sábado, 10 de maio de 2014

Escrevendo sobre outras culturas

Saudações, meus queridos leitores! Nesse momento, eu deveria estar dormindo ou dando continuidade aos meus escritos literários. Mas, ao invés disso, aqui estou, na madrugada do sábado, para falar sobre um assunto que tem me trazido muitas reflexões, ultimamente. 

Vocês que passam sempre por aqui já sabem que estou tentando desenvolver uma história com elementos da mitologia árabe e da cultura do oriente médio/África em geral. Eu gosto muito dessa temática e tenho procurado pesquisar bastante para não fazer feio. Embora o meu objetivo não seja, absolutamente, fazer um romance histórico ou algo do tipo, ainda assim me preocupo em deixar a ambientação minimamente coerente. E olha, tenho esbarrado com muita coisa bacana. Aprendi palavras novas como "muxarabi", li receitas de pão de semolina, descobri o que é um forno tandoor, me encontrei com djinn e ifrit, tomei chá com os tuaregues, li sobre umas trocentas coisas diferentes, sobre costumes, religiões, zoroastrismo, islamismo, ou seja... tem sido divertido e enriquecedor pra caramba! Até arquitetura entrou na roda. Vocês sabem o que é um arco tudor? XD. 

Mas aí vem aquela sensação de que o pouco que eu sei é nada. É estranho porque, embora essa temática me seja muito cara, eu não pertenço a esse mundo, obviamente. Na verdade, nasci e fui criada em uma país ocidental extremamente influenciado pela cultura norte-americana, que, aliás, nos ensina que árabe/islâmico/oriental é sinônimo de terrorista/fundamentalista/homem-bomba  (etc). E daí me ponho a pensar: como retratar todo esse caldeirão de informações, de culturas, de épocas diferentes, de uma forma justa e não estereotipada? Como não transformar o meu livro em um capítulo da novela O Clone XD? (putz, eu admito que adorava essa novela). O que quero dizer é que é muito mais fácil, para mim, escrever sobre elfos, florestas, casas na neve e etc. porque, mesmo que eu nunca tenha visto neve (ou elfos - snif!!) XD, estamos mais acostumados à uma fantasia mais "europeia", habituados a histórias que lidem com esse mundo mais "próximo". Não é? (e ainda assim surgem muitas dificuldades, anacronismos que cometemos, problemas com linguagem, etc). 

Tenho medo de fazer lambança e de tropeçar desajeitadamente no meio do caminho, falando sobre o que não sei. Minhas intenções são as melhores, eu prometo, mas tenho minhas limitações. Tudo o que posso dizer é que quero que Sawad seja um reino cheio de histórias para contar, com uma cultura tão rica e bonita quanto tudo o que eu tenho descobrido ultimamente ♥. Quero que Sawad tenha personagens marcantes, com falas e características próprias, com traços que os diferenciam dos meus queridos jovens de Silena, por exemplo (que vivem do outro lado do mundo), para que o próprio mundo de Edrim se torne mais vivo, mais cheio de detalhes e coisas que o tornem crível. 

Vamos ver. Em breve, vocês vão poder conferir o resultado da minha empreitada no conto "O Vento do Oeste". É, logo, logo eu vou trazer uma surpresa por aqui em relação a essa história. Mas isso fica para depois... :). 

6 comentários:

  1. É muito complicado escrever sobre culturas diferentes, e posso dizer que às vezes, nos propomos a escrever sobre uma cultura que achamos que conhecemos razoavelmente bem, para depois estudarmos um pouco e vermos que há muito que ainda não sabíamos.

    Mas acho que esta sensação de que sabemos pouco é por vezes boa porque ela nos buscar aprender mais. Além disso, isto evita que façamos "lambanças".

    Mas digo a todos aqui que a terra de Sawad está muito bem construída, e que gostarão muito deste novo universo assim que lerem o Coração de Areia.

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    1. Muito obrigada, Odin. Você sempre gentil. Lembro do tanto que pesquisou sobre mitologia nórdica para fazer o Asgard RPG. Realmente, quando a gente fala/se baseia em outras culturas, tem que haver um cuidado especial. E Sawad é um reino que tem elementos baseados em várias coisas, o objetivo é criar um lugar com o sabor de uma cultura diferente, mas sem imitá-la ou emulá-la completamente. Vamos ver se consigo me dar bem nessa tarefa.

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  2. Liége, entendo sua preocupação. Mas acho que se você já está preocupada assim e estudando, é porque está no acaminho certo. A verdade é que por ser fantasia, na verdade você está fazendo uma apropriação da cultura árabe, ou seja, você pode e deve tomar liberdades para criar o que for necessário ou mesmo modificar algumas coisas.

    Estou gostando de ver o quanto você está empolgada com esse livro, inclusive isso me faz ficar super ansiosa com ele! :)

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    1. Obrigada, Melissa! Realmente, estou procurando ser bem cuidadosa e ando fazendo muita pesquisa sim :). Creio que a coisa não vá ficar estereotipada, mas ainda assim fico pisando em ovos quando tenho que descrever uma jornada no deserto, por exemplo! É complicado saber direitinho o que as pessoas fazem nesses casos, como lidam com os obstáculos naturais que um ambiente desses proporciona, ou seja... fico morrendo de medo de pisar na jaca! XD

      Mas é verdade, Melissa, eu estou mesmo muito empolgada. Isso me deixa muito feliz e estou me esforçando para escrever uma história bacana. Espero que consiga atingir esses objetivos!!

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  3. Amanda Silversong12 de maio de 2014 08:52

    Oie!!!

    Por mais que eu ame elfos e a mitologia criada pelo vovô Tolkien, eu fico sempre muito feliz quando vejo algo que use uma outra temática sendo criado. A mitologia árabe é incrivelmente rica e bonita, e é vergonhoso que tenhamos tão pouco material sobre isso por causa desta cultura da ignorância pregada pelos Estados Unidos e aceita em quase todo lugar.

    Eu estou muuuuuuuuuuuuuito ansiosa pelo Coração de Areia, e pelo que vi no Enigma da Lua, tenho total confiança de que vai ser algo muio especial. Mal posso esperar para saber mais sobre o lindo romance desse livro ^^

    Tenho certeza de que você está no caminho certo, Li, e pode ter certeza também que nós fãs de Edrim estaremos sempre ali com você!!!

    Beijos da Amanda ^^

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    1. Amanda, eu te entendo perfeitamente! Eu também adoro todo essa tradição que o Tolkien criou, afinal, ele é praticamente um pai da alta fantasia e devemos muito a ele. Mas a mitologia árabe e a cultura desses povos é muito rica. Eu estou ficando tão empolgada, tão envolvida, porque tudo me parece mais fresco (mesmo que eu já conhecesse uma porção de coisas antes). É como se eu tivesse todo um mundo novo para explorar. O mais bacana é que isso me ajuda a criar personagens distintos, porque eles acabam tendo, naturalmente, outros jeitos de enxergar as coisas, o lugar onde vivem, e etc.

      Sim, Amanda, é verdade, nós temos pouquíssimas coisas que lidem com esses temas. E quanto mais eu aprendo, mais triste fico com essa falta de "diversidade", digamos assim. Existe muita coisa linda para explorar nessas culturas diferentes.

      Eu espero que o livro fique bem bacanudo mesmo, viu. Está sendo uma coisa muito especial para mim. E temos muito romance ♥. É engraçado, mas essa temática é bem mais poética e favorece a glicose XD.

      Obrigada, Amanda! São vocês, que estão sempre ali comigo, que fazem tudo valer a pena!

      Beijos no coração!



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