segunda-feira, 23 de junho de 2014

Estamos ficando cada vez mais cínicos?

O título da postagem é um pouco mais sombrio/pesado do que eu gostaria, mas essa pergunta tem martelado insistentemente a minha cabeça nos últimos tempos. Será que estamos ficando mais cínicos? 

Pense em filmes que você assistia nos idos anos 80/90. Sessão da Tarde. É claro que até hoje não sei como "Rambo" era uma escolha para as tardes globais, por exemplo, mas se me lembro de Willow, A História sem Fim, A Lenda, De volta para o futuro e outros, sempre me pego pensando se esses filmes teriam uma boa recepção caso fossem lançados hoje em dia. Minha resposta, invariavelmente, é não. Talvez esteja enganada, mas creio que muitos concordariam comigo e já vi esse questionamento ser levantado em inúmeros lugares e rodas de conversa. 

As crianças para as quais dou aula hoje não acreditam em finais felizes, tiram sarro de príncipes e princesas, mas sabem o preço de um Porsche, de uma Ferrari e sonham com riqueza e dinheiro. É verdade. Eu dei uma aula, recentemente, na qual nós abordamos sonhos e anseios. A resposta "dinheiro" para a pergunta "qual é o seu sonho" foi extremamente comum. Com um sorriso, eu perguntava a eles qual era o motivo de quererem tanto dinheiro. O que fariam com ele. Como fariam para ter a tão sonhada e valorizada riqueza. O que conseguia, depois disso, eram salas silenciosas ou respostas titubeantes (bem, um garoto disse que conseguiria comprar mulheres, carros e amigos). Me dei conta de que eles repetem desejos adultos de carreiras espetaculares e cofres do Tio Patinhas, mas, no fim, nem ao menos sabem o que fariam com isso.


São crianças. O que é que eu queria com dinheiro nessa idade? É claro que todos almejamos ter conforto e algumas regalias na vida (quem é que não ama viajar, né?), mas se eu sonhava com dinheiro aos 10 anos era porque queria uma casa com tobogã gigante e uma piscina de marshmallows. 

Me permitiram ser criança. Me permitiram sonhar e olhar a vida com menos cinismo. Com fantasia, inocência, alegria. 

Recentemente, eu assisti um filme chafurdado pela crítica e que nem chegou aos cinemas aqui de Londrina - "Um conto do destino". Fiquei com o pé atrás por conta de tantos elogios ao contrário mas, ao final, me peguei às lágrimas. Ali estava um filme parecido com um conto de fadas, com conceitos simples como "o amor faz milagres", com uma batalha entre bem e mal e ponto final. Me emocionei de verdade. Me emocionei porque ando, sim, cansada de tons de cinza e descrença. Não porque eles não existam - é claro que existem, existem a toda hora, em cada lugar que eu vou. Estou cercada por falta de esperança, gente ambígua e atitudes traiçoeiras. Minha vida não é só isso, é claro. Tenho pessoas maravilhosas perto de mim, mas as vejo serem machucadas o tempo todo, vejo muita gente que eu adoro sofrendo e quebrando a cara. Já é um mundo difícil. 

Veja bem: não quero, com essas palavras, pregar que só deve existir um tipo de história. Pelo contrário, eu prezo a diversidade e acho que é muito importante que todos nós tenhamos histórias e personagens com os quais possamos nos identificar. Mas... eu acho que estamos mesmo ficando mais cínicos. Basta perceber que até na fantasia, gênero que aceita o imaginário e a inocência com portas bem mais abertas, o que tem se destacado é o "dark", o violento, o "realista". Nada de errado em gostar disso! Eu mesma aprecio coisas mais sombrias de vez em quando e gosto de um monte de narrativas que lidam com esses "tons de cinza" e mostram os vários lados de uma história. Porém, até mesmo a Disney tem se reinventado, não é? E lá está Elsa, de Frozen, com rosto frio e ar de desprezo: "você não pode se casar com um homem que acabou de conhecer". 

Se eu concordo com ela? É claro. Ninguém deveria se casar com um completo estranho, mas eu também acho que contos de fada são histórias que funcionam em sua simplicidade arquetípica (e fico pensando que Shakespeare jamais escreveria Romeu e Julieta hoje em dia...), acho que conceitos simples de bem/mal, amor/ódio, vingança/compaixão funcionam para crianças (a educação em casa também é bem importante para que a gente não leve as coisas ao pé da letra - fica um recado aos pais que acham que TV vai fazer o trabalho deles). Eu e minha irmã crescemos com desenhos da Disney, nos tornamos adultas amando esses clássicos e não, não ficamos esperando um príncipe encantado aparecer em nossas vidas - sei lá, não foi essa a mensagem que captamos. 

Na verdade, os desenhos foram parte importante de nossas infâncias e um grande ponto de alívio para nós quando as coisas ficavam mais conturbadas no ambiente familiar. Então, sinceramente, para nós duas - conversamos sobre isso nesse feriado - é até mesmo triste essa coisa de "isso mesmo, vamos modernizar a Disney e deixar para trás as mensagens ridículas e ultrapassadas, uhul". Bem, não foi ridículo para nós. Eu sei que estou falando aqui de memória afetiva e de um caso em particular, mas, definitivamente, o legado que a Disney nos deixou não foi ruim. Foi uma mensagem de inocência, de um momento em que embarcávamos em sonhos e fantasias infantis, nas quais receber um beijo de amor verdadeiro, voar em um tapete e salvar a China imperial eram coisas igualmente fantásticas. 
Quem fez essa montagem tem um parco conhecimento sobre os filmes da Disney. E "sisters before misters" é o novo "bros before hoes"? :\

Bem, o que estou dizendo é o seguinte: eu lido com crianças o tempo todo, tenho uma sobrinha de seis anos e primos adolescentes (família grande, hehehe). Vejo o resultado dessa "quedinha" pelo cinismo exatamente em quem deveria estar vivenciando um pouco mais de inocência e simplicidade. E fico verdadeiramente triste ao ver esses olhos pequenos parando de brilhar cada vez mais cedo. 

Que nós apreciemos histórias diversas, sim. Mas que não nos esqueçamos de que temos direito ao sonho, à fantasia, ao amor verdadeiro entre as pessoas, à esperança (se assim quisermos, se gostarmos). E, mais do que isso, temos o dever de não negar isso a quem mais precisa... em um mundo cada vez mais pragmático. 

14 comentários:

  1. Infelizmente, este mundo está condenado. Ou melhor, foi condenado pela própria estupidez humana. Isso que você postou, nobre amiga, é o reflexo da massificação das inversões de valores.

    Mas eu tenho uma ideia. Uma proposta. Então, as crianças/jovens de hoje em dia não se encantam com finais felizes? Não acreditam em finais felizes? Façamos o seguinte: vamos fazê-los aprender os verdadeiros valores com finais tristes.

    Escrevo esse comentário tentando parar de chorar. Acabei de assistir o último episódio de um anime chamado "Ano hi mita hana no namae wo bokutachi wa mada shiranai" - ou simplesmente "Ano hana" (Sim, quando eu me apaixono por uma obra eu uso todos os pretextos possíveis para divulgá-la ao máximo). Ele é um dos mais presentes em todas as listas de "animes que fazem chorar". Acabei de assistir o último episódio, e estou soluçando há quase quinze minutos.

    Que tal fazermos a juventude de hoje em dia assistir a um anime desses, que fala de amizade de maneira comovente, que fala de sentimentos de uma maneira intensa e muito verdadeira? Que tal fazermos elas entenderem através de obras tristes/emocionantes que devem valorizar o pouco que ainda há de bom neste mundo?

    Ah, você não acredita em finais felizes, seu pirralho com cheiro de placenta? Então assista algo com um final triste e vamos ver se você não aprende o que é viver.

    Será que se um jovem assistisse "Tokyo Magnitude 8.0" (outro anime tristíssimo/emocionantíssimo que mostra uma Tóquio arrasada por um terremoto terrível) ele não daria valor aos verdadeiros valores da vida, em vez de seguir o caminho do culto à ostentação (agora intensificado pelo ABOMINÁVEL funk ostentação)?

    Desculpe, acho que me excedi e talvez tenha descaracterizado a postagem. Mas é o que eu penso.

    P.S.: Assista "Ano Hana". Apenas 11 episódios (e 23562379759357395 litros de lágrimas)

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    1. Não, nobre Jaco, você não descaracterizou a postagem. Nem um pouco. Eu sempre abordo, com as crianças, a música "Rosa de Hiroshima" quando falamos do gênero poema e já falei sobre O Diário de Anne Frank com o gênero diário. Infelizmente, eu não posso usar animes XP... mas também uso essa estratégia. Tento acordá-los, tocá-los, mostrando quanto é importante valorizar as boas coisas, os bons sentimentos, em um mundo tão calejado. Funciona com alguns, com a maioria não. Eles estão realmente crescendo em meio a uma inversão de valores que é assustadora, não se importam com nada e cantam "Beijinho no ombro".

      Sabe, posso parecer meio "conservadora" quando falo de inversão de valores, mas acho que quando a gente trabalha com crianças é muito mais difícil levantar certas bandeiras e defender alguns comportamentos. Sabe, algumas coisas são perfeitamente aplicáveis ao mundo adulto e à consciência adulta - capaz de discernir, decidir e jogar fora o que não lhe serve - mas são bem complicadas no âmbito infantil/juvenil. As crianças estão entrando muito cedo em contato com questionamentos, angústias, conflitos adultos (incluindo aí as futilidades e besteiras). Internalizam tudo isso mas não sabem lidar com esse universo. Basta ver essa questão da ostentação que você falou. Essa obsessão de alguns pelo dinheiro - sem nem saber o que vão fazer com isso - é uma prova de que essa cultura besta está atingindo as novas gerações.

      Anotarei os nomes dos animes, nobre Jaco. Me lembrei, com seu comentário, de "Gen pés-descalços" - se você ainda não conhece, vá atrás. É um livro-mangá e me arrancou também litros de lágrimas. E é uma história real.

      Obrigada pelo mega comentário e volte sempre aqui, amigo.

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  2. A inversão de valores que vemos hoje em mídias sociais, seriados de TV e filmes é algo preocupante, e que já está deixando uma marca no comportamento de adultos e crianças. É impressionante como todos com quem converso que lidam com educação têm uma história bizarra para contar.

    As pessoas estão mesmo se tornando mais cínicas, movidas por ignorância e a ilusão de que este "pragmatismo" é um sinal de inteligência. E hoje, as crianças estão crescendo em um mundo caótico, em que há muita liberdade (especialmente porque muitos pais e mães parecem ocupados demais para educar seus filhos) e uma imensa falta de valores.

    E como causa/ consequência deste movimento, as "histórias de final feliz" e de "bem contra o mal" que ajudaram gerações a terem bons exemplos e até a um pouco mais de esperança, estão gradativamente sumindo.

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    1. Sim, Odin, você sabe das histórias bizarras que eu tenho. Eu acho que as crianças estão mesmo entrando em contato com um mundo adulto muito cedo e perdendo características que só deveriam perder depois. Eles estão cínicos, e isso me assusta. Quando vejo meus alunos mais cínicos do que eu, tenho vontade de sair correndo.

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  3. Um claro exemplo de que os tempos mudaram é a animação, que a meu ver, é maioritariamente direccionada a um publico adulto.
    Sim, também me vejo por vezes a render ao cinismo, mais do que queria, mas é difícil não o fazer. Luto contra isso e vejo como uma vantagem, ainda me distrair com coisas acriançadas. São escapes deste mundo pesado, escapes necessários. A distração aprimora a vida.
    Minha filha de quatro anos perguntou-me, "Porque não consigo fazer magia papá?", ao qual respondi, "Mas tu vês magia e isso é muito importante". Parte da minha luta vem por aí, educar a minha filha a ver o que muitos desistiram de olhar, a encontrar razões de sorrir quando o dia não os oferece, a acreditar em algo mais...

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    2. Zamiel, acho que é muito importante não tirar isso das crianças, como você colocou, de certa forma, com o seu comentário. Também tenho me encontrado mais cínica ultimamente e não gosto, mas pelo menos posso dizer que isso tem sido um reflexo de algumas coisas que tem acontecido em minha vida - o que, penso eu, é natural até certo ponto - e não a necessidade de seguir uma certa tendência ou "moda" nesse sentido. Penso que o certo é lutar contra isso em nossas vidas, como você bem colocar, e não aceitar o cinismo de braços abertos, principalmente quando temos crianças por perto.

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  4. Amanda Silversong24 de junho de 2014 08:56

    Oie ^^

    Concordo totalmente com você, com o Jacó e com o Odin. E que bom que você mencionou o Frozen, Li. Eu tenho muito a falar (ok, vomitar) sobre isso.

    Eu cai na bobagem de assistir Frozen e pelo amor de Deus!!! A única coisa que aquele desenho tem além de belos efeitos especiais e uma história mal feita sem pé nem cabeça são mensagens feministas e pró gay, como se a animação inteira fosse feita exclusivamente para agradar este público.

    Antes que joguem pedra em mim por ir contra a maré na internet (de novo), deixo claro que respeito a escolha e orientação sexual de cada um, mas me revolto quando este tipo de escolha é indiretamente esfregada na nossa fuça o tempo todo, e ainda por cima em um desenho infantil. Basicamente, Frozen passa a mensagem de que homens são todos:
    1- Idiotas retardados que no fim das contas são completamente inúteis.
    2- Falsos cretinos que querem apenas usar as mulheres para controlá-las e usurpar o "poder" que elas detêm.

    Eu adoro praticamente todos os desenhos da Disney, e acho fantástico aqueles fogem um pouco da fórmula príncipe e princesa, como Mulan e Pocahontas. Mas a mensagem do Frozen é intolerável para mim.

    Eeeeee quando achei que a Disney havia chegado no fundo do poço nesse sentido, vem o filme Maleficent, que faz além de tudo, apologia a abuso sexual e psicológico, transformando aquele velhinho fofinho que é o pai da Aurora no VILÃO da história!!!! Eles até insinuam uma relação de "amor" entre a Malévola e a Aurora. AAAAAAAAAHHHHHHH! Daqui há pouco vão dizer que a Úrsula na verdade era boa, e que estava tentando livrar a Ariel dos grilhões do patriarcado impostos por Tritão!

    E não acabou!!!! A Disney já anunciou que fará um novo filme de A Bela e a Fera. E quem irá dirigir esta pérola? Simmmm..... Bill Condon, DE CREPÚSCULO!!!!!!!!!!! Já dá para imaginar o que vai sair disso, não?

    Li, desculpa soltar os cachorros aqui, mas faz tempo que isso tá engasgado na minha garganta. Se achar meu comentário muito pesado, não precisa publicar, tá? ^^

    Eu tenho mais é que seguir o conselho da minha irmã e parar de me importar com essas coisas :(

    Beijos da Amanda!!!

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    1. Olha, Amanda, é claro que não vou deixar de publicar seu comentário! Você tem cadeira cativa aqui no blog XD e sua opinião sempre será muitíssimo respeitada nesse espaço.

      Eu gostaria de escrever um post SÓ sobre a Disney. Faz tempo que tenho pensado nisso, mesmo porque tenho me sentido uma alien sendo uma das únicas pessoas que não gostaram de Frozen. Quanto à Malévola, não vou assistir. Creio que me sentiria bastante irritada com essa nova versão, e isso envolve muito do que você falou sobre a transformação do pai da Aurora e a metáfora sobre abuso sexual, que a Angelina Jolie inclusive confirmou.

      É o que eu falei: não gosto desse tipo de mensagem/discussão em um filme infantil (me lembra muito dos contos de fada realmente originais, que tinham como objetivo assustar as crianças e educá-las na base do medo, e creio que ninguém acha isso muito bacana hoje em dia). Eu acho que alguns assuntos e discussões são de âmbito adulto. Com crianças, esse tipo de coisa tem de ser discutida aos poucos, em longas conversas, e isso é EDUCAÇÃO que deve ser dada pelos pais e, em menor grau nesse âmbito, por professores.

      Sinceramente? Que adianta mudar a "imagem da mulher" nos desenhos da Disney colocando os homens como abusadores (pai da Aurora), crápulas que mudam do nada (Hans) ou pessoas inexpressivas (Kristoff), que facilmente poderiam ser retiradas do enredo sem maiores problemas? Não gosto disso. Não penso que traz equivalência. Nesse sentido gosto mais de Valente, então, já que realmente mostra uma história centrada na figura da Merida e em sua relação com sua mãe, sem precisar inserir um personagem masculino para servir de "saco de pancadas" dela ou para ser o "grande mal" no final. Não é isso que tanto reclamam da representação feminina, estereotipação e falta de profundidade? Então, não vamos repetir as coisas.

      Não gostei de Frozen exatamente por conta disso: uma história - AO MEU VER - fraca, sem muita sustentação, com um vilão que não tem a mínima profundidade (em nenhum momento se explica a mudança ou os motivos do Hans - parece que foi uma decisão tomada depois pelos roteiristas e que foi disfarçada como uma "grande surpresa") e protagonistas que não me cativaram, com arcos muito superficiais e um relacionamento que se constrói de forma artificial (sim, gente, elas são irmãs, mas praticamente não tiveram contato nenhum durante toda a vida. Sangue não justifica amor incondicional, convivência e afinidade sim - já que é para ser realista ao retratar relacionamentos... sejamos). Parece mesmo que a preocupação maior estava em levantar bandeiras e falar: "oh, está vendo, somos modernos e estamos nos adequando, veja, veja! Let it gooooooo, let it goooo", e tenho certeza que o objetivo foi esse mesmo.

      Também fui assistir Frozen no cinema e saí bem desapontada. Para mim, o único desenho que, até agora, deu uma repaginada na Disney respeitando o legado que havia se construído antes foi Enrolados. O que veio depois está mais preocupado em passar a mensagem de modernidade e "não somos mais machistas".

      Só para esclarecer, gente: não gosto de expor certas coisas, mas acho que cabe nesse momento. Eu fui muito educada para pensar que homens enganam/traem/são perigosos. Que mulheres só podem confiar em mulheres. E odeio isso. Me fez sofrer bastante. As coisas não são assim e, apesar de concordar muito com a luta pela igualdade de direitos (o que é muito necessário) e com posicionamentos equilibrados, fico totalmente incomodada com algumas visões extremistas e discursos que não levam em conta situações particulares e vivências, apenas generalizam, tacham estereótipos, demonizam. É por isso que não gosto de levantar bandeiras, e gosto menos ainda de ver certas questões e visões sendo inseridas em desenhos infantis.

      (Affff, que fim essa coisa da Bela e a Fera, né? Mas eu já estou desencanando da Disney, sério mesmo. Desde Alice no país das maravilhas que eu acho essas "repaginações" meio fail).

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    2. Ah, gente, e só mais uma coisa (abordando as questões que eu levantei sobre a minha criação e o suposto feminismo nos novos filmes da Disney): eu sei que feminismo não prega ódio aos homens, nem medo e desconfiança (e nem tive uma criação "feminista"). Mas várias representantes do movimento (que é bem heterogêneo, afinal) têm um discurso e uma visão que acho um pouco radicais e que vão, sim, nessa linha de que todo homem é um abusador/opressor em potencial. E isso eu realmente não curto. Talvez seja por conta do meu histórico, mas essa visão realmente me incomoda.

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  5. Olha... Nem sei ao certo o que dizer, pois as palavras do Jacó e do Odin já expressaram o que fui pensando conforme lia a postagem.

    Entendo o que você deve ter sentido durante a aula citada. As crianças e os adolescentes de hoje, pelo menos a maioria, só se importam com coisas que cada vez mais as afastam daquilo que realmente é viver essa fase deles.

    Acho que o ser humano tá seguindo um caminho de evolução muito mal e que sempre me faz lembrar de filmes que retratam o ser humano numa sociedade pobre... Uma sociedade evoluída tecnologicamente, mas de alma vazia.

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    1. Gisele, muitas vezes, quando eu falo sobre isso, as pessoas dizem que é normal que os mais velhos estranhem e repudiem o comportamento dos mais novos, naquele clássico "na minha época não era assim". Mas sabe, acho que não é questão disso não. Eu não fico irritada ou incomodada como se eles estivessem "quebrando" algo que eu quero desesperadamente manter, eu fico mesmo triste com a mentalidade de muitas das minhas crianças na escola. Porque é óbvio que eles não estão vivenciando as coisas boas da época em que eles estão. Eu me coloco muito no lugar deles e procuro me lembrar de mim mesma nessa idade (e é fácil me relacionar com eles - eu estudei no mesmo colégio em que dou aula hoje). E era muito diferente. Como disse, eu fui criança. Não tive uma infância perfeita (quem teve?), mas fui criança, vivenciei esse período e é por conta disso que até hoje sou uma pessoa capaz de ver uma certa magia nas coisas, hehehe, o que me faz feliz. A minha paixão por fantasia foi alimentada ali, naquela época. Mas essa geração realmente está mais "adultizada", ao mesmo tempo em que muitos são bastante imaturos emocionalmente e sabem lidar pouco com frustrações. Por quê? Porque essa crianças lidam demais com questões adultas, são tratadas como adultos quando não deveriam, e tratados como crianças apenas na hora de se obter uma vantagem com isso (aaah, não pode exigir tarefa, eles são muito pequenos. Aaaah, não pode tirar ponto de ortografia... ).

      Eu concordo com você sobre esse caminho de evolução do ser humano. Sei que pareço uma velhinha falando, mas creio que as tecnologias e as mídias sociais estão tornando o ser humano mais superficial e engajado em grupinhos e batalhas de egos virtuais que, no fim, não mudam nada, apenas geram mais ressentimento, mais sectarismo... exatamente por conta da superficialidade. Poderia ser diferente, a tecnologia poderia trazer coisas maravilhosas, mas não é assim que está acontecendo. Estamos mesmo mais vazios... e nos achando cada vez mais "espertos" e "esclarecidos".

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  6. Então, é a primeira vez que lhe mando um comentário, mas me senti obrigada a postar depois desse texto incrível.
    Acredito que peguei uma das últimas geração a ainda crescer com finais felizes. Eu tenho 15, mas sinto pena das crianças que eu vejo hoje em dia. Minha irmã, por exemplo, tem cinco e não cresceu com a Disney e filmes de finais "exteriotipados" e felizes para sempre. As vezes eu apenas queria sentar ela na frente do not e faze-la assistir Branca de Neve até aquela cabecinha explodir de anões e chaneis preto. Em um dos comentários ai em cima, me lembro de ter lido sobre fazer as crianças verem animes totalmente tristes. Eu pequei minha irmã para ver Full Metal, em um dos episódios mais tristes, e bom... não deu dois segundos para ela estar querendo ver a Bella e a Fera na hora.
    Sinceramente, eu vejo filmes antigos e ainda choro vendo Bella e a Fera. Eu gosto de finais felizes. Fiquei pu** da vida quando li Divergente, e vi o que acontece com a Tris no final. Eu também nunca esperei um principe encantado, e sinceramente, eu prefiro os meninos nerds e sarcasticos.
    Estou com saudades dos desenhos animados sem lição de moral a cada episódio, e coisinhas bobas de finais felizes que contam como o amor resolve tudo. Eu não sei se tive essa infância por ser da época "pré-internet sem limites a cada celular, e coisas assim mas... bom, eu, particularmente fiquei chocada quando um menininho (Sério, o moleque não podia ter mais que 8 anos) chegou em mim e nas minhas amigas no meio da rua e perguntou qual de nós iríamos pagar um boquete para ele.
    Na minha época, os meninos dessa idade estavam brincando de carrinho!
    Toda a vez que minha irmã vem na minha casa, eu faço questão de que ela veja coisas costrutivas, e tenho sorte que ela goste de animes. Não que eu a deixe ver coisas como Anoter, quero dizer, não quero que ela fique traumatisada. Mas eu quero que, pelo menos ela, não caia na vida e acabe grávida aos 13 anos de idade, achando que tudo na vida vale com o dinheiro e status social. Deus me livre, mas se eu não posso mudar todo o mundo, quero que ela tenha a infância que eu tive. Não digo que foi daquelas maravilhas, acho que aos 10 eu já tinha uma idéia de que finais felizes não rolam assim do nada, mas eu ainda adoro ver eles acontecendo em filmes e livros, porque são deliciosos e tem aquele gostinho de infância. É bom, dar uma variada das minhas amadas séries policiais e de ficção científica. Acho que eu teria um colapso se visse Hannibal quando era criança k.
    Enfim, só o que me deixa menos triste pelo fim cada vez mais precoce da inocência é pensar que ainda pode existir salvação em alguns por ai.
    Eu não sei, sempre me dizem que sou inocente demais para minha idade. Não acho isso. Eu quero ter esperança de que ainda tem um pedacinho de bondade e coisas boas nos humanos em geral. Talvez eu seja mesmo inocente, no final das contas kk

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    1. Roberta, que delícia o seu comentário! Venha sempre aqui e seja sempre bem-vinda, viu?

      Roberta, o que eu acho que as pessoas menos percebem em toda essa leva de mudança de valores é como tudo isso afeta as crianças. Algumas coisas são lindas e maravilhosas se bem discutidas e contextualizadas em um mundo adulto, mas o efeito que tem nos pequenos é bem diferente.

      Crianças precisam de referências simples. Essa coisa do bem e do mal, do final feliz, dos valores de "se você for bom, sera recompensado ao final" podem até ser "ingênuos" (caham, vamos colocar muitas aspas aí), mas são fontes de alento e aprendizagem importantes para as crianças, alegorias que elas vão ter capacidade de aprofundar quando mais velhas, quando já tiverem aparato psicológico para isso. Não é preciso colocar na vida da criança assuntos e complexidades que elas ainda não têm capacidade de compreender em sua plenitude (a não ser que a realidade dela realmente peça, mas aí já é outra história).

      A questão da sexualidade exacerbada me assusta e eu, como professora, posso dizer com todas as letras que as crianças estão sim perdendo sua inocência muito mais cedo (esse menino de 8 anos, meu Deus!! Como assim??). Sim, antigamente a gente tinha o "É o Tchan" e similares, isso sempre existiu, mas não em um grau de exposição tão grande como temos agora, na era da internet. As crianças estão sendo expostas a assuntos e conceitos que elas NÃO TEM CONDIÇÕES de entender.

      Eu também coloco desenho da Disney a rodo para minha sobrinha ver. Quer saber, ela entende muito bem que final feliz e príncipes nem sempre existem. Ela não tem pai praticamente, ela vê a mãe chorar por um bando de problemas, a pequenininha passa por uma porrada de coisas que fazem ela compreender que não, as coisas nem sempre são fáceis. É por isso que ela precisa ainda mais da inocência e do simples o bem vence o mal. Ela precisa ter fé e acreditar em algo bom. Eu vejo isso nela, e isso não é apenas inocência, é sobrevivência também.

      Ah, se te dizem que você é inocente demais para a sua idade (já me disseram também que eu sou inocente e idealista), considere como um elogio, viu? E continue mostrando animes (sem os traumáticos, claro, hahaha) e Disney para sua irmã e passando bons exemplos para ela . É disso que ela e tantas crianças precisam.

      Beijos!!!

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