coisas de elfos e anões. O tom dela e sua expressão diziam que ela achava aquilo tudo uma grande besteira. E isso, embora não tenha me deixado chateada na época (ela era, afinal, uma boa professora e eu realmente gostava dela), foi uma coisa que me marcou. Nunca esqueci das palavras dela e me lembro que na época fiquei me perguntando o que é que a afastava da fantasia, já que para mim esse gênero era uma paixão que me levava a escrever, era algo que não me tirava da vida, apenas me fazia enxergá-la de modo diferente. 

Quando entrei na faculdade, esse tipo de opinião se tornou uma constante por parte de professores e alunos. Em Letras ninguém queria tratar desse tipo de literatura, Tolkien era motivo de chacota, e a atividade favorita de muitos alunos era zoar Paulo Coelho e fazer arzinho de superior ao falar o quanto seus escritos eram um lixo. Escuta, eu não amo de paixão Paulo Coelho, mas não conseguia compreender esse prazer tão grande em menosprezar a literatura mais popular e a de fantasia. 

Até hoje não entendo muito bem certos argumentos utilizados para menosprezar a fantasia. Certo, há quem não goste mesmo do gênero, e não há problema com isso. Eu não gosto de chick-lit, por exemplo, não sou super fã de terror e não é tudo na ficção científica que me agrada. Não gostar não é problema, mas menosprezar é. 

Esse argumento de que "fantasia não tem nada a ver com a realidade" é falacioso. Você pode falar da realidade e dos sentimentos humanos em qualquer cenário. O Senhor dos Anéis, por exemplo, aborda conceitos que falam sim do nosso mundo e dos nossos anseios. Amizade, lealdade, honra, dever, questionamentos e dúvidas em relação a responsabilidades, corrupção e sede pelo poder, exploração do meio-ambiente... se forem me dizer que isso não tem a ver com a humanidade e o mundo em que vivemos, ficarei com um ponto de interrogação estampado na minha cara. 

O engraçado (e triste) é que mesmo dentre os amantes de fantasia temos constantemente discussões sobre essa questão da "realidade", e por vezes existe uma certa tendência a valorizar fantasias mais "sujas", como As Crônicas de Gelo e Fogo, por exemplo, como sendo histórias que mostram "as coisas como elas são" e, portanto, são menos "ingênuas". Já falei aqui sobre isso e acho que essa discussão é muito insípida, mas ela existe e reflete um pouco a visão das pessoas sobre a fantasia mais clássica. É como se ela fosse um gênero menor, "infantil", que não tem nada a ver com o mundo real "adulto". Mas é interessante pensar que todos os livros de fantasia que eu já li, incluindo aí mídias como gibis e mangás, sempre me trouxeram reflexões, fizeram parte da minha formação como pessoa e como mulher e continuam fazendo, mesmo agora que tenho 26 anos. 

A fantasia não é ingênua. Talvez seja, por vezes, idealista e até utópica, mas não é algo que se exime de reflexões profundas e discussões sobre ideais e valores (ou a falta deles, talvez...). Não é porque a fantasia fala de elfos, trolls, pôneis ou samurais voadores que não existirão ali conexões com as questões humanas. Seja qual for a roupagem de um personagem, seja qual for o cenário - um mundo feito de pirulitos, o planeta marte, a floresta de Lothlórien - a fantasia também fala sobre nós, sobre o nosso mundo. E muitas vezes vê esse mundo e as pessoas de forma mais positiva do que merecemos, confesso. 

Portanto, eu digo: não gostar de fantasia (ou de outros gêneros) não é um problema. O problema está em menosprezar algo como se fosse inferior por supostamente não ter conexão com a realidade (como se a realidade fosse essa coca-cola toda também, né, gente XD), o problema é arranjar uma desculpa repleta de julgamentos equivocados para justificar uma suposta intelectualidade superior, adulta e mais crítica. 

Termino minha reflexão meio confusa e mais superficial do que eu gostaria com uma citação de Tolkien que eu simplesmente adotei para a vida. Aí vai:

“Fantasy is escapist, and that is its glory. If a soldier is imprisioned by the enemy, don't we consider it his duty to escape?. . .If we value the freedom of mind and soul, if we're partisans of liberty, then it's our plain duty to escape, and to take as many people with us as we can!”

"A Fantasia é escapista, e essa é a sua glória. Se um soldado é aprisionado pelo inimigo, não consideramos que é seu dever escapar?... Se valorizamos a liberdade da mente e da alma, se somos partidários da liberdade, então é nosso óbvio dever escapar, e levar conosco tantas pessoas quanto conseguirmos!" 

E fica aqui essa reflexão também... nem todo escapismo é ruim. Não é muitas vezes escapando que nos tornamos livres?

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Top 10 - Músicas que fazem chorar

Saudações, meus queridos leitores!

Como me encontro praticamente "acamada" por conta de uma gripe tenebrosa nesta tarde de sexta-feira (até meus alunos se compadeceram hoje de manhã porque eu vertia lágrimas e mais lágrimas por conta do contato com o giz. Pelo menos ganhei uma cartinha com corações e um "eu te amo" ♥) e a dor de cabeça forte não me deixa escrever em paz, pensei que seria bom negócio escrever um post do tipo gostoso-de-fazer-embora-não-agregue-nada-de-útil (quer dizer, quem sou eu para definir a utilidade das coisas?). Não é segredo que eu adoro listas e adoro música, então resolvi fazer um top 10 inusitado hoje.

Dependendo da minha sensibilidade, qualquer coisa me faz chorar, mas confesso que existem certas melodias que basicamente me transformam em uma cascata. Algumas me trazem aquela emoção boa, uma sensação de grandeza e gratidão, outras me dão tristeza e melancolia, mas é certo que todas têm sua beleza. Muitas vezes eu já recorri a elas quando estava com algo entalado na garganta e precisava extravasar aprontando aquele berreiro silencioso, composto de lágrimas e soluços engolidos. Pesquisas mostram que 10 a cada 10 professores passam por isso no final do bimestre, quando o desespero bate e a simples pergunta "precisa copiar?" testa os limites de nossa paciência e sanidade XD.

CAHAM. Chega de enrolação e vamos às canções. Elas variam em gênero e número de baldes de lágrimas.

10 - Eleanor Rigby - Beatles

Puxa vida, hein? Tá pra nascer música mais depressiva do que essa. Além da melodia já deixar a gente com o coração meio apertado, vem a letra e acaba com a sua alegria de viver. Basicamente, Eleanor Rigby fala de solidão, de pessoas esquecidas, de funerais vazios. Gente, como essa música é triste. É bonita, mas não consigo escutar.



Classificação: cinco baldes de lágrimas sofridas e um balde de esperança sugada. AAAH, LOOK AT ALL THE LONELY PEOPLE... LET'S HUG THEM, PLEASE!!!

9 - Segundo movimento da sétima sinfonia de Beethoven

DEPRESSÃO. Linda. linda, melodia, mas imagino crianças morrendo na neve até o 2:42 (depois melhora bastante!). Na verdade, creio que vi um filme com essa combinação e até hoje essa música me assombra como uma das coisas mais bonitas e mais tristes que já ouvi na vida. Aliás, Beethoven é mestre em me fazer chorar, mas é meu compositor clássico favorito mesmo assim.



Classificação: quatro baldes de lágrimas amargas, e só porque a música melhora depois.

8 - Lacrimosa - Réquiem de Mozart

E já que é pra chutar o pau da barraca, vamos de Lacrimosa. Essa é daquelas músicas que eu NÃO GOSTO de ouvir porque me deixa na fossa o dia inteiro. De novo, bonita, mas triste demais. Mas, pudera, é parte de um Réquiem, então o que é que eu queria, né? Se você assistir o filme Amadeus, a coisa só vai piorar.



Classificação: cinco baldes de lágrimas fúnebres. Lacrimosa mesmo.

7 - 12 O'Clock - Vangelis

Vamos mudar o disco um pouco? Vamos falar de música que me faz chorar de emoção também. Essa música é linda demais e me faz chorar por motivos desconhecidos. Eu não sei bem o que sinto quando a ouço. Me sinto em outra dimensão (Saga de Gêmeos, é você?). Meus pais costumavam colocar ela para a gente dormir e eu AMAVA (estranhamente, minha irmã se pela de medo dessa música...).


TÃO ~ LINDA ~

Classificação: três baldes de lágrimas transcendentais.

6 - Non nobis, Domine - Patrick Doyle

Falando em "meus pais colocavam", lá vem outra da série. Essa música faz parte da trilha sonora do filme "Henrique V", baseado na peça de Shakespeare, e meu pai colocava sempre nessa cena do filme só para ouvir a música em questão. Bem, a cena não é das mais felizes, mas, traumas de infância à parte, a música é muito bonita e me dá mais um sentimento de gratidão profunda do que tristeza. Choro de emoção mesmo, talvez por conta das lembranças. Ajuda também o fato de que já a cantei em coral uma vez. ARREPIOS!



Classificação: três baldes de lágrimas gratas pela vida.

5 - On  Earth as it is in Heaven - Ennio Morricone

GENTE. Essa música. Tem como não chorar? É TÃO LINDA!!! Esse coral, esse oboé, o ritmo ao final, pelo amor de Deus!! E faz parte da trilha sonora favorita da minha irmã. Sempre me lembro dela ♥. Ennio Morricone, pare de compor coisas tão lindas!



Classificação: cinco baldes de lágrimas THE FEELS, THE FEELS!!!

4 - Laudate Dominum - Taizé

Vontade de sair cantando pela rua, dando a mão para as pessoas numa corrente de paz, amor, luz e etc. Independente de religião ou qualquer outra coisa (essa música é cristã, penso eu com meu parco conhecimento de latim e 0 de francês), essa é uma melodia que me deixa voando, com vontade de promover a paz mundial. E chorar, é claro.



Classificação: três baldes de lágrimas pacíficas e reverentes.

3 - City of Flickering Destruction - Yoko Shimomura

Parte da trilha sonora do jogo "Legend of Mana" (FAVORITO DE TODOS OS TEMPOS!), essa era a música da cidade destruída dos jumis, pessoas que tem uma joia no lugar do coração (aliás, queria muito ter tido essa ideia toda dos jumis antes de qualquer um para usar em um livro). Ela é linda e rasga meu coração em pedacinhos, ainda mais porque mistura tristeza e nostalgia (jogava esse jogo no início do meu namoro com o Matheus. AS MEMÓRIAS!!!), e a história dos jumis é muito triste (snif). Olha, para falar a verdade, toda a trilha sonora desse jogo me faz chorar. 


 

Classificação: cinco baldes de lágrimas de amor.

2 - La petite fille de la mer - Vangelis

Ugh. Essa música dói. É linda, mas traz um sentimento tão estranho... de abandono, de velhice, de coisas deixadas para trás, histórias não contadas.... e ainda calhei de ouvi-la muito quando enfrentei minha primeira perda de um ente querido. Ou seja, lágrimas, lágrimas, lágrimas. Mas gosto muito dela, acho-a incrível. Vangelis, faça-me o favor de parar de compor essas coisas bonitas também. Quer dizer, não, não para não.


Classificação: cinco baldes de lágrimas melancólicas.

1 - Forgiven - Within Temptation

UGH. UGH. Não consigo ouvir essa música. A letra dela me deixa extremamente triste. Penso em uma pessoa que desistiu da vida, desistiu de lutar, deixou-se abandonar... e ouve da pessoa que a ama: "está tudo perdoado". Pronto, já estou chorando. Eu realmente pulo essa música dos CDs e DVDs que tenho da banda. Não ~consigo lidar~, embora seja uma música linda.



Classificação: cinco baldes de lágrimas soluçantes que não me permitem respirar.


Conclusão: poderia fazer uma lista com mais dez, mas vamos parar por aqui antes que eu deprima todos vocês. Prometo uma lista mais alegra da próxima vez XD.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Confesso que...

Saudações, queridos leitores. 

Hoje vim fazer uma confissão aqui. Estou empacada. Empacada no quinto capítulo de O Despertar de Kathul. 

Bloqueio criativo? Sim, em partes, mas não é só isso. Confesso que ando fazendo uma coisa muito feia XD. 

Existe uma outra história me assombrando. Eu tentei afastá-la, mas ela é mais forte do que eu. Para dar vazão ao impulso constante de botar aquilo que estava nascendo no papel, eu me permiti escrever algo. Começou com um conto, "O Vento do Oeste" (ainda sem previsão ou certeza de publicação. Em última instância, colocarei no wattpad!).  

Não devia ter feito isso. Como dizia minha vó, "comer e coçar, é só começar". No momento tenho vinte páginas em A4 de um tal de "Coração de Areia", continuação de "O Vento do Oeste", mas agora com uma história bem maior. O título é provisório. A escrita é provisória também, já que precisará de releituras, correções e, por fim, reescritas. 

Estou no meio de uma tempestade de areia que não me dá trégua. Declaro que, obviamente, não deixarei de escrever O Despertar de Kathul, mas minha cabeça não quer sair do reino de Sawad, a terra desértica de Edrim. Jahira (que antes era Zafira, mas mudou de nome por conta do carro homônimo), Farid, Amina e Zayn ficam dançando dabke na minha cabeça. No youtube, ressoam melodias antigas da Andaluzia e a trilha sonora de A Múmia/O Retorno da Múmia e O Décimo Terceiro Guerreiro XD. 

Alguém aí já teve problema parecido? O que acham da empreitada de escrever duas histórias ao mesmo tempo? Sinto que as coisas se tornam um pouco mais fáceis quando a ambientação é bem diferenciada, mas, mesmo assim, creio que não tenho tanto cacife criativo para levar duas histórias nesse momento XD. 

Vamos ver no que isso tudo vai dar. É verdade que ando um pouco exaurida de criatividade - tanto que os posts por aqui têm sido mais curtos e não tão inspirados. Talvez seja por isso que minha mente sentiu necessidade de se renovar um pouco com uma história fresca. É isso aí. Vou acreditar nessa hipótese. Preciso de renovação e novas perspectivas. (Mas algumas coisas não mudam. Outro dia escrevi uma cena dessa nova história e tive que maneirar na glicose ♥♥♥). 

Que a Deusa Lua me inspire, ai, ai...