domingo, 29 de junho de 2014

Muito obrigada!

Olá, pessoal. Hoje estou aqui para falar algo não tão bacana... é. Hesitei bastante antes de escrever essa postagem e já tem algum tempo que tenho tentado manter as coisas como sempre estiveram. Mas, infelizmente, sinto que chegou a hora de dar uma desligada e cuidar do que preciso cuidar. 

Para quem interessar (meus queridos 1d4-1 leitores!), apesar do tom um pouco sombrio do parágrafo acima, tanto eu quanto o Matheus estamos bem, mas não vivemos sozinhos em uma ilha. Há tempos existem algumas coisas acontecendo em meu âmbito familiar/pessoal e nós dois temos procurado ajudar. Isso tem envolvido um desgaste emocional para mim e aos poucos fui sentindo mais dificuldade para prosseguir levando minhas obrigações diárias, rotina e até mesmo atividades que são hobbies, mas que exigem comprometimento e dedicação. Além disso, muitas vezes o tempo é escasso, já que meu trabalho como professora não pode ficar de lado de jeito nenhum. Já fazia um tempo, afinal, que eu não andava tão produtiva quanto gostaria. 

Não tenho me sentido 100% e decidi que preciso de tempo, recolhimento e reflexão ao lado das pessoas que amo. Vocês sabem o quanto gosto desse espaço e o quanto ele me é e foi importante. Por isso, acreditem, essa não é uma decisão leviana. Não quero expor aqui tudo o que me levou a tomá-la, mas realmente creio que isso será a melhor coisa para mim nesse momento. 

Eu NÃO deixarei de escrever O Despertar de Kathul e darei continuidade aos meus projetos (incluindo Coração de Areia) e minhas leituras, mas de forma mais gradativa. Voltarei aqui quando o terceiro livro estiver pronto (não sei quando será) e para dar alguma notícia, eventualmente. Mas me afastarei da internet e de redes sociais pelo tempo necessário. Quem precisar/quiser se comunicar comigo por conta de alguma coisa mais importante ou meu próprio trabalho, pode continuar me encontrando no e-mail astreya.bhael@gmail.com. 

Peço desculpas, digo um adeus e deixo aqui a minha gratidão por todo o apoio que ganhei ao longo desses quase dois anos. Vocês que sempre estiveram por aqui sabem o quanto são especiais e quanto me fizeram bem. E é por vocês que prometo continuar escrevendo sempre, nem que seja mais devagarinho. Obrigada, pessoal... e tudo de bom. Que os deuses os acompanhem em um caminho esplendoroso... e torçam por mim, se encontrarem um espacinho em seus ♥.



"So fill to me the parting glass
Good night and joy be with you all"

(Atualização: pessoal, não fiquem preocupados. O que está acontecendo são todas coisas passageiras e que se resolvem. Só preciso de um tempo para refrescar a cabeça e me focar na escrita e em ficar ao lado das pessoas que eu amo. Mas estou bem e conto com muitas bençãos na minha vida!).

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Estamos ficando cada vez mais cínicos?

O título da postagem é um pouco mais sombrio/pesado do que eu gostaria, mas essa pergunta tem martelado insistentemente a minha cabeça nos últimos tempos. Será que estamos ficando mais cínicos? 

Pense em filmes que você assistia nos idos anos 80/90. Sessão da Tarde. É claro que até hoje não sei como "Rambo" era uma escolha para as tardes globais, por exemplo, mas se me lembro de Willow, A História sem Fim, A Lenda, De volta para o futuro e outros, sempre me pego pensando se esses filmes teriam uma boa recepção caso fossem lançados hoje em dia. Minha resposta, invariavelmente, é não. Talvez esteja enganada, mas creio que muitos concordariam comigo e já vi esse questionamento ser levantado em inúmeros lugares e rodas de conversa. 

As crianças para as quais dou aula hoje não acreditam em finais felizes, tiram sarro de príncipes e princesas, mas sabem o preço de um Porsche, de uma Ferrari e sonham com riqueza e dinheiro. É verdade. Eu dei uma aula, recentemente, na qual nós abordamos sonhos e anseios. A resposta "dinheiro" para a pergunta "qual é o seu sonho" foi extremamente comum. Com um sorriso, eu perguntava a eles qual era o motivo de quererem tanto dinheiro. O que fariam com ele. Como fariam para ter a tão sonhada e valorizada riqueza. O que conseguia, depois disso, eram salas silenciosas ou respostas titubeantes (bem, um garoto disse que conseguiria comprar mulheres, carros e amigos). Me dei conta de que eles repetem desejos adultos de carreiras espetaculares e cofres do Tio Patinhas, mas, no fim, nem ao menos sabem o que fariam com isso.


São crianças. O que é que eu queria com dinheiro nessa idade? É claro que todos almejamos ter conforto e algumas regalias na vida (quem é que não ama viajar, né?), mas se eu sonhava com dinheiro aos 10 anos era porque queria uma casa com tobogã gigante e uma piscina de marshmallows. 

Me permitiram ser criança. Me permitiram sonhar e olhar a vida com menos cinismo. Com fantasia, inocência, alegria. 

Recentemente, eu assisti um filme chafurdado pela crítica e que nem chegou aos cinemas aqui de Londrina - "Um conto do destino". Fiquei com o pé atrás por conta de tantos elogios ao contrário mas, ao final, me peguei às lágrimas. Ali estava um filme parecido com um conto de fadas, com conceitos simples como "o amor faz milagres", com uma batalha entre bem e mal e ponto final. Me emocionei de verdade. Me emocionei porque ando, sim, cansada de tons de cinza e descrença. Não porque eles não existam - é claro que existem, existem a toda hora, em cada lugar que eu vou. Estou cercada por falta de esperança, gente ambígua e atitudes traiçoeiras. Minha vida não é só isso, é claro. Tenho pessoas maravilhosas perto de mim, mas as vejo serem machucadas o tempo todo, vejo muita gente que eu adoro sofrendo e quebrando a cara. Já é um mundo difícil. 

Veja bem: não quero, com essas palavras, pregar que só deve existir um tipo de história. Pelo contrário, eu prezo a diversidade e acho que é muito importante que todos nós tenhamos histórias e personagens com os quais possamos nos identificar. Mas... eu acho que estamos mesmo ficando mais cínicos. Basta perceber que até na fantasia, gênero que aceita o imaginário e a inocência com portas bem mais abertas, o que tem se destacado é o "dark", o violento, o "realista". Nada de errado em gostar disso! Eu mesma aprecio coisas mais sombrias de vez em quando e gosto de um monte de narrativas que lidam com esses "tons de cinza" e mostram os vários lados de uma história. Porém, até mesmo a Disney tem se reinventado, não é? E lá está Elsa, de Frozen, com rosto frio e ar de desprezo: "você não pode se casar com um homem que acabou de conhecer". 

Se eu concordo com ela? É claro. Ninguém deveria se casar com um completo estranho, mas eu também acho que contos de fada são histórias que funcionam em sua simplicidade arquetípica (e fico pensando que Shakespeare jamais escreveria Romeu e Julieta hoje em dia...), acho que conceitos simples de bem/mal, amor/ódio, vingança/compaixão funcionam para crianças (a educação em casa também é bem importante para que a gente não leve as coisas ao pé da letra - fica um recado aos pais que acham que TV vai fazer o trabalho deles). Eu e minha irmã crescemos com desenhos da Disney, nos tornamos adultas amando esses clássicos e não, não ficamos esperando um príncipe encantado aparecer em nossas vidas - sei lá, não foi essa a mensagem que captamos. 

Na verdade, os desenhos foram parte importante de nossas infâncias e um grande ponto de alívio para nós quando as coisas ficavam mais conturbadas no ambiente familiar. Então, sinceramente, para nós duas - conversamos sobre isso nesse feriado - é até mesmo triste essa coisa de "isso mesmo, vamos modernizar a Disney e deixar para trás as mensagens ridículas e ultrapassadas, uhul". Bem, não foi ridículo para nós. Eu sei que estou falando aqui de memória afetiva e de um caso em particular, mas, definitivamente, o legado que a Disney nos deixou não foi ruim. Foi uma mensagem de inocência, de um momento em que embarcávamos em sonhos e fantasias infantis, nas quais receber um beijo de amor verdadeiro, voar em um tapete e salvar a China imperial eram coisas igualmente fantásticas. 
Quem fez essa montagem tem um parco conhecimento sobre os filmes da Disney. E "sisters before misters" é o novo "bros before hoes"? :\

Bem, o que estou dizendo é o seguinte: eu lido com crianças o tempo todo, tenho uma sobrinha de seis anos e primos adolescentes (família grande, hehehe). Vejo o resultado dessa "quedinha" pelo cinismo exatamente em quem deveria estar vivenciando um pouco mais de inocência e simplicidade. E fico verdadeiramente triste ao ver esses olhos pequenos parando de brilhar cada vez mais cedo. 

Que nós apreciemos histórias diversas, sim. Mas que não nos esqueçamos de que temos direito ao sonho, à fantasia, ao amor verdadeiro entre as pessoas, à esperança (se assim quisermos, se gostarmos). E, mais do que isso, temos o dever de não negar isso a quem mais precisa... em um mundo cada vez mais pragmático. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Trasgo edição 03 no ar!


Saudações, queridos leitores! Primeiramente, feliz dia dos namorados atrasado! Mais uma vez, eu não faço uma postagem no dia 12, mas prometo tentar sanar essa falta em 2015 :P. 
Bom, mas venho com boas novas para compensar meu equívoco. A terceira edição da Revista Trasgo está no ar e, como alguns já sabem, tem conto meu lá!!! AI, A EMOÇÃO!!!

Falando sério, estou muito feliz por poder apresentar Sawad pela primeira vez por meio de uma publicação séria e bacana como a Trasgo. Eu já estava feliz antes, mas, ao ver o conto por lá, fiquei mais ainda. Quando vi o "Salwaan" - saudação que é parte do vocabulário desse meu novo e querido cenário - abrindo o editorial, fiquei muito emocionada. Daí quase tive um pequeno AVC quando vi o "Safiah din naan" ao final. Quer saber qual o significado da frase? Ou, talvez, saber o que é um Ahmar e conhecer Farid Nafsaji, um homem atormentado pelo maligno Bahaal'zar? Então, que tal ler "O Vento do Oeste"? Para conferir a revista (tem até uma entrevista comigo lá!), com seis contos supimpas, basta acessar esse link!.

Bom, chega do meu blábláblá. O importante é conhecer a revista e continuar apoiando iniciativas como essa! Portanto, pessoal, sugiro que confiram também as duas primeiras edições da Trasgo (excelentes, por sinal) e peço que, se for possível, divulguem a cada vez mais pessoas esse trabalho bacana do editor Rodrigo van Kampen e dos autores que enviam seus escritos para a publicação - incluindo aí os ilustradores. A capa da Kelly Santos não ficou maravilhosa?

Safiah din naan, queridos, e boa leitura!

sábado, 7 de junho de 2014

Uma ponte sobre águas turbulentas

Ontem, dia 6, Matheus, meu marido, fez 34 anos. Planejava fazer uma postagem no dia certo, como sempre gosto de fazer. Mas, ao invés disso, larguei o computador por quase o dia todo e procurei demonstrar com ações e gestos o que as palavras poderiam ter dito. Ainda assim, minha resolução não morreu e aqui estou eu, hoje, porque quem gosta de escrever adora botar seus sentimentos no papel - post, nesse caso.

Quando conheci o Matheus, ele tinha 22 anos, creio que estava muito próximo de fazer 23. Eu tinha quinze e fiz dezesseis no mesmo ano. Até hoje, me lembro muito bem da primeira vez em que o vi. Também me lembro muito bem de um dia em que ele chegou na casa de nosso amigo para jogar RPG com o semblante um pouco nervoso - o que era muito incomum. Perguntamos o que havia acontecido e ele falou brevemente sobre algum problema em casa e também contou que um galho de árvore enorme havia caído em suas costas antes de ele sair. Logo depois, assumiu a sua costumeira paciência e passou a mestrar a partida com aquela voz calma e bonita de sempre.

Apenas anos depois eu fui descobrir que, naquela época, o Matheus estava passando por um verdadeiro rebuliço em seu âmbito familiar e pessoal. Mas ele nunca dizia nada, embora todos nós dividíssemos problemas e angústias com ele, e só contou isso depois que me tornei sua namorada. E era impressionante - sempre havia um sorriso, sempre havia uma palavra de conforto nos lábios dele, um gesto de gentileza. E até hoje há, embora o tempo e as feridas tenham nos ensinado que nem todos merecem um coração aberto, pelo menos não o tempo todo. Temos que nos resguardar um pouco, para sobreviver.

Mas, eu digo... quem se dispõe a conhecer - verdadeiramente - esse moço com quem tenho a honra de conviver, vai encontrar muito mais do que um simples colega, uma pessoa para rir ou falar bobagens. Muitos estranham esse rapaz silencioso e sério, mas o Matheus é o tipo de pessoa que se jogará em cima de qualquer problema ou obstáculo, como uma ponte, para fazer passar as pessoas que ama. Por isso, se eu pudesse dizer que tipo de pessoa o Matheus é usando uma canção, eu usaria essa:



Se hoje eu devo agradecer uma pessoa pelo que me tornei - e o que me tornei pode parecer pouco, já que sou absolutamente comum, mas para mim é muito - essa pessoa é ele. Porque ele me resgatou de um mar profundo, se fez ponte e hoje está aqui, dizendo, como na música: "navegue, garota prateada. Navegue. Chegou o seu tempo de brilhar e os seus sonhos estão se encaminhando. E, se você precisar de um amigo, estou navegando logo atrás". 

Logo atrás, não. Do meu lado, segurando minha mão. Sempre. E a recíproca é absolutamente verdadeira.

Feliz aniversário, meu querido marido. E muito obrigada.