sexta-feira, 2 de maio de 2014

"Coisas gritantes que me calam"

Arte e palavras de Clarice Freire, do lindo blog Pó de Lua
Ando ruim para escrever. Confesso. Outro dia até comemorei via twitter o quinto capítulo de O Despertar de Kathul engrenando novamente, mas foi em vão. Acabei apagando grande parte do que tinha escrito, insatisfeita. 

Nada temam - é fase. Continuo amando muito meus queridos personagens e essa história que tanto significa para mim. O que tem me salvado é o tal Coração de Areia, lembram? A história tem me renovado os ânimos e creio que teremos dois livros novos até que eu termine O Despertar de Kathul. Quem diria... 

Mas a questão é que eu ando ruim até de leitura. Preciso voltar parágrafos, me engalfinho com as palavras, deixo passar detalhes essenciais. Não tem nada a ver com o que estou lendo, e sim com meu estado de espírito. 

Quem me conhece pessoalmente sabe que sou extremamente falante. Aliás, quando eu estou sem-graça eu desato a falar e fazer piadas (e acreditem, eu não sou nada engraçada), quando estou em um grupo geralmente sou bem tagarela (o Galnor com certeza me apelidaria assim também). Mas, paradoxalmente (será?), sou bem ruim quando se trata de conversar sobre assuntos mais sérios. Não consigo falar sobre os meus sentimentos de maneira clara, não me sinto confortável discutindo coisas que até mesmo gostaria de discutir, não chego ao ponto. Quando falo sobre essas coisas, tudo me parece pobre e superficial. Na verdade, sou uma introvertida disfarçada de extrovertida. 

Felizmente consigo conversar tudo com o marido, mas muitas vezes passamos horas no blá-blá-blá até que eu consiga definir realmente que tipo de joça estou sentindo. Enquanto isso, o Matheus, com seu jeito calado e sério, tem uma precisão cirúrgica ao falar sobre essas coisas. Pois é. É muito comum que ele consiga perceber e definir o que eu estou sentindo muito melhor do que eu. E viva minha coerência XD. 

Em compensação... eu me solto quando escrevo. Muito. Escrever textos, sozinha e quietinha, é a melhor forma de expressão que eu tenho, é uma das minhas terapias (além de encher os ouvidos do marido, pobre!). 

Por isso mesmo, um bom tempinho atrás, eu comecei um blog pessoal. Na verdade, foi em fevereiro, mas eu deixei o bichinho quietinho lá e fui utilizando o dito cujo como uma espécie de diário, para desabafar e manter escritas aquelas coisas que gritam dentro de mim e, ao mesmo tempo, me calam. São essas as coisas que muitas vezes me deixam de espírito esgotado, com a cabeça travada.

Acho que todo mundo sente isso de vez em quando. Nossas experiências enquanto humanos nesse planetinha esquisito nos vão enchendo de dores, feridas, aprendizados difíceis (e de muitas alegrias também, mas alguns períodos são mais turbulentos, outros mais amenos, e assim vai), indignações... e então, por vezes, temos tanto a dizer que não conseguimos dizer nada. Como a imagem ali em cima demonstra magistralmente. 

Vira e mexe eu sinto vontade de escrever um ou outro texto aqui no blog e percebo que ele não tem nada a ver com a proposta desse espaço. Daí deixo quieto. Mas sempre quis falar sobre outros assuntos e abordar reflexões que não tivessem cunho literário. Então veio a ideia de fazer o Escriba da Lua lá no começo do ano. Até agora não sei se foi uma boa ideia, mas depois de meses decidi que gostaria de compartilhar isso com vocês. Apelidei-o carinhosamente de "blog dos mimimis", mas juro que não é tão ruim assim. Ou é. Sei lá. Vocês decidem, se tiverem coragem de fazer uma visita XD. 

Fica aqui o convite. Adoraria conversar mais com vocês por lá também, então, sintam-se já muito bem-vindos se passarem pelo Escriba da Lua. Um beijo no ♥, gente boa. 

4 comentários:

  1. Amanda Silversong3 de maio de 2014 13:39

    Oie ^^

    Minha irmã e meu noivo sabem como sou tagarela, e eu também me meto a escrever um pouco do meu "mimimi" (achei muito fofa esta expressão ^^) em um dos meus cadernos velhinhos da época da escola. Sou muito grata por ter estes dois santos que me escutam, porque já vi amigas que falam bem menos do que eu levarem uns "calaboca" bem feio de familiares e amigos.

    Bom, deixa eu parar de tagarelar e ir ver o blog novo de uma vez ^^

    Beijos da Amanda!!!

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    1. Oi, Amanda!!

      Eu também sou super tagarela, muito mesmo. E o coitado do Matheus é super quieto, então... já viu, né. Eu também agradeço muito por ter alguém que me ouve e pessoas que me leem XD. Tá, eu sou ruim para expressar aquilo que é necessário, mas mesmo assim falo para caramba e costumo não ser nada resumida ao escrever. Ou seja, eu tenho consciência que as pessoas precisam de paciência para me aguentar, hahahaha! Mas é bem comum que eu escute bastante também. Se eu vejo que a pessoa não está a fim de me ouvir ou prefere falar e conversar, eu fico bem quieta. E o fato é que grande parte das pessoas prefere falar e raramente quer ouvir.

      Mas oh, você pode sempre colocar comentários enormes aqui se quiser, eu AMO! Nós, tagarelas, temos de nos unir!

      Beijos!! E obrigada por estar sempre por aqui. Vocês fazem muita diferença.

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  2. Eu já tinha visitado sua postagem há um tempinho, mas só agora estou comentando (correria por causa do ingresso no concurso do Estado >.<)

    Acho que, se escrever é uma forma com a qual a gente consegue colocar algumas coisas para fora, tem que escrever mesmo.

    Às vezes pode até ser sobre uma coisa que julgamos questionamentos pessoais, mas em algum lugar existirá alguém que vai ler e se identificar. Poderá acontecer de suas palavras serem aquilo que a pessoa tanto quis dizer sobre determinado assunto, mas que não o faz porque não tem o dom da escrita.

    Já estou seguindo o blog e tão logo a correria com o concurso passe (fazer os exames para perícia... acertar minha mudança de cidade), lerei os textos que já tem por lá ^_^

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    1. Gisele, é bem isso que você falou mesmo... quantas vezes eu não li um texto e senti "puxa, é bem isso que eu sinto"... e é tão bom, né... te dá uma sensação de acolhimento. Por isso mesmo resolvi escrever um pouco sobre o que sinto. De um lado tem o desabafo, que é ótimo, e do outro existe essa questão da identificação.

      Leia sim, vou adorar ver seus comentários por lá! Mesmo porque eu adoro o seu blog pessoal também!!

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